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Data de Publicação: 29 de janeiro de 2007
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Por Leandro Balby Marinho

Doutorando em Computacao pela

Universidade de Hildesheim (Alemanha)

“Tu lembra de fulano de tal? Pois é, morreu ontem pois tentou reagir a um assalto.”

Lição 1. Temos que nos conformar com a violência.

“Que nada rapá, molha a mão do cara que tu resolve esse problema rapidinho” ou “Hahaha, eu tava sem carteira, bêbado, dei vinte conto pro idiota do guarda e ele me liberou, esses sacanas só querem dinheiro.”

Lição 2. Triste mas verdade, funciona na maioria das vezes. A pergunta é: quem seria mais corrupto?

“Eu tenho um amigo lá de dentro que vai colocar o meu processo na vez” ou “Um amigo meu coloca a gente pra dentro.”

Lição 3. A ordem de chegada é um conceito atrelado ao grau de influência no recinto. Como pode haver justiça se nao há respeito?

“Tu é besta de dar dinheiro, esses meninos aí em vez de procurarem estudar só sabem cheirar colar, roubar e vagabundar.”

Lição 4. Qualquer pedinte é vagabundo e ladrão.

“Eu não tô preocupado com a revolta do povo sobre o processo, se fosse comigo eu caía de bala”, essa última eu ouvi da boca de um agregado de uma família politicamente influente no estado sobre o possível processo de impugnação do novo governador eleito.

Lição 5. A política ainda flerta com idéias e atos de barbárie.

Quem é brasileiro e nunca ouviu nenhuma dessas frases que atire a primeira pedra. Quem será que também nunca viu alguém: jogar lixo no chão, urinar em vias públicas, fazer brincadeiras desagradáveis com garçons ou empregado(a)s, se vangloriar de atos de vandalismo (em menor ou maior grau) ou imoralidade, se vangloriar de bebedeiras com finais violentos, bater o carro e fugir, fazer gato pra não pagar energia elétrica, e etc. pois a lista é longa e distinta.

A verdade é que estamos inseridos numa inversão de valores, onde fazer espontanemante o bem é sinônimo de ingenuidade e fraqueza. Mas talvez, nos permitindo agora ser “ingênuos”, assim como os maus exemplos, os bons exemplos também contaminem.

Como um exercício, tentemos imaginar uma única semana, na qual, em vez das tragédias costumeiras, os noticiários mostrem: como uma família desenvolveu um projeto para tirar e educar crianças de rua, ou como um caso foi resolvido com eficiência e em tempo hábil pela justiça, como certo jovem foi detido por tentativa de suborno e por dirigir perigosamente embriagado, como alguém foi multado por sujar a cidade ou por atentar contra o respeito e

pudor, como um funcionário foi sumariamente despedido por tentar privilegiar relativos ou como um político foi impiedosamente caçado por privar o povo de necessidades básicas.

Os bons exemplos existem, mas precisam ser mostrados. Como cultivar o otimismo no país se só o que se mostra dia após dia é desgraça? Precisamos de uma mídia sensível, consciente e pró-ativa. Uma mídia que entenda a noção e a importância de “equilíbrio” e “balanço” entre “bem” e “mal” de forma a ajudar na (re)construção de uma sociedade melhor.

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