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EsporteFutebol e publicidade II

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6 de novembro de 2007
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José de Oliveira Ramos

(joseoramos2006@ig.com.br)

Na semana passada, com o objetivo de ajudar os amadores fazedores do futebol local, escrevemos um artigo criticando construtivamente a informalidade da mídia local. Pode ser que alguém tenha colocado a carapuça na cabeça de forma inadequada, esquecendo o prejuízo que tem causado ao segmento que lhe tem garantido o sustento e de sua família. Poderia ser diferente, para melhor, se houvesse a formalidade institucional.

Entendemos que o assunto ficou incompleto e resolvemos voltar, com a intenção precípua de ajudar. E cada um ajuda da forma que pode e sabe.

Torcedor lota estádio, quando acredita no futebol

Não faz muito tempo – quando trabalhávamos num outro jornal – presenciamos durante meses uma “publicidade de periferia”, dessas da vida prática que Regina Casé está apresentando no programa Fantástico da Rede Globo, em alguns países africanos. A informalidade na propaganda e nos temas desenvolvidos pela Repórter, dói e confirma a pobreza generalizada das pessoas, inclusive no aspecto cultural.

Um companheiro de Redação trabalhava como Assessor de Imprensa de uma fábrica de bebidas e refrigerantes. Em vez de procurar o Departamento Comercial do veículo para FORMALIZAR uma publicidade, transgrediu as normas da empresa (das duas, no caso: da Indústria de bebidas e refrigerantes e do veículo de comunicação) e “contratou” a pessoa errada para ajudá-lo na sua função de Assessor de Imprensa.

Conseguiu alguém para pintar a propaganda da indústria de bebidas no muro do estádio, atrás de um dos gols. Com a imagem pintada, “contratou” um fotógrafo para fazer as fotos dos prováveis gols. No primeiro dia em que o fotógrafo foi “trabalhar” na função, aconteceram quatro gols, mas, infelizmente, nenhum onde havia a imagem da bebida. Quer dizer, o fotógrafo não fotografou e não gostou de ter perdido a tarde sem ganhar nada.

Na segunda vez que o fotógrafo trabalhou, o goleiro que defendia o gol onde havia a imagem da bebida, fez defesas mirabolantes, dessas de chamar a atenção de qualquer um. O fotógrafo não fotografou, porque fora contratado para fotografar “gols”. Na terceira vez, felizmente, o gol aconteceu naquela trave e o fotógrafo pôde, finalmente, faturar uns caraminguás (como diria o imortal João Saldanha).

Fotos feitas informalmente e caraminguás faturados também informalmente, o companheiro Assessor de Imprensa descobriu a pólvora e entendeu que a foto só seria útil se fosse publicada. E o fotógrafo não publica foto. Aliás, nem tem o direito de escolher a foto que vai ser publicada. Quem publica é o Editor da página ou da Editoria. E aí a bola de neve cresceu e alguns aniversários se transformaram em verdadeiras festas. Mas as fotos foram publicadas.

Mas, o pior da informalidade estava por vir. O goleiro que “tomava” os gols ou os defendia, e o atacante goleador, passaram a questionar a utilização das suas imagens, exigindo não apenas o precios líquido das festinhas familiares, mas, também, alguns caraminguás.

Tivesse acontecido desde o início a CONTRATAÇÃO formal do espaço para veiculação do anúncio, tudo teria sido evitado e funcionários e veículos lucrariam da mesma forma que goleiro e artilheiro.

Pois, é dessa forma que os fazedores do futebol local precisam PROFISSIONALIZAR a publicidade e a propaganda no esporte que é preferência nacional. Estão desperdiçando tempo e dinheiro. Como é hábito norte-americano dizer, “Time is money”.

O requisito principal da propaganda, entretanto, a FMF necessita urgentemente conquistar. É a credibilidade. Que, nesses casos, precisa ser acompanhada de organização, bom senso, profissionalismo, respeito ao “consumidor” (que é o torcedor), praticidade (venda de ingressos, horários e dias condizentes com o lazer), segurança, transporte, manutenção rígida da tabela de jogos em vez de alteração por conta de qualquer “briga de galo”. Todos esses itens fazem parte do trabalho daqueles que precisam colocar o torcedor nos estádios.

Federação e clubes precisam entender que, quem forma opinião, é o profissional da área. E ser profissional significa trabalhar profissionalmente, de forma assalariada e institucional. Propina é coisa de quem não leva nada a sério.

Qual o clube que tem um Assessor de Imprensa, trabalhando como tal e sendo PAGO como tal? Qual clube tem um Departamento de Marketing trabalhando institucionalmente com as empresas e com profissionais da área?

E a Federação? Bem... a Federação não existe! É muito difícil entender e acreditar que algo concebido nas entranhas da Federação consiga sucesso em algum setor de atividade.

Além de não ter Marketing, a Federação não entende ou aceita que ela é a promotora dos eventos e é, também, responsável para gerar condições publicitárias aos clubes participantes, independentemente de que esses clubes tenham ou não marcas dos seus anunciantes estampadas nas camisas. Há quantos anos a Federação não coloca um único centímetro de publicidade num estádio do Maranhão?

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