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Data de Publicação: 28 de outubro de 2007
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PEDRO DO ROSÁRIO

Isolamento econômico e elite sarneisista corrupta travam o desenvolvimento do município

Emancipada há quase 13 anos, a cidade de Pedro do Rosário (a 465 km de São Luís) ainda não deslanchou nem política nem socialmente. Assim como vários outros municípios da Baixada Maranhense, a cidade sofre com o isolamento econômico (conseqüência mais grave da precariedade das estradas de acesso), além de ter seu desenvolvimento travado por uma elite política rural sarneisista, que se apoderou da estrutura administrativa do município desde seus primeiros dias e deixou um rastro de miséria e de contas rejeitadas pelo TCE.

De acordo com o Tribunal de Contas do Estado, Maria do Rosário Serrão Martins, a “poderosa chefona” política local, ex-mulher do homem que deu nome à cidade e duas vezes prefeita de Pedro do Rosário (1997-2000 e 2001-2004), teve desaprovadas suas contas de 1997, 1999, 2000, 2003 e 2004. Resumindo, dos oito anos em que Maria do Rosário esteve à frente da administração municipal, em apenas três o TCE não constatou irregularidades em suas prestações de contas.

Assim, não é de se estranhar que hoje – apesar de contar com uma gestão que por enquanto não teve problemas com a contabilidade do dinheiro público – Pedro do Rosário apareça como a cidade mais pobre da Baixada, com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,537 e Índice de Exclusão Social (IES) de 62% (mais de 13 mil pessoas).

Nos dias em que esteve na cidade, a reportagem do JP Realidade Maranhense viu um município em que poucos têm muito e muitos não possuem quase nada.

Tanto um grupo social como o outro são fáceis de identificar. É só atentar para suas casas. Os abastados – grandes proprietários de terras, políticos, comerciantes e empresários – se abrigam em mansões e casarões imponentes.

O quilombola Brasiliano, 94: no teto do casebre, ele guarda o caixão dentro do qual quer ser sepultado

Muitos deles, sem nenhum constrangimento, constroem seus imóveis chiques em meio aos casebres de taipa, nos quais vive a maioria da população do município. Pelo menos nesses casos, os pobres – graças aos vizinhos endinheirados – têm garantidos os serviços básicos, como abastecimento de água e fornecimento de energia elétrica.

O mesmo não acontece com quem vive em bairros carentes da cidade – como o da Rocinha, por exemplo – ou nos povoados mais distantes (Comunidade Quilombola de Santo Inácio, Barro, Caxias, Jandiá, Mucuripe, para citar apenas alguns). Nesses lugares falta tudo, mas principalmente água.

O próprio prefeito Adaílton Martins admite que “mais de 100 povoados de Pedro do Rosário não contam com água encanada”. Segundo ele, nunca sobra dinheiro para construir poços artesianos. “Um poço artesiano não custa menos de R$ 100 mil. O Fundo de Participação dos Municípios é fatiado para Educação, Saúde, iluminação pública, transporte, além da folha de pagamento da Prefeitura, que é de R$ 500 mil, por aí”, explica o prefeito.

Justificativas à parte, o fato é que Pedro do Rosário - onde Jackson Lago venceu Roseana Sarney com mais de 66% dos votos - precisa entrar urgentemente no rol de prioridades do governo estadual.

Além de parcerias para resolver problemas graves de infra-estrutura, como abastecimento de água, fornecimento de energia elétrica, saneamento básico e pavimentação de estradas, o município carece de programas de geração de renda.

O surgimento de novas lideranças políticas - mais éticas e zelosas em relação às contas públicas do que as que, mesmo morando fora da cidade, insistem em manter o município sob suas rédeas - também é condição indispensável para se acabar com as disparidades sociais que fizeram de Pedro do Rosário um destaque no ranking maranhense da miséria.

Raio-x do Município

Pedro do Rosário é município desde 10 de novembro de 1994. O antigo povoado (de mesmo nome) foi desmembrado de Pinheiro.

O prefeito da cidade é Adaílton Martins (PSDB). A Câmara Municipal tem 9 vereadores.

A população do município é de 21.708 habitantes (Censo 2007).

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Pedro do Rosário é 0,537 (34ª cidade mais pobre do estado e 1ª mais carente da Baixada Maranhense), segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Em 2006, segundo estudo do professor José Lemos, da Universidade Federal do Ceará (UFC), o Índice de Exclusão Social (IES) de Pedro do Rosário era de 62% (mais de 13.400 pessoas).

A renda per capita do município é de R$ 44; a expectativa de vida ao nascer é de 60 anos.

A taxa de analfabetismo (maiores de 15 anos) de Pedro do Rosário é de 40%.

Cobertura da rede abastecimento de água (área urbana): 18%; esgotamento sanitário (área urbana): 1%; coleta regular de lixo (área urbana): 14%.

A taxa de mortalidade infantil de Pedro do Rosário é de 21 crianças mortas em cada mil nascidas vivas (taxa considerada mediana).

O risco nutricional em crianças de 6 meses a 6 anos é de 23,5 (considerado mediano; no Brasil é de 13,8 e no Maranhão, 16,16). O risco nutricional é calculado avaliando-se o índice de massa corpórea (IMC), o percentual de perda de peso recente e a ingestão dietética recente.

Não há emprego formal na cidade (com registro em carteira, excetuando-se o funcionalismo público).

A Prefeitura de Pedro do Rosário recebeu este ano (até agosto), do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), R$ 4.371.641,64. Do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), chegaram aos cofres da Prefeitura (até agosto), R$ 4.491.367,28. Do Fundef: R$ 175.214,86 (janeiro).

Fontes: Pnud; IBGE; Tesouro Nacional

HISTÓRIA

Comerciante não viu povoado com seu nome virar município

O homem que deu nome à cidade de Pedro do Rosário chamava-se Pedro Cunha Mendes. Nascido em Penalva (a 249 km de São Luís), em 10 de outubro de 1939, Pedro Cunha dava os primeiros passos no mundo das transações comerciais quando conheceu Maria do Rosário Serrão.

O encontro dos dois foi no povoado Capim (região de Pinheiro), onde a família de Maria vivia e onde Pedro e Maria casaram-se em 1958. Maria do Rosário passou a usar o sobrenome de Pedro (Mendes), mas foi o nome dela que fez a fama do marido.

Estabelecido no povoado Bandeirante – vizinho a Capim –, o comerciante Pedro Cunha logo virou “Pedro da Maria do Rosário”, e depois, para descomplicar, “Pedro do Rosário”.

O nome do povoado Bandeirante tampouco sobreviveu à criatividade da gente simples do campo quando se trata de simplificar as coisas: num repente, se transformou em Pedro do Rosário.

Um monumento a Pedro do Rosário (destaque) foi erguido na rua principal da cidade

É que dizer “Vou lá pro Pedro do Rosário” ficou bem mais compreensível por todo mundo da região do que falar “Vou para o povoado Bandeirante”, frase que necessitava sempre de uma explicação complementar.

Virar nome de povoado em vida – e com menos de 35 anos – é honra para poucos. No entanto, por infelicidade, Pedro do Rosário não viu o lugar que levava seu nome se transformar em cidade. Ele morreu de derrame em 26 de novembro de 1973. Tinha apenas 34 anos.

Tampouco Pedro viu a mulher, Maria do Rosário Serrão, com quem foi casado por 15 anos, se eleger a primeira prefeita da cidade, em 1996.

Nesse ano, Maria já adotava o sobrenome Martins, de seu atual marido, Antonio João, pastor evangélico e próspero empresário de Zé Doca, cidade onde o casal mora atualmente.

Para lembrar Pedro Cunha Mendes (o “Pedro do Rosário”), um monumento – estátua do comerciante a cavalo, ladeada por quatro enormes leões – foi inaugurado na rua principal da cidade no final de julho, durante a visita do governador Jackson Lago ao município. A uns 50 metros da estátua, fica o hotel de Expedito Cunha Mendes, o “Lobé”, de 66 anos, irmão de Pedro e vice-prefeito da cidade.

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