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Editorial
O estadista dos complôs

O estadista dos complôs

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Data de Publicação: 23 de novembro de 2007
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Quixotescos discursos, capazes de comover apenas os rocinantes, assanharam a Assembléia Legislativa com alguns parlamentares querendo ver em Sarney a figura de um estadista.

Estadista seria um homem de Estado, pessoa que revela grande tirocínio, grande habilidade e discernimento no que diz respeito às questões políticas, à administração do Estado.

Não vemos onde encontrar em Sarney o grande estadista, a não ser o estadista perigoso a controlar apenas os aspectos estratégicos que o mantenham no poder, aquele que se compraz em eliminar velhos amigos e manter velhos inimigos apenas para evitar que lhe surjam novos oponentes.

A consistência fundamental da política sarneisista está em atingir seus objetivos a qualquer custo, utilizando-se dos métodos mais censuráveis. Pode-se talvez imputar a ele a brutalidade de Bismarck resolvendo diferenças com o poder católico na Alemanha, a brutalidade moral, inclusive com que usa o lacaiato para escarafunchar impunemente vidas privadas. Não há estadismo em lançar anátemas contra autoridades e todos aqueles que se recusam a reconhecê-lo como infalível. Não foi, afinal de contas, o estadismo de Sarney que deu origem à CPI da Corrupção no Congresso Nacional?

Ele é, isto sim, o homem dos grandes complôs, capaz de incitar a desobediência civil para se vingar dos opositores que legitimamente o derrotaram nas urnas. Não pode ser considerado estadista quem é hostil aos ideais democráticos a ponto de forjar alianças com o militarismo; quem, na Presidência da República, atribuiu tarefas de Estado a indivíduos incompetentes e parentes corruptos. Não é comum que verdadeiros estadistas andem de braços com ditadores; estadistas não trabalham para que seu povo viva no limite da pobreza e da miséria.

A Mídia sem Máscaras assinala que o que caracteriza um verdadeiro estadista não são seus escrúpulos, mas suas ações. Só desse ponto de vista Sarney pode ser encarado como um “Homem de Estado”.

Ortega y Gassete, o filósofo espanhol, em sua análise sobre Mirabeau, figura de extrema relevância política, denomina as virtudes da pulsilanimidade em “estadistas” que não passam de megalomaníacos de infância perturbada e incontrolável sede de poder.

Não venham, portanto, classificar de estadista o Sarney da extorsão fiscal, do endividamento explosivo e da inflação estratoférica que para ganhar um ano a mais na Presidência da República, onde não fez nada pelo Maranhão, acionou a bomba relógio dos gastos públicos e distribuiu concessões de Rádio e TV como farinha de puba em feira de mangalho.

É pura mistificação falar do “trabalho que Sarney fez pelo Maranhão” e de ações para promover o desenvolvimento do Estado. “Delírios e sandices ásmicas, na verdade, é querer erigir uma estátua de grande homem para um político em que as melhores cabeças dessa Nação reconhece uma encarnação do mal.

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