Cartas ao Dr. Pêta(drpeta@box.elo.com.br)
Olá, Dr. Pêta;
Preço da Gasolina em São Luís.
Estivemos no final de semana passado em Teresina e nos surpreendemos com o preço da gasolina lá, em média R$ 2,20 (dois reais e vinte centavos). O impressionante é que a gasolina do Piauí vai toda daqui do Porto do Itaqui, ou seja, dentro do preço, ainda está o transporte. E, detalhe, são raros os postos de gasolina, de lá, com os preços iguais. Vimos gasolina de R$ 2,19, de R$ 2,20, R$ 2,23, R$ 2,34 e até de R$ 2,43.
Aqui em São Luís, em 90% do postos de combustíveis a gasolina é R$ 2,75, e alguns chegam a cobrar até R$ 2,79. Ou seja, é cartelização dos preços; e, o pior, as autoridades competentes não fazem nada para modificar isso.
Há alguns dias, vimos uma entrevista com o presidentes da Associação dos Donos de Postos de Combustíveis, onde ele dizia que a diferença de preço da gasolina daqui para a do Piauí era em virtude do imposto cobrado lá ser mais barato. Não acredito que a diferença de imposto de lá para cá seja em torno de 20%, porque esta é a diferença de preço. O que existe é roubo, é cartel, é indiferença com a população, é falta de respeito. Como diria o jornalista Boris Casoy, é uma vergonha!
(André Maia Correia de Albuquerque – São Luís)
Prezado Dr. Pêta;
O estrebucho de um coronel.
O ranço da prática coronelista de fazer política aliada às conseqüências da ruptura da hegemonia do grupo Sarney no Maranhão esteve bastante presente no gesto de um membro dessa corrente. Foi em São Mateus do Maranhão, cidade que dista 180 km da capital, no dia 30 de dezembro último, penúltimo dia do ano de 2006 que marcará para sempre a política maranhense. O prefeito Francisco Rovélio, duplamente coronel, na prática de fazer política e na patente (coronel da reserva da Polícia Militar), quis de todas as maneiras proibir uma festa popular organizada pelo advogado e militante político Miltinho Aragão. A festa popular teve como objetivo comemorar junto aos eleitores de São Mateus a vitória dos deputados eleitos Graciete Lisboa (estadual) e Flávio Dino (federal), e do governador Jackson Lago. Tudo parecia perfeitamente normal não fosse a truculência do prefeito Rovélio em comparecer ao local destinado ao evento para pessoalmente embargar a montagem do palanque. Aos gritos e inteiramente desequilibrado, ordenou que o evento estava por ele desautorizado e que deveria ser imediatamente paralisada a armação do palco. O advogado Miltinho Aragão, presente, informou ao prefeito que a Constituição Federal garante a realização de eventos em locais abertos ao público sem a necessidade de licença, bastando que a autoridade policial seja previamente informada e que esta providência tinha se consumado. Inconformado, o prefeito disse, alto e em bom som: “sou prefeito e vou te mostrar que a festa não se realiza, pois quem manda em São Mateus sou eu”, (sic), saindo em velocidade. Em pouco tempo retornou ao local, desta feita acompanhado de uma viatura da Polícia Militar e mais quatro policiais, reordenando a paralisação da montagem do palco, oportunidade em que os policiais ouviram do organizador do evento, Miltinho Aragão, que a festa estava respaldada pela Constituição Federal do Brasil, com a devida comunicação ao delegado de polícia e ao destacamento militar. Portanto, não estava cometendo nenhuma ilegalidade e só paralisaria a montagem do palco se os policiais e o prefeito viessem acompanhados de uma ordem judicial. Os policiais militares desistiram da empreitada solicitada pelo prefeito, mas a solução do impasse ainda não havia se esgotado. O pior estava por vir. O prefeito coronel, na sua gana em ver prevalecer a sua ‘ordem’, destacou para o local o seu secretário de Obras, alguns dos seus seguranças particulares, que costumeiramente andam armados, e aproximadamente vinte homens que prestam serviços ao município, para garantir a desmontagem do palco; evidentemente que na marra, na força bruta. Com a notícia do impasse pela realização da festa que rapidamente se espalhou pela cidade, muitos populares se aglomeraram na Praça do Tancredo (local do evento) para apoiar a sua realização. Assim, de um lado, os homens do coronel, e do outro, populares revoltados. Os ânimos se acirraram e por pouco não houve uma tragédia. O secretário de Obras do prefeito, de nome Antônio Coelho, estava bastante exaltado e chegou a trocar insultos e socos com populares. Houve princípio de tumulto e ameaça de disparo de arma de fogo, mas felizmente nada de mais grave ocorreu. O prefeito não conseguiu o seu intento, mas até o último momento ameaçou a realização da festa sabotando a iluminação da Praça do Tancredo. Casos como este traduzem o ‘estrebucho’ de uma gente que não está conformada com o resultado eleitoral do memorável e inesquecível dia 29 de outubro de 2006, o dia da libertação. Uma nova forma de fazer política há de se desenhar neste Estado com a inauguração do governo do Dr. Jackson Lago, e que práticas dessa natureza possam num futuro bem próximo ser apenas uma página virada da história, exemplo de política mesquinha, atrasada e coronelista de um Maranhão de outrora. Apesar de todos os embaraços criados pelo Sr. Francisco Rovélio, o povo de São Mateus comemorou em grande estilo a vitória de Graciete Lisboa, Flávio Dino e Jackson Lago.
Dr Pêta, este episódio retrata a dificuldade de se fazer política neste Estado diante da famigerada herança deixada pelo grupo Sarney durante décadas de dominação.
Juvenil Gonçalves - São Mateus -MA.
Av. Rodoviária, 1037, Centro, juvenilcosta@gmail.com
Caro Dr Pêta;
Dr. Jackson foi incisivo na cultura. Agora, João, é preciso ter consciência de que tua escolha foi menos partidária e mais pela consideração, amizade e confiança na sua capacidade de implantação de um projeto político cultural capaz mais do que em outros setores de gerar um processo de inclusão pela via da cultura, sobretudo, pela sua percepção da diversidade.
O movimento de Samba de São Luís está feliz pelo sambista secretário... só não pode esquecer os companheiros da senzala no bar do Bigode...
(Costa Neto Professor e músico7 cordas – São José de Ribamar)
Nota do editor – As cartas e e-mails endereçados ao JP e ao Dr. Pêta devem conter nome, endereço e o telefone dos respectivos autores.
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