POR OSWALDO VIVIANI
De Imperatriz
Os peritos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que vieram a Imperatriz para analisar os destroços do monomotor Cessna que caiu no centro da cidade, no último sábado, 27, matando duas pessoas, já deixaram o município. Eles enviaram um relatório sobre o que apuraram ao Centro Técnico Aeroespacial (CTA), de São José dos Campos (SP), e ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), de Brasília (DF). Os dois centros agora vão avaliar o relatório e emitir um laudo final sobre as causas do acidente em, no máximo, 90 dias.
A análise dos peritos da Anac foram feitas num hangar do aeroporto Prefeito Renato Cortez Moreira, para onde os destroços do Cessna prefixo PT-DOJ foram encaminhados. Os peritos se detiveram particularmente no motor da aeronave, mas nada divulgaram sobre a avaliação.
O Jornal Pequeno apurou que a aeronave – que pertencia ao prefeito de Davinópolis (município vizinho a Imperatriz), Francisco Pereira Lima, o “Chico do Rádio” (PL) – já havia apresentado problemas em ocasiões anteriores. Também foi apurado pelo JP que o monomotor tinha autorização da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) para transportar apenas quatro pessoas (piloto e três passageiros), e não seis, como as que estavam na aeronave no momento do acidente.
A Infraero não quis se manifestar sobre os problemas anteriores do Cessna e sobre o excesso de passageiros. Caso se confirme que o monomotor transportava mais gente do que sua capacidade máxima, o seguro pode não aceitar cobrir o valor da aeronave acidentada.
Pane e fogo – O monomotor Cessna caiu minutos depois de decolar do aeroporto de Imperatriz, com destino a Paragominas, no Pará. O avião apresentou problemas e o piloto, Leonardo Dourado, o “Douradinho”, tentou retornar ao aeroporto, mas não conseguiu e teve de fazer um pouso forçado na rua Ceará, no bairro do Bacuri (área central de Imperatriz).
A aeronave pegou fogo minutos depois de tocar o solo. Populares ainda conseguiram retirar três pessoas do aparelho – o piloto “Douradinho”, Enilton Ramos da Paz, Raquel Gonçalves de Andrade e Caio Guilherme Andrade dos Santos (filho de 11 anos de Raquel). Felipe Ramalho e seu filho Felipe Ramalho Júnior, de 14 anos, desmaiaram e foram atingidos pelas chamas, morrendo carbonizados no local.
O piloto Leonardo Dourado, que teve 50% do corpo queimado, foi transferido da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas (HC), de Imperatriz, para o Hospital de Queimados, de Goiânia (GO). Enilton, Raquel e Caio ainda estão no HC e passam bem. Dois dos ocupantes do monomotor – Felipe Ramalho e Enilton Ramos da Paz – estavam voando a Paragominas para saltar de pára-quedas quando aconteceu o acidente.