SEBASTIÃO NERYHISTORIAS BAIANAS SALVADOR
– Octavio Mangabeira, um turbilhão de frases, avô do Mangabeira Unger, o ministro Banda Larga, dizia embolando a língua:
- “Pense em um absurdo. A Bahia tem precedentes”.
Diante do Comando da Marinha e ao lado do Mercado Modelo, na praça Visconde de Cairú, na Cidade Baixa, aqui em Salvador, instalaram uma imensa e bela escultura abstrata do grande artista baiano Mário Cravo, que na época custou 100 milhões de cruzeiros: quatro blocos redondos superpostos, como se fossem enormes capacetes ou grandes bolas.
Como era nos tempos da ditadura e ficava ao lado de um quartel de comando, o povo não entendia o que era aquilo e o baiano começou a fazer piada. Uma manhã apareceu a genial pichação, no pé do monumento :
“Mario Cravo, 100 milhões / cobrou caro pra chuchu / só para levantar os bagos / do Visconde de Cairú”.
A arte de Mario Cravo continua lá, plasticamente linda, diante do cais e do mar azul da Bahia. Se fosse para Lula, seria o quê? A mão de Gil?
MENTIRAS
No avião, vim lendo o lúcido George Vidor, no “Globo”. Desmoraliza a mentira que os banqueiros mandam Mailson Nóbrega dizer a Meirelles, que repete ao Margarina (Mantega), que repete a Lula, que repete ao país:
1 - “A política econômica continua trocando inflação por dívida. Essa troca envolvia antes endividamento externo, e agora não mais. O Brasil já não se endivida em moeda estrangeira e acumula, a cada dia que passa, mais reservas em dólares : US$173 bilhões”.
2 - “Considerando-se apenas a dívida pública interna, o resultado piorou : no final de 2005, essa dívida correspondia a 44,1% do PIB. Em 2006, passou para 47,6%. E este ano de 2007 saltou para 52%. A dívida interna líquida, em dezembro de 2005, era de R$952,2 bilhões. Em setembro ultimo, estava em R$1.337 trilhão”.
É a “herança maldita” de FHC é a “herança etílica” de Lula.
SALVADOR
Meses depois de morto, Antonio Carlos Magalhães continua partindo a Bahia ao meio. Sobretudo Salvador. A pesquisa do Datafolha, ouvindo 12 mil pessoas nas oito maiores capitais, detonou as especulações em São Paulo, Rio, Salvador, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis. Mesmo ainda tão longe, ninguém segura mais o frisson.
Aqui em Salvador, virou tudo de cabeça para baixo. A velha oposição agora é a situação: o governador Jaques Wagner, do PT, e o (financeiramente) poderoso ministro Gedel Vieira Lima, do PMDB, assumiram a paternidade do prefeito João Henrique, que saiu do PDT e se acoitou no PMDB para conseguir seus 16%. A tal ponto havia despencado no desgaste popular, que ficara inteiramente órfão. Agora, é o candidato rico: tem o governo do Estado, a Prefeitura e as obras do São Francisco.
AINDA ACM
E o antigo “grupo ACM”, que governou bem a cidade, sobretudo nos recentes e excelentes oito anos de Antonio Imbassahy, chega às eleições também rachado: Imbassahy (12%) no PSDB e ACM Neto (15%) no Dem.
Em primeiro lugar (19%), está o radialista do crime, com enorme audiência e popularidade, Raimundo Varela, um candidato Big Brother, um Ratão baiano. Toda vez é assim: quando chega perto, pula para outro barco.
Os outros fazem figuração para as eleições parlamentares de 2010: Lidice da Mata (PSB), 9%, Nelson Peregrino, do PT, 3% ou Walter Pinheiro, do PT, 1%. E Olívia Santana do P C do B, 1%.
O mais provável é que a eleição acabe polarizada entre o prefeito João Henrique (agora João Henrico) e o popular ex-prefeito Imbassahy.
SARNEY
Surpreendentes bolos de palmatória levou o senador Sarney, que apareceu de cabeleira nova, pintada de preto como as asas da graúna. No mesmo dia em que ele comentava na “Folha” a intimidade dos macacos com a aritmética (“Nós e os Macacos”), saiu o relatório da OCDE sobre o baixo aprendizado dos estudantes brasileiros:
- “O Maranhão, governado por ele e sua trupe por mais de 40 anos (desde 65), obteve o pior resultado entre todos os Estados brasileiros”.
HADDAD
Mais uma vez o jovem ministro Fernando Haddad, da Educação, dá bom exemplo público, falando a verdade, sem enganar a Nação:
- “A Educação perdeu mais de 25% do Orçamento de 1994 a 2007 (FHC e Lula), período de existência do DRU (Desvinculação de Recursos da União, dinheiro publico arrancado pelo governo para os juros dos banqueiros). Não é coincidência o fato de que a qualidade cai quando os recursos caem. A Educação perdeu R$50 bilhões com o DRU nos últimos 10 anos. Retiraram do ministério R$7 bilhões ao ano” (A Tatiana Farah).
JOÃOZINHO
Baiano gosta de piada. A internet baiana mais ainda:
- A professora perguntou a Joãozinho quem foi Sócrates.
- Foi aquele grego que dizia que nada sabia.
- Muito bem, Joãozinho.
- O pior, professora, é que agora o Lula vai dizer que é grego.
2. – A professora contava na aula que Lula confessou a amigos que seu sonho é ser lembrado como Getúlio Vargas. Joãozinho perguntou logo:
- E quando vai ser o suicídio, professora?
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