MEIO AMBIENTE
Eles estão derrubando todas as árvores da margem do rio
Uma procissão de caminhões carregando madeira percorre todos os dias a MA-318, em direção a Bom Jardim. De lá, a maçaranduba, o ipê, o pau d’arco e outras espécies nobres – retiradas das matas de São João do Caru geralmente de forma ilegal – são levados para outros estados, inclusive ao sul do país.
Além de degradarem a mata vizinha à Reserva Biológica do Gurupi, os madeireiros também estão ameaçando a sobrevivência do rio Caru. Eles cortam grande quantidade de madeira às margens do rio, sem respeitar os 100 metros de distância estabelecidos legalmente. Com isso, as margens sofrem processo de erosão e o rio vai assoreando.


Isolamento – O assoreamento do rio Caru tem como conseqüência imediata a formação de inúmeros bancos de areia, que prejudicam sua navegabilidade, e, de tabela, a vida da população caruense.
O rio – que é bastante raso nos meses de estiagem – enche na época chuvosa e se transforma na única via de acesso e saída do município, já que a MA-318 fica intrafegável com as chuvas.
O assoreamento do rio Caru está fazendo com que ele demore cada vez mais para encher. Assim, mesmo chovendo, os moradores do município ficam completamente isolados nos primeiros dois meses de chuva, sem saída quer por terra quer pela via fluvial.
Além de estarem exterminando toda a madeira que cresce à margem do rio Caru, os madeireiros fazem caieiras nos locais, para produzir carvão.
Todas essas agressões ao Caru foram registradas em fotos por um grupo de ambientalistas – os Ecologistas Caruenses Organizados (ECO). A entidade, pilotada por Raimundo Morais, pela irmã Naíde Maria de Carvalho (missionária da Congregação Filhas de Jesus Crucificado) e por Arllan Silva Matos (assessor da Prefeitura), já reúne mais de 60 pessoas – entre moradores, comerciantes e estudantes do município.
Todas as quartas-feiras, os militantes da ECO realizam o Programa Agente Jovem, percorrendo as margens do rio Caru para retirar todo o lixo nelas depositado e identificar os principais pontos de degradação. Os ambientalistas também “faxinam” a sujeira acumulada no igarapé São João, outra referência da cidade no que diz respeito à ecologia, e que está sendo bem maltratado pela população.
“Nosso principal objetivo é criar uma consciência ambiental nos caruenses. A partir daí tudo fica mais fácil”, afirmou Raimundo Morais.