O mapa mental da violência tem muito a ver com o que é transmitido pela mídia, diz o sociólogo Júlio Jacobo Wauselfisz. Sarney sabe disso e nós vamos mostrar que institutos de pesquisa podem ser usados, jornais e TVs podem ser chantageados, comprados e manipulados apenas para que a corja sarneisista mantenha a ilusão de que ainda tem poder para tentar derrubar um secretário de Estado. E no Governo Jackson Lago!
Levantamentos de acordo com seus interesses, números sutilmente elaborados, de tudo se utilizam como se nós outros não soubéssemos que pesquisa é uma coisa, indução é outra bem diferente. Aliás, todo o Maranhão lembra o que institutos de pesquisa, até conceituados, como o Ibope, foram induzidos a fazer nas eleições de 2006, quando afirmaram com todas as letras que Roseana já estava eleita governadora do Maranhão no primeiro turno.
Agora, os Sarney mandam perguntar: “Com relação ao passado, como é que você se sente hoje”? Por passado, leia-se Governo Roseana Sarney, que não está identificado na pergunta. E aparecem 87,4% respondendo: “Tenho medo”. Mas o passado do Governo Roseana é o passado das desovas semanais, dos grupos de extermínio, das crianças emasculadas, das confissões obtidas sob tortura, das queimas de arquivo, dos assaltos diários a bancos, do crime organizado, da pistolagem e das rebeliões com cabeças de preso decepadas. Este sim, é o passado do medo.
Embora ninguém mais creia no que sai escrito no jornal O Estado do Maranhão, vamos em frente. A pesquisa diz que 58,5% saem menos de casa. Mas, segundo os olhos dos Sarney mesmo, uma multidão considerável participou do Marafolia. Só que desta vez, por interferência da Secretaria de Segurança Cidadã, não foi possível consumir tanta droga de braços dados com os organizadores e não mataram ninguém.
E eles mandam perguntar: Como você se sente nas ruas de São Luís? A pergunta sarneisista é capciosa e 76,5%, segundo eles, dizem que se sentem inseguros. A resposta seria a mesma sobre quaisquer ruas de qualquer capital do país. Ninguém responderia diferente.
“Você já foi vítima de algum tipo de violência”, eles indagam. No Maranhão todo mundo foi, inclusive as violências estatal, estrutural e cultural, militar, política, étnica e de gênero do sarneisismo. Estudos estatísticos de 2007 indicam que 10% dos municípios brasileiros, o equivalente a 556 cidades, concentram 72% de todos os homicídios que acontecem no país. E mais: a história do homicídio no Brasil é a história do extermínio da juventude. Mas São Luís não está entre estes municípios e eles sabem disso.
A matéria que dá sustentação à pesquisa afirma que de cada 100 maranhenses 87 dizem que hoje têm mais medo do que tempos atrás. Quem quer que tenha mais de 50 anos no Maranhão viveu um tempo de relativa tranqüilidade com relação à violência urbana. Mas Sarney ainda não havia dominado o Maranhão e instalado a miséria catatônica e quase irreversível.
O especialista Jorge Brovetto ensina que políticas econômicas e sociais capazes de colocar em risco a saúde, a educação, o emprego de amplos setores da população são também formas de violência e geradoras de violência. Parabéns, doutora Roseana.
A pior de todas. Na edição de ontem, um editorial de “O Estado”, apinhado de barbarismos, informa que 98,1% das crianças da 1ª à 4ª séries têm medo de sair de casa. Eles mandaram entrevistar crianças da 1ª série (entre 6 e 7 anos de idade! ), todas com discernimento para dar respostas a aferições científicas, e mais de 98% delas responderam que estão com medo de fugas e rebeliões nas cadeias, invasões, seqüestros relâmpagos, assaltos... Pelo amor de Deus!
Uma coisa é certa. Só o desenvolvimento não alcançado em 40 anos de sarneisismo pode amainar a violência no Estado. E o que a Secretária de Segurança Cidadã, Eurídice Vidigal, busca é a paz positiva de que falava Galtung. Esta traduzida pela justiça social, a harmonia, a satisfação das necessidades básicas, a autonomia, o diálogo, a solidariedade, a integração e a igualdade. Coisas que para eles são do outro mundo.
Quanto aos institutos de pesquisas contratados, se ainda querem manter alguma nesga de credibilidade no Maranhão, devem deixar de ouvir “O Estado” e todo o Sistema Mirante. Ninguém mais acredita no que eles dizem.