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cidadesPirataria fecha lojas de CDs na capital

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14 de outubro de 2007
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Por Aurelio Carvalho

Muitos empresários já trocaram de ramo e os que ainda resistem, garantem que se a pirataria continuar como está, não há outra saída, a não ser fechar

A polêmica com a divulgação do filme ‘Tropa de Elite’, antes mesmo do lançamento, trouxe à tona um problema antigo, mas ainda sem solução: a pirataria. O diretor do longa-metragem, José Padilha, que retrata o cotidiano do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro ficou indignado com o ocorrido, já que, por causa da pirataria, o filme perdeu dinheiro e teve as vendas das fitas originais reduzidas.

Em São Luís, a mesma situação vem ocorrendo há anos, com o agravante de que os comerciantes não têm o mesmo aparato econômico que o diretor de ‘Tropa de Elite’. Aqui, a situação é outra: quem não consegue concorrer com as vendas piratas, está sendo obrigado a fechar lojas ou mudar de ramo. A Music Play, CD Mania, Tok Discos e Play Som são alguns desses exemplos.

Music Play – A Music Play já estava há 11 anos no mercado, com cinco lojas abertas (rua Grande, rua do Passeio, Tropical Shopping, São Luís Shopping e João Paulo). Há dois meses, todos os pontos fecharam e o proprietário resolveu transformar o prédio da rua Grande em uma loja de roupas, com o nome Play Modas.

De acordo com o gerente Flávio Augusto, o problema com a pirataria se agravou quando se tornou impossível competir com os produtos de má qualidade, mas que tinham preços baixos. “Fazíamos promoções de CDs, colocando os preços quase tão baixos quanto os piratas, mas não teve jeito. As gravadoras também são culpadas, pois nos repassam a mercadoria a preços altos, nos dando poucas chances de oferta”, disse Flávio.

O gerente contou ao Jornal Pequeno que nas cinco lojas trabalhavam cerca de 45 funcionários. Hoje, a Play Modas está há dois meses no mercado, com menos de 30 empregados. “Não dava para manter todo mundo trabalhando aqui. Só o aluguel desse ponto custa R$ 10.000. Então, tínhamos que reduzir custos, para poder termos lucro – o que vem acontecendo de maneira gradativa”, explicou Flávio Augusto.

CD Mania – O grupo CD Mania também atuava com cinco lojas na capital (rua de Santana, São Cristóvão, Cidade Operária, João Paulo e Cohab). Uma faliu (João Paulo), duas continuam comercializando apenas CDs (Cidade Operária e Cohab), outra resolveu investir em CDs e materiais de informática (São Cristóvão), e a da rua de Santana preferiu ficar só com a comercialização de materiais de informática. “Estávamos há três anos no mercado, mas há um ano e meio a pirataria cresceu muito em São Luís, e fomos obrigados a mudar de ramo. Resolvemos investir no comércio de informática porque é a onda do momento. Trata-se de um mercado em ascensão e que vem dando melhores resultados que os CDs de música. Tanto que as lojas que continuam vendendo apenas CDs, só funcionam porque mudaram de dono. Todos os outros ex-proprietários não quiseram arriscar”, revelou Everaldo Jorge Carvalho, antigo gerente da CD Mania e atual vendedor da CD Mania Informática, da rua de Santana.

Fotos:GILSON TEIXEIRA
Music Play virou Play Modas por não agüentar a ‘pressão’ da pirataria

Pirataria fez a CD Mania mudar para o ramo da informática

Venda de CDs e DVDs piratas avança a cada dia em São Luís, sem limites

Tok Discos – A Tok Discos é uma das poucas que está resistindo à pirataria, apesar de já ter fechado duas lojas. “Antes funcionávamos no São Luís Shopping, rua Grande e Colonial Shopping. Hoje só estamos com a loja do Colonial aberta. Graças a Deus já mantemos esse ponto há oito anos, e temos um público fiel. Agora, claro que a pirataria nos preocupa. Temos um custo muito alto e precisamos matar um leão por dia para ter lucros. Pago R$ 8.600 de aluguel no ponto do Colonial e tenho seis funcionários na folha de pagamento. Então, não posso vender meus CDs com preço tão barato quanto os piratas. Foi então que resolvi investir no nosso atendimento de qualidade e nas informações que passamos aos clientes sobre os prejuízos que a pirataria traz”, disse a gerente Márcia Amaral.

Apesar do bom desempenho da Tok Discos no Colonial, a gerente informou que o dono da matriz, que fica em Macapá, já fechou 32, das 38 Tok Discos que existiam no Norte/Nordeste. “Soube que ele pensa em mudar para o ramo da agropecuária. Se ele resolver fazer isso, nós, aqui, no Maranhão, também temos que fechar a loja do shopping. Caso isso aconteça, é partir para outra coisa, que ainda não pensei o que seria”, preocupa-se Márcia Amaral.

Outra que desistiu foi a Play Som. Considerada a maior loja de CDs e DVDs do São Luís Shopping e uma das maiores da capital, hoje só funciona com um ponto no Tropical Shopping – a única que ainda existe no local.

Combate – De acordo com o promotor do Consumidor, Carlos Augusto da Silva Oliveira, já está sendo desenvolvido um plano de ação para combater a pirataria na capital. Ele acredita que há falhas na fiscalização de quem comercializa produtos piratas e que, inclusive, nesse plano de ação, haverá uma cláusula que pune aqueles órgãos que não exercerem seu papel no combate a crimes dessa natureza. “Por enquanto, o que pedimos é que a população não adquira esses produtos, pois quem for pego comprando CD pirata, também é criminoso e será punido”, alertou o promotor.

Para o delegado Paulo André Albuquerque de Sousa, chefe da Delegacia Fazendária (Delefaz), da Polícia Federal, para combater os crimes de pirataria, a polícia precisa atuar de forma cirúrgica, mapeando as distribuições dos produtos em todo o estado, com o objetivo de atingir a raiz do problema. “Não podemos ter uma atitude precipitada. Temos que ter cautela e agir somente quando sentirmos que o ambiente está seguro. Quando tivermos esse raio-x, nos juntaremos com outras forças policiais, e agiremos. Só assim é que faremos esse problema ‘involuir’”, explicou o delegado.

Foto:DIVULGAÇÃO
Everaldo Jorge passou de gerentepara vendedor da CD Mania, Tropa de Elite: pirateado antes de chegar aos cinemas

Camelôs – Paulo André disse ainda, que no caso dos camelôs, que comercializam produtos piratas, a prática de crime também está configurada. “Acontece que trata-se do elo mais fraco. Não adianta simplesmente prender o camelô, se não soubermos quem é que distribui. Se ficarmos apenas prendendo esses ambulantes, estamos agindo somente sobre a parte fraca do ilícito, e assim não quebraremos o ciclo vicioso. O importante mesmo é atuarmos com foco, pois a pirataria envolve crimes como sonegação fiscal, contrabando, violação de direitos autorais... Então, tudo tem que ser mapeado e estudado. E é o que já estamos fazendo em todo o Maranhão. Agora, o apoio da sociedade é fundamental, enquanto estamos nesse processo investigativo. Não comprar essa mercadoria pirata e denunciar quem vende, já é um grande passo para nos ajudar a combater esse crime”, finalizou o delegado.

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