Jogaram pedra na Cruz!
Herbert de Jesus Santos*
(Mataram nosso cão de guarda, e haja banda de reggae gospel! Com urgência, mais Fórum Popular, de Josemar Pinheiro, e Maranhão Cultural, de Joel Jacinto, na Rádio Timbira. Precisamos Amar-te, Maranhão!)
Com muita movimentação, debates e passagens importantes sobre a centenária manifestação folclórica, foi marcado o I Seminário Viva o Boi da Madre de Deus! Não Deixe Passarem Esta Tradição Pra Trás!, ocorrido por todo o dia de sábado, na sede do famoso bumba, na Av. Vitorino Freire. Para uma atenciosa platéia, entre brincantes do cordão secular de matraca e outros comunitários, foram palestrantes o advogado e jornalista Josemar Pinheiro (com o tema Noções de Regras dos Estatutos das Entidades Comunitárias e Culturais: Uma Visão da Formalização das Organizações Sociais); jornalista, professora de Comunicação da UFMA, diretora do Sesc e folclorista, Esther Marques (com Folclore do Bumba-meu-boi e Repercussões Culturais no Boi da Madre de Deus); o poeta aqui, com o tema Boi da Madre de Deus, Ascensão e Queda de Uma Tradição Secular Prestes a Reempinar a Curica com Agora Vai com o Povo!; e as pedagogas Lina Menezes e Ana Sílvia Mota, que falaram sobre Creche Cultural Cantador Marciano Passos, que, com sua implantação, beneficiará crianças carentes com educação dirigida, noções de higiene, lanche, oficinas de confecção de instrumentos de percussão e indumentárias e de prazer em projetar o bumba tradicional pelo tempo afora.

O acontecimento inédito na história do bumba-boi do Maranhão, foi muito elogiado por comunitários, como o popularizado setentão Sabujá, que lembrou os tempos áureos do Boi da Madre de Deus, sendo monteiro da burrinha, a partir de 1963, quando a brincadeira era mantida pela cooperação de moradores e de pessoas de destaque da sociedade, que, amiúde, freqüentavam o bairro cultural, da dimensão dos saudosos escritores Bernardo Almeida e Erasmo Dias, e do vereador Luís Papagaio. Participaram, também, das discussões amistosas em prol da pujança do que foi o batalhão junino mais pesado da Ilha, brincantes quanto Raimundo Penha Santos (Seu Doca), Demóstenes Pereira (Dedé), Raimundo Meireles, Bazílio Amaral (Calça Curta), Leopoldo Santos, Lourival Marques (Seu Ló), Batista Cutia, Ângela Maria Carvalho, Maria do Socorro Silva (Patativa), Benzinho Camarão, Erlito Menezes, Jorge Coutinho, dentre outros brincantes notáveis. Na ocasião, foi lançada a Chapa Poeta Valdelino Cécio (um dos fundadores da Associação do Boi, em 1988, para ajudar na manutenção deste e inesquecível nome de proa da Secretaria da Cultura do Estado). Em pleito nesse domingo, a chapa (única), encabeçada pelo papai aqui, que tem tudo a ver com o peixe, foi eleita com aliança de importantes nomes de boieiros locais e do Anjo da Guarda, no intuito de “levantar” a curica do secular barbatão de matraca.
Digeria esta imaginação na ponta da agulha, quando saí da magia sobressaltado com a anunciação televisiva de que uma banda de reggae jamaicana se achava com um pé em São Luís para uma apresentação. Até aí nada demais! Estamos carecas de assistir aos privilégios do ritmo caribenho em inglês, salpresando a paciência dos mais conscienciosos de que não é gênero de primeira necessidade para a nossa satisfação musical e consolidação da nossa carteira coletiva de identidade. É lá para as negas deles de Kingston e adjacências da América Insular. Fiquei banzando com o noticioso, porque a exibição será em um colégio ludovicense e com a publicidade alvoroçando “A massa regueira evangélica” com aquelas crocodilagens em que os farsantes mais inescrupulosos ludibriaram os ingênuos com “o negro maranhense é descendente de jamaicanos”, que “A Jamaica fica na África”, e só eu levantei a voz, em São Luís, na exigência de que respeitassem a Mãe dos nossos ancestrais.
Assanharam essa coisa nas ouças da Associação de Músicos Maranhenses (Amarte), que aqui e ali reúne os nossos talentosos do setor, com exceção de oferecer mais consistência de ascensão da nossa produção melodiosa da gema para a massificação na mídia eletrônica. Em compensação, conferimos nos dedos, recentemente, o comunicador Joel Jacinto, com inauguração, na Rádio Timbira, do seu programa Maranhão Cultural, em que a alma maranhense tem assunção todos os sábados, das 13 às 16 horas. Na Taba Timbira, a seguir, a audição é para o advogado e jornalista Josemar Pinheiro, nas ondas sonoras do Fórum Popular, onde, para não perder a viagem, toca o coração da nossa gente com toadas, inclusive do bumba-meu-boi. Ficamos assim, além dos supracitados: Herbert Pereira e J. Kerly (Educadora), Zé Raimundo Rodrigues (Maranhão TV), e os exclusivos diários: Santo de Casa (da Rádio Universidade, com Giza Franco) e Show da Capital (Rádio Capital, com Helena Leite). Permanecemos com uma defasagem na defesa das nossas composições genuínas, sem audaciosos para fazer acontecer a Lei de 1997, do ex-vereador Antônio José Manga, que autorizava 40% de música popular maranhense nas programações diuturnas das radioemissoras. Ninguém foi a suficiência em pessoa para peitar os todo-poderosos da comunicação indígena. Eu, quando menos, com parceiros de bumba-bois, concentrados na ABMI (Associação de Bois de Matraca da Ilha), que gerenciava, em regime de comodato com o Estado, o Parque Folclórico da Vila Palmeira, fui à Câmara Municipal, presidida pelo vereador Chico Carvalho, mas foi só malhar em ferro frio. Não passamos do gabinete do parlamentar entusiasta da Escola de Samba Unidos de Fátima. Estamos sendo massacrado com o reggae em inglês em todas as estações, e a “axé music” baiana (sem pé nem cabeça). Só mesmo o “fut” duvidava que surgiria aqui reggae para a massa evangélica. Agora, vamos todos para o céu! Essa turma já conseguiu vender até Jinglle Bell (a mais famosa canção de Natal) como “pedra de responsa”, algo que não sugere nada na tradução portuguesa. Vender Cristo, do jeito que todos carecem de salvação, seria café pequeno.
Fecho a contabilização aqui com que “Um País se faz com homens e livros”!, em consonância com o escritor patriota Monteiro Lobato. Talvez nem precisamos da Amarte, com esta vagareza toda para a defesa dos nossos pássaros maviosos, porém, antes de tudo, Amar-te de verdade, Maranhão! Já temos até massa regueira evangélica, Meu Jesus! Jogaram pedra na Cruz!
(*)Jornalista, poeta e do IHGM