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30 de outubro de 2007
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José Reinaldo

Estive várias vezes com a ministra Dilma Roussef quando era governador. Ela foi Ministra das Minas e Energia e depois foi para a Casa Civil, onde está até hoje.

O Maranhão tem uma agenda grande com o Ministério de Minas e Energia e ela sempre me recebia. A questão da energia é muito importante para a atração de grandes empresas e o gás é hoje fundamental para baixar custos e criar condições de competitividade no mundo cada vez mais globalizado. Na década de 90 houve a expansão do gás em todo o Brasil com a construção dos gasodutos em todas as regiões. Nossos vizinhos do Nordeste viram isso com clareza e lutaram para ser atendidos. O Maranhão era governado por Roseana Sarney, que ficou na janela vendo a banda passar e mais uma vez o Maranhão ficou de fora. Nós e o Piauí. O gasoduto do nordeste atendeu todos os estados e foi só até o Ceará.

Quando assumi, criei a Gasmar, nossa companhia de gás, e fui à luta junto com o governador do Piauí. Avançamos muito, pois fizemos o projeto, tivemos a licença ambiental, mas com a saída da ministra tudo parou, pois agora a alegação é de que não tem gás suficiente e temos que esperar a duplicação do gasoduto que liga a bacia de Santos a Bahia, que vai resolver esse problema.

Mas havia também o problema da energia rural, fundamental para o desenvolvimento do interior do Maranhão, e o Maranhão também nisso era o estado com o menor atendimento de energia na área rural do país. Causa da nossa pobreza e do atraso sócio e econômico do Maranhão. A situação era tão terrível que ainda em 2002, logo que assumi, investimos R$ 22 milhões em energia rural.

A ministra Dilma me falou que estava formulando um projeto para resolver esse problema em todo o país e sempre que ia lá ela me mostrava a evolução e foi com muita esperança que participamos do lançamento do programa no Palácio do Planalto com o presidente Lula e quase todos os Governadores.

O lançamento chamou a atenção dos políticos predadores que trataram logo de se apoderar do programa fazendo o de sempre, ou seja, nomeando toda a cúpula que iria comandar o programa desde o ministro até o coordenador nacional e o regional. No Maranhão, como todos sabem, o grupo da oligarquia é “especialista” no setor elétrico e nomeia os dirigentes do setor há muitos anos e sempre teve grandes negócios e interesses vitais no setor. Assim não respeitaram a estrutura democrática, que a agora ex-ministra tinha preparado, e a nossa maioria no conselho nunca foi ouvida nem levada em consideração e mais uma vez um programa que tinha sido concebido para melhorar a vida do povo foi apropriado pela velha política para enriquecer. Daí para frente o programa foi todo desvirtuado e aconteceram varias tentativas de manipulação e as denúncias choviam. O Sindicato dos Urbanitários, de quem os servidores da Cemar são filiados, estava acompanhando tudo. O advogado do Sindicato, um jovem e competente advogado, o Dr. Guilherme Zagalo, com muita inteligência juntou os dados oficiais do programa na Aneel e na própria concessionária, que são totalmente discrepantes e com fortes indícios de manipulação, juntou outros dados obtidos com inspeções no interior e fez a denúncia ao Tribunal de Contas da União. Dada a gravidade das denúncias o Tribunal abriu uma investigação.

Denunciamos muitas vezes às autoridades federais o que estava acontecendo aqui. Algumas dessas vezes estava acompanhado dos deputados federais do estado. Mas a estrutura de poder que tinham abafava tudo e as investigações não vingavam.

No final de semana, a revista Carta Capital, de circulação nacional, trouxe uma matéria com chamada de capa que era “ Sarney- denúncias de manipulação do programa Luz Para Todos” . É a barragem do “abafa-tudo” que começa a se romper e está fazendo água. Uma investigação séria vai mostrar tudo.

Está difícil de segurar.

E como o senador vai conseguir se livrar do processo de cassação do seu mandato de Senador pelo Amapá? É o feitiço contra o feiticeiro. Só está tendo de volta o que sempre fez.

Viva o dia 29 de outubro!

O ex-governador José Reinaldo Tavares escreve para o Jornal Pequeno às terças-feiras.

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