Objetos de ancestrais foram encontrados em Santo Inácio
O Maranhão é hoje o estado brasileiro que concentra o maior número de remanescentes de quilombos no Brasil – são 642 comunidades quilombolas, das quais mais da metade se concentra no litoral e na Baixada Maranhense. Em Pedro do Rosário, há 32 áreas quilombolas, mas só oito são reconhecidas pelo governo federal.

O mais recente reconhecimento de terras quilombolas no Maranhão aconteceu em julho deste ano. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) considerou Árvores Verdes e Estreito, no município de Brejo, como territórios remanescentes de quilombos.
Para a Associação de Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Maranhão (Aconeruq), o reconhecimento por parte do governo federal é um passo importante para que fazendeiros ou grileiros não avancem nas áreas quilombolas.
De acordo com Henoc Matos, a idéia de obter o reconhecimento de Santo Inácio como área quilombola nasceu quando a população local começou a achar na mata, no início dos anos 2000, alguns objetos – tachos, pedaços de ferro, engrenagens de engenho –, os quais, descobriu-se posteriormente, eram da época da escravidão.
Criada a Associação Comunitária Quilombola de Santo Inácio, tendo Henoc como presidente, esta filiou-se à Aconeruq. Foi feito o pedido de vistoria da área ao Instituto de Terras do Maranhão (Iterma), de acordo com o decreto 4887, de 2003, e o artigo 68 da Constituição Federal, e rapidamente as terras foram demarcadas, vistoriadas e tituladas. Santo Inácio tem uma área de 1.393 hectares, onde vivem 564 pessoas.

