As notícias de que o governador Jackson Lago vai entregar 30 escolas de ensino médio até o mês de abril e de que o prefeito Tadeu Palácio pretende investir 188 milhões de reais em educação no ano de 2007, chamam a atenção para o que ensinam as estatísticas sobre a qualidade do ensino no Brasil.
O governador afirma: a educação é uma prioridade do meu governo. Somente por meio da educação vamos fazer uma revolução silenciosa, garantindo o desenvolvimento do estado e do cidadão. O prefeito reforça: “a educação é o melhor caminho para o desenvolvimento de uma cidade. Por esta razão, desde que assumi a Prefeitura de São Luís tenho buscado realizar uma revolução pedagógica na rede municipal de ensino”.
Ninguém duvida de que a educação é o capital humano mais valioso nos dias de hoje. E a idéia fundamental da teoria do capital humano é de que o trabalho corresponde a mais do que apenas um fator de produção; esse capital é tão mais produtivo quanto maior for sua qualidade e esta é dada pela intensidade do treinamento técnico-científico e gerencial que cada trabalhador adquire.
A qualidade, portanto, é a palavra chave para os problemas principais da educação brasileira. O educador Simon Schwartzman informa que os problemas centrais da educação brasileira hoje não são a falta de escolas e a carência de verbas. Acredita-se que 93% das crianças vão à escola. O problema é que aprendem pouco e abandonam os estudos na adolescência. Acredita-se que fogem da escola em busca de trabalho porque suas famílias precisam de reforço no orçamento familiar.
No ano de 2003, uma Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio, do IBGE, informava a existência de 40 milhões de alunos matriculados no ensino básico regular, que inclui oito anos de ensino fundamental para crianças entre 7 e 14 anos e 3 anos de ensino médio para alunos entre 15 e 17 anos.
Outra pesquisa, também realizada em 2003 mostrava que 55 milhões de brasileiros estavam matriculados em algum tipo de curso.
Para ser mais sucinto os gastos do Brasil com a educação representam de 5 a 5,5% do Produto Interno Bruto, o que denuncia que estamos usando mal os investimentos que já existem. Praticamente todas as crianças na faixa de 7 a 10 anos de idade estão na escola. Mas muitos estudantes não estão no nível em que deveriam estar e há muitos adultos ocupando vagas de adolescentes.
As elevadas taxas de evasão escolar, a repetência, a má qualidade do ensino, professores mal pagos, devem estar no foco da luta para melhorar a educação no Brasil e, principalmente nos estados do Nordeste. A mesma amostragem deixou patente a ineficiência do país para lidar com a educação. Em 2003, incríveis 16,7% dos brasileiros com 16 anos de idade já se encontravam fora da escola e impotentes 42% da juventude com 18 anos de idade também não estudavam mais. Sem contar que na maioria dos casos eles não estão aprendendo o que precisam para enfrentar o mercado de trabalho.
Os países que mais investiram em educação são os mais desenvolvidos ou estão em célere processo de crescimento, como a Coréia do Sul e a China. Enquanto isso, o Brasil só consegue manter 15 % de sua juventude no ensino superior, embora se pense hoje em uma meta de 30%.
Assim, o apego do governador e do prefeito maranhenses com a educação são a melhor novidade de seus governos. Mas precisam investir, assim como o Brasil inteiro, com maior ênfase e preocupação na qualidade de ensino que vamos proporcionar a nossos jovens. Afinal de contas, são as pessoas com nível mais alto de educação que têm mais probabilidades de receber salários mais elevados e que têm maiores oportunidades de emprego.