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Fazendeiros querem terra apenas para criar gado
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Fazendeiros querem terra apenas para criar gado

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Data de Publicação: 28 de outubro de 2007
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PARAÍSO DOS LATIFÚNDIOS

E alguns deles, quando resolvem cultivar alguma coisa, plantam maconha...

O que mais me impressionou enquanto percorria de carro uma estradinha de terra que leva ao povoado Mucuripe (na divisa de Pedro do Rosário com três municípios: Araguanã, Nova Olinda e Santa Helena) foi a paisagem monótona que se vê quase o tempo todo pela janela, na forma de longas extensões de terras não cultivadas, nas quais, de vez em quando, desponta um rebanho de gado ou caprinos.

Lavrador de Pedro do Rosário: sofrimento de sol a sol

O grande latifúndio, sem dúvida, achou seu paraíso no município. Um punhado de fazendeiros – a maioria, gente de fora da cidade, como Raimundo Antonio (de Viana) e Marcos Baiano (de Zé Doca) – tem a posse de milhares de hectares de terra.

Enquanto isso, pequenos lavradores pelejam de sol a sol, tendo de caminhar vários quilômetros até chegar aos seus roçados minúsculos de mandioca, milho, feijão, para obterem apenas o alimento suficiente para que eles próprios e suas famílias sobrevivam mais uma safra.

No caminho para Mucuripe, cruzei com as duas faces dessa realidade social perversa: dois lavradores a pé conduzindo mulas carregadas de mandioca e vários caminhões boiadeiros, que passaram por nós em alta velocidade, deixando uma nuvem de poeira.

Os caminhões vinham das grandes fazendas da região e transportavam gado de um lugar a outro, em busca de água. É que os poucos açudes do lugar não dão conta de matar a sede de tanto boi, vaca, cabra, e nessa época do ano já estão quase todos secos.

De qualquer forma, para o gado sempre haverá água em algum lugar. O mesmo não se pode dizer dos seres humanos que vivem nos povoados afastados de Pedro do Rosário, como Fala Só, Roque, Caxias etc.

Cultivo de maconha – Mas nem todos os fazendeiros de Pedro do Rosário pensam só em criar gado. A Polícia Federal investiga a ação de grupos de traficantes que, desde o início do ano, estariam se deslocando para o município, vindos de Maracaçumé, São João do Caru, Zé Doca e região do Gurupi, para cultivar maconha em áreas de difícil acesso de Pedro do Rosário.

Em junho do ano passado, uma fazenda do município, denominada Sítio Corrêa, chegou a ser desapropriada – numa decisão inédita da Justiça Federal, no Maranhão – porque a Polícia Federal encontrou e queimou na propriedade 2 mil pés de maconha.

Por ocasião da operação realizada pela PF, além de armas de fogo e equipamentos utilizados no plantio da maconha, foram apreendidos 14 pacotes em forma de tabletes, contendo maconha prensada (14 quilos); seis sacos de náilon cheios de maconha seca (mais de 53 quilos), além de grande quantidade de sementes para novo plantio.

O juiz federal José Carlos do Vale Madeira, autor da desapropriação, informou que essa foi a primeira ação proposta no estado do Maranhão com esse objetivo.

Em Pernambuco, ante a existência do chamado “Polígono da Maconha” (formado pelas cidades de Serra Talhada, Salgueiro, Cabrobó, Floresta, Orocó, Belém do São Francisco, Ibimirim, Camaubeira da Penha, Santa Maria da Boa Vista e Lagoa Grande), diversas ações já foram julgadas com a desapropriação da área em que foi localizado o plantio.

Em sua decisão, o juiz Madeira determinou a imediata posse do imóvel por parte da União, colocando-o à disposição do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para assentamento fundiário.

(Oswaldo Viviani)

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