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SEBASTIÃO NERY

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Data de Publicação: 6 de novembro de 2007
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OS LAMBARIS DE SARNEY

RIO - Jota, neto de Joaquim de Oliveira Neto, chefe politico de São João da Boa Vista, em São Paulo, criava gado e vendia leite. Saiu da fazenda com o economista e fazendeiro Julio Cezar Toledo Piza :

- Vamos passar ali no posto da Nestlé, para eu conferir minhas entregas.

O gerente estava chateado:

- Seu Jota, não estou gostando. Você está pondo água no leite. E não vai continuar. Achei um lambari no seu latão. Um lambarizinho.

- Também, com esses preços que você paga, queria o quê? Queria achar pintado, dourado, curimatá, peixe grande, de primeira?

Continuou fornecendo leite. De quando em quando, um lambarizinho, peixe de segunda.

Agora, piorou muito. Em vez de lambaris, estão pondo soda cáustica.

VEJA

O senador Sarney sempre fez política misturando água no leite, para aumentar sua influência. E lá se iam lambarizinhos de contrabando. Agora, resolveu exagerar. Acha pouco água e lambarizinhos. É soda cáustica mesmo. Nesse final de semana, Sarney eliminou capas e manchetes de duas revistas : “Veja” e “Carta Capital”. Sarney foi flagrado acendendo para ele o programa do governo federal “Luz para Todos”, que devia ser para o país todo. Até a “Veja” (Diego Escosteguy) se escandaliza :

1. - “Luz Para Todos - O PMDB volta à sua mina - Por que o partido quer tanto retomar o comando do ministério de Minas e Energia. O senador Sarney se empenha em indicar afilhado para cargo bilionário... O governo prevê investimentos de 275 bilhões de reais nos próximos três anos, no ministério da Minas e Energia, que é uma mina de ouro, sob qualquer ponto de vista... É a joia da coroa... A Polícia Federal descobriu que existia um consórcio de fraudes operando no ministério. Lobistas, funcionários e empreiteiros agiam para saquear dinheiro público”.

RONDEAU

2. - “Quando Silas Rondeau (ex e já quase novamente ministro de Lula) era presidente da Eletronorte, em 2004, a estatal queria reajustar um antigo contrato de venda de energia à Alcoa, a maior produtora mundial de alumínio.

Diretores da Eletronorte defendiam um reajuste maior, enquanto Rondeau se aliou com uma proposta simpática à Alcoa. No final, sem alarde, venceu a proposta de Rondeau. Logo depois da assinatura do novo contrato, Rondeau foi visto no restaurante Piantella, em Brasília, ao lado dos diretores da Alcoa - tradicionais doadores (sic) de campanha da família Sarney”.

CARTA CAPITAL

1. - “Luz Demais no Maranhão - Coronelismo - Tribunal de Contas analisa denúncias de instalações irregulares na terra de Sarney - O programa é uma mina de verbas federais de R$ 12,7 bilhões, dos quais R$ 800 milhões destinados ao Maranhão. Rondeau, filhote do clã maranhense, foi afastado do governo... Sarney ainda tenta manter o poder no Estado e no setor elétrico”...

LUZ PARA TODOS

2. - “A reabilitação de Rondeau tenderia a se tornar uma vitória pessoal e provavelmente a tábua de salvação do senador Sarney. Isso porque Rondeau tem 54 anos e uma carreira alavancada por um eixo só: a família Sarney. Ainda jovem engenheiro, agregou-se à oligarquia, em 86, quando Sarney era presidente da República e Rondeau foi nomeado chefe do Departamento de Engenharia da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), à época presidida por Fernando Sarney, filho do senador”.

3. - “A Operação Navalha atirou no que viu e atingiu a oligarquia sarneysista... O diretor nacional do Luz Para Todos, o também maranhense José Ribamar Lobato Santana, pediu demissão... Restou ao grupo somente o terceiro elo da trinca maranhense colocada no LPT pelo clã: Luiz Adiel Vieira Neto, atual coordenador do programa no Maranhão... Em matemática estranha, há mais ligações do que usuários”.

Isso aí não é lambarizinho. É soda cáustica pura.

CLODOVIL

E essa história aqui não chega a ser nem um lambarizinho. É só uma piabinha. Numa estranha contribuição à campanha contra o maldito fumo, que mata mais do que Bush, o grande assassino, no Iraque, o deputado Clodovil (PTC-SP), do alto de seu meio milhão de votos e tanto mais inteligente quanto mais excêntrico, quer defumar as armas da República, que, como sabemos, têm dois ramos: um de café e outro de fumo.

Em tempos de glória para a cana, o álcool, o etanol, Clodovil apresentou projeto à Camara substituindo o ramo de fumo por uma palha de cana. Se a moda pega, o Clodovil vai também querer trocar o ramo de café por uma flor de laranjeira. Menos excitante e mais perfumada. www.sebastiaonery.com.br

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