A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) informou que o orçamento de investimentos para 2007 será de US$ 6,334 bilhões. Este valor, que abrange pela primeira vez os investimentos programados de sua subsidiária CVRD Inco Limited (CVRD Inco), se constitui no maior orçamento de investimento em crescimento orgânico da história da Companhia. Ao mesmo tempo, esse orçamento, em conjunto com a proposta de pagamento de remuneração ao acionista de US$ 1,65 bilhão para 2007, é consistente com as diretrizes da política financeira da CVRD que prevêem a preservação de um balanço saudável e, mais especificamente, de um nível de alavancagem indicativo de endividamento de baixo risco.
Em 2006, a Companhia investiu US$ 26,0 bilhões, sendo US$ 3,241 bilhões em crescimento orgânico – US$ 2,765 bilhões em projetos e US$ 476 milhões em pesquisa e desenvolvimento (P&D) – US$ 1,259 bilhão na sustentação dos negócios existentes e US$ 21,5 bilhões em aquisições. A CVRD realizou quatro aquisições no ano passado: Inco (US$ 19,0 bilhões), Caemi (US$ 2,4 bilhões), Rio Verde Mineração (US$ 47 milhões) e Valesul (US$ 27,5 milhões)2.
O investimento de US$ 19,0 bilhões na aquisição da Inco compreende o preço de US$ 17,8 bilhões acrescidos de US$ 1,2 bilhão correspondente à dívida líquida dessa empresa. Foram pagos a seus acionistas US$ 15,8 bilhões em 2006 e US$ 2,0 bilhões neste ano. A compra de 39,8% do capital da Caemi pertencente a acionistas minoritários foi efetuada mediante troca por ações preferenciais da CVRD, não envolvendo, portanto, desembolso financeiro.
O capex aprovado para 2007 apresenta elevação de US$ 1,8 bilhão em relação ao valor do investimento ex-aquisições executado no ano passado, de US$ 4,5 bilhões. O crescimento dos gastos programados é explicado por: (a) consolidação de novas subsidiárias, especialmente a CVRD Inco que contribui com US$ 1,45 bilhão para o programa de investimentos deste ano; (b) maior concentração de desembolsos financeiros de alguns projetos de porte significativo já em implantação (Itabiritos, Onça Puma, Alunorte 6&7).
Os investimentos destinados à sustentação das operações existentes foram orçados em US$ 1,698 bilhão. As operações de níquel no Canadá (Ontário e Manitoba) têm stay-in-business capex orçado em US$ 477 milhões, representando 28% do total, tendo em vista sua idade mais avançada e o nível baixo de investimento no período 2003-2005, quando a média anual situou-se em US$ 208 milhões. Tais investimentos são importantes para a conservação e extensão da vida útil dessas operações, que além de considerável produção de níquel, no caso de Ontário há produção de cobre, cobalto, metais do grupo platina, ouro e prata3.
Serão investidos US$ 4,636 bilhões em crescimento orgânico, o que corresponde a 73,2% do investimento total programado para 2007. Esse valor contém dispêndios de US$ 4,230 bilhões em projetos e US$ 406 milhões em investimentos em P&D.
SO crescimento da economia mundial, a retomada dos investimentos da indústria de mineração e metais, a elevação dos preços de matérias primas e a valorização contra o dólar americano de moedas de países exportadores de produtos minerais, como o real e o dólar canadense, contribuíram para forte alta dos custos de projetos. Os preços de equipamentos e de serviços de engenharia aumentaram de forma substancial desde 2003, o que vem concorrendo para a elevação do custo unitário dos projetos de mineração em todo o mundo. A Companhia vem desenvolvendo esforços e iniciativas destinadas a minimizar o impacto dessa alta sobre seus custos de investimento.