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cidadesMais cursos profissionalizantes em 2008

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23 de dezembro de 2007
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ENTREVISTA OTHON BASTOS:

Capacitar a população através de recursos tecnológicos para que as oportunidades de trabalho sejam para a maioria. Este será o foco em 2008 da Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia - Sectec, que este ano formou centenas de empreendedores através dos cursos do Centro de Capacitação Tecnológica -  Cetecma e que ano que vem juntará forças com as demais instituições estaduais das áreas de educação e pesquisa para maior investimento nas cadeias produtivas, os chamados Arranjos Produtivos Locais- APL´s. Entre eles, a produção do mel, o processamento de frutas e hortaliças e a fabricação de produtos de higiene e limpeza. O objetivo é preparar o trabalhador para o processo correto de fabricação até a comercialização do produto, inclusive com orientações sobre linhas de crédito para sustentar o negócio. Para falar sobre este e demais projetos de capacitação, o secretário Othon Bastos concedeu a seguinte entrevista ao Jornal Pequeno.

Secretário Othon Bastos fala sobre projetos de 2008

Por que é importante investir nos arranjos produtivos locais?

Othon Bastos - Porque é um trabalho de inclusão social, que também preserva o ambiente para que aquela cadeia produtiva sirva para várias gerações. É importante que se diga que para ser caracterizado de APL é preciso haver desenvolvimento de trabalhos comunitários somados às agências de créditos, igrejas, governos, para gerar emprego e renda. Um exemplo de APL forte no Maranhão é o do mel. A floração no Estado é mais nutritiva para as abelhas que no Piauí, por exemplo. Os produtores vêm do Piauí e exportam o mel produzido aqui. Então, o importante é a capacitação tecnológica da população para que ela possa trabalhar em toda esta cadeia. Da forma que não só os industriais, os empresários, participem. É preciso que haja qualificação de toda a população para que este recurso não fique centrado nas mãos de poucos. Daí surgirão novas cooperativas e associações para criar uma concorrência interna e externa de forma sadia, dando a oportunidade de emprego e renda para todas as famílias.

Como será feito este trabalho de incentivo aos produtores?

Othon Bastos - Em 2008 o Governo do Estado vai gerir diretamente todas as ações desenvolvidas dentro das prioridades estabelecidas a partir das comissões criadas. A Secretaria da Ciência e Tecnologia, através do Cetecma e da Universidade Virtual - Univima, estará incumbida da capacitação de pessoas para trabalharem nestes arranjos. Hoje nós trabalhamos nestes arranjos fomentando as pesquisas, mas o que queremos a partir de 2008 é aplicar o resultado dessas pesquisas e implementá-las em ações diretas nos arranjos existentes ou na criação de novos núcleos produtivos. A Sectec fará parte de uma comissão que trabalha neste projeto integrado dos APLs diretamente em nove linhas de ação. O grande trabalho da Sectec seria exatamente a capacitação tecnológica para as populações envolvidas nos arranjos, inclusive com cursos de alfabetização. Este modelo foi trabalhado no Nordeste da Itália, onde existiam cerca de 80 arranjos e o governo local administrou, fazendo investimento empresarial somente nestas linhas pré-determinadas e com o grande envolvimento da população nesta capacitação tecnológica.

O Estaleiro Escola, que é dirigido pela Secretaria, também atua na capacitação. Neste caso, de construtores de barcos. É a mesma linha de trabalho de formação de profissionais?

Othon Bastos - Sim. O Estaleiro faz parte do Centro Vocacional Tecnológico e, mesmo com o pouco tempo de criação, tem nível de excelência na produção de barcos de madeira. Nós temos hoje 300 alunos participando de cursos diferenciados sendo orientados por um misto de mestres carpinteiros, calafates, com professores da academia, sendo uma experiência ímpar no Brasil. Existem noutros Estados, centros de produção de barcos, mas só aqui existe a junção da produção com o ensino. O aluno aprende a construir e também aprende a trabalhar com a informática, com a preservação do meio-ambiente, a gerir seu negócio. Defendemos a idéia de que é preciso sair do teórico e partir para a concretude. Através das suas oficinas, o CVT oferece oficinas de biojóias, informática, reciclagem, onde pessoas estão tendo a oportunidade de terem uma capacitação específica para a geração de novas rendas. O Estaleiro está inserido em uma comunidade (Itaqui-Bacanga) muito carente, e um dos objetivos do projeto é mudar sua face, dando condições de emprego e renda através da capacitação tecnológica. A mudança só vem através da capacitação, da educação. Hoje, o Estaleiro Escola é o mais novo Pólo Tecnológico da Univima e está dotado da mesma tecnologia utilizada nas outras unidades. Isso faz com que a escola esteja ligada a todo o estado e ao mundo, dando novas oportunidades à comunidade onde está localizado.

O sr. acredita que ter esta característica, inédita no Brasil, pode ajudar o Estaleiro a atrair parcerias, investimentos de outros Estados?

Othon Bastos - Sem dúvida. Devido a este perfil, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) assegurou a oferta de cerca de três mil bolsas de capacitação para as diversas modalidades de oficinas realizadas. Outro reconhecimento importante é o comprometimento do Ministério do Trabalho em sugerir a criação de novas linhas de crédito junto ao BNDES para o financiamento de embarcações de madeira. Este hoje é um mercado em crescimento. O Estaleiro está contribuindo para que as pessoas tenham como ganhar o seu pão.

Assim como o Estaleiro, a Univima Universidade Virtual do Maranhão, faz parte da Secretaria de Ciência e Tecnologia. A Universidade vem cumprindo seu papel de capacitação a distância?

Othon Bastos- O grande papel da Univima é a disseminação da capacitação tecnológica em todo o Estado. A educação a distância é voltada para o ensino de todos. Mesmo sendo uma instituição nova, a Univima vem somando resultados positivos anualmente. Isso pode ser visto através dos egressos que foram capacitados em diversos cursos ofertados. Hoje, mais de 50 mil pessoas já passaram pela Univima. A educação a distância proporciona um ensino com qualidade igual aos modelos presenciais e ainda desperta novas habilidades. O aluno de EAD, além de ter a aprendizagem reforçada pelo audiovisual, tem a oportunidade de desenvolver seus conhecimentos em informática (pelo uso de software) e da língua inglesa (por causa da linguagem do software). Isto é um processo que integra inclusão social e digital. Hoje, a educação a distância é um processo barato e atende a um público cada vez maior e diverso, sem perder a qualidade. A tecnologia utilizada pela Univima proporciona total interatividade entre aluno e professor, que estão juntos através de ferramentas tecnológicas avançadas. Essa não é mais uma tendência, é uma realidade entre instituições e empresas de todo o mundo.

Quais as vantagens do Ensino a Distância?

Othon Bastos - A Univima oferece a educação presencial e a distância. O professor interage com o aluno na hora. As habilidades adicionais da EAD são muitas. Uma é que o aluno pode rever a matéria quantas vezes ele quiser. Pode rever num dos pólos da Univima (são 18) ou pela internet. Outra é que ele desenvolve trabalho em grupo com pessoas de lugares diferentes. Além de ser lúdico enriquecer a informação com as imagens, os vídeos. A imagem no processo de transmissão do conhecimento é muito importante.  

E os projetos para a rádio da Univima, a Univima Web?

Othon Bastos - A Univima segue com a sua proposta de trabalho que é criar melhores condições para a vida do maranhense com a criação de emprego   e renda. Essa é uma meta importante do Governo Jackson Lago que estamos buscando cumprir. Pretendemos a alfabetização via rádio. O custo é baixo para o Estado, porque é via internet, e estamos trabalhando parcerias com as rádios comunitárias, para que o conteúdo seja reproduzido por elas. Existem muitas oportunidades de trabalho em Ciência e Tecnologia, mas acredito que é preferível fazer poucas coisas, mas que sejam bem feitas.

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