Belém - Na semana da denúncia sobre o caso da jovem que ficou presa numa cela com homens por cerca de um mês no Pará, outro episódio semelhante de violação aos direitos humanos foi registrado no Estado. Uma jovem de 23 anos passou 45 dias detida com homens em Parauapebas (836 km de Belém).
Enailde Brito Santos foi transferida ontem para o Centro de Recuperação Agrícola Mariano Antunes, em Marabá (568 km de Belém), após pedido feito pelo delegado André Luiz Albuquerque. Em ofício a uma superintendência regional da Polícia Civil paraense, enviado no último dia 19, Albuquerque afirmou que a detenta dividia uma das celas da delegacia, sem especificar com quantos homens. Dizia apenas que havia outros 63 presos no local. Também afirmava que o Ministério Público sabia da situação pois visitava a carceragem periodicamente.
O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Parauapebas e região, Jakson de Souza e Silva, disse que Enailde dividia uma das três celas da delegacia com 10 presos. Cada cela tem cerca de 12 metros quadrados, de acordo com ele. Souza e Silva afirmou ainda não saber se Enailde sofreu algum tipo de violência na carceragem.
Ela foi presa em 8 de outubro e indiciada sob suspeita de porte ilegal de arma e formação de quadrilha. De acordo com o inquérito, ela, o namorado e outras seis pessoas foram presas após terem assaltado uma funcionária que levava o malote de dinheiro de uma empresa. Em depoimento, ela negou participação no crime. A mãe de Enailde, Luzia Brito, ia com regularidade de Jacundá, onde mora, a Parauapebas para visitar a filha. Segundo uma amiga da família, que não quis se identificar, a mãe confirmou que Enailde dividia a cela com outros homens.
Outro lado - O delegado-geral interino do Pará, Justiniano Alves Júnior, negou que Enailde tenha estado presa na mesma cela com outros homens. Segundo ele, a detenta dividiu a cela apenas com o namorado, que também estava detido, e somente durante as visitas íntimas.
Nos demais momentos, ela era mantida numa cela isolada dos outros presos. “Se perguntar se tinha uma cela adequada para mulher, a resposta é não. Mas ela estava separada numa cela”, disse.