POESIA
Editor - Paulo Melo Sousa
Ano II - nº 99
Contato: paulomelosouza@ig.com.br
Manoel de Barros nasceu em Cuiabá – MT, a 19 de dezembro de 1916. Dentre inúmeros livros publicados, estão “Poemas Concebidos sem Pecado” (1937), “Gramática Expositiva do Chão” (1966), “Livro de Pré-Coisas” (1985), “O Guardador de Águas” (1989), “O Livro das Ignorãças”(1993)e “Poemas Rupestres”(2004). Além de poeta, é fazendeiro e advogado. Dono de uma poesia de rara dicção estética, promove um estimulante criançamento das palavras,o que confere ao seu texto o tempero do inesperado. Mora atualmente em Campo Grande – MS, sendo considerado um dos maiores poetas brasileiros vivos.
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá
onde a criança diz: Eu escuto a cor dos
passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz
de fazer nascimentos –
O verbo tem que pegar delírio.
Um girassol se apropriou de Deus: foi em
Van Gogh.