O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se esquivou ontem de sair em defesa do senador tucano Eduardo Azeredo (PSDB-MG), denunciado pelo Ministério Público Federal pelo suposto envolvimento com o mensalão tucano —esquema de desvio de recursos da campanha eleitoral de 1998. FHC afirmou que “tem culpa no cartório tem de pagar”.
“Temos de ver os dados. Se ele [Azeredo] tiver culpa, o que vamos fazer? Que cada um assuma suas responsabilidades”, afirmou o ex-presidente da República, na chegada ao congresso tucano. Ele participa do congresso nacional do PSDB, em Brasília.
Ao comparar o “mensalão petista” com o tucano, FHC afirmou que há diferenças entre as duas situações. Utilizando a mesma expressão —mensalão— para ambos os casos, ele fez a distinção entre as acusações. “Mensalão é a corrupção das instituições. Já o ‘mensalão mineiro’ é verba para financiamento de campanha, o que também é errado. Mas são duas coisas diferentes”, disse o ex-presidente.
Diferentemente de FHC, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Netto (AM), defendeu Azeredo. “Acreditamos que ele vai se defender e mostrar sua razão. Temos confiança que há elementos para ele [Azeredo] se defender”, disse o senador.
Virgílio evitou associar a data escolhida pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, para o oferecimento da denúncia com a realização do congresso do PSDB. Ele disse confiar na isenção de Souza.
“Ele [o procurador-geral] acerta e erra de boa fé. Ele [Souza] não tem interesse de mostrar nada para ninguém”, disse Virgílio.
Fonte: Folha Online