Independência, coragem de “pôr o dedo na ferida” e não ter o rabo preso com políticos de qualquer tonalidade ideológica não é para qualquer jornal. É por ter como pilar essa trindade básica para a prática do bom jornalismo que o Jornal Pequeno é respeitado e aplaudido pelo chamado povão e, naturalmente, criticado pelos poderosos e por uma certa imprensa serviçal – incomodados pelo destemor do JP.

O caso do assassinato do engenheiro e professor universitário José Henrique de Carvalho Paiva, de 54 anos, é emblemático, no sentido de marcar o diferencial entre O JP e alguns veículos de comunicação. Pessoa que teve a vida marcada por polêmicas – entre elas, denúncias contra dois políticos tocantinos de grupos mais progressistas, Sebastião Madeira (PSDB) e Jomar Fernandes (PT) –, José Henrique Paiva foi assassinado de maneira brutal no domingo, 21. Nem a polícia sabe dizer ao certo quantas facadas e pauladas (ou pedradas) ele levou, de tantas que foram.
Pela violência do crime (injustificável, se aceitarmos que foi cometido por alguém que só queria roubar um carro) e pelo histórico polêmico do professor, não há como não mencionar os nomes das pessoas por ele acusadas. Foi isso o que o JP e a maioria dos meios de comunicação do estado fizeram. Madeira e Jomar jamais foram “acusados” de envolvimento no crime. Isso nunca foi dito em nenhuma matéria de nenhum jornal, rádio ou TV. Basta saber ler, escutar e ver.
Um jornal regional de Imperatriz – habituado à regra provinciana de não citar nomes da chamada “gente da elite” – preferiu a autocensura. E em vez de se envergonhar, registrou em sua edição de ontem que não dá nomes aos bois por uma questão de “responsabilidade”. E chamou os meios de comunicação que mencionaram os dois políticos de “apressadinhos” e “sem compromisso com a responsabilidade”.
Só que, curiosamente, essa tal de “responsabilidade” do O Progresso (aqui a gente cita os nomes...) só “baixa” nos “mandas-chuvas” da redação quando há gente “graúda” envolvida.
Alguém viu uma linha sequer no O Progresso sobre o envolvimento do pecuarista Miguel Rezende num recente roubo de combustíveis? O “responsável” diário fez alguma matéria “mexendo” com o caso Ezir Jr. e com o poderoso Hassan Yusuf?
“Responsavelmente”, o jornal – que também censura o material de seus colaboradores e repórteres – prefere emudecer nesses casos, e em vários outros.
O mais grave nessa “milonga” toda é que não são poucos os que, na tentativa de justificar a barbárie do assassinato do professor, se utilizam de um recurso infame: tentam desqualificar a vítima. “O cara gostava de arrumar confusão com todo mundo”, “Era um rebelde sem causa”, “Pedia dinheiro emprestado e depois peitava os cobradores”.
Até uma suposta homossexualidade foi atribuída ao professor. É como se dissessem: “Merecia morrer”.
O fato é que um homem foi morto brutalmente e – ao contrário do que dizem os “apressadinhos” –, o crime não está esclarecido com a prisão de três pessoas – que, aliás, negam participação. Não é o JP quem diz. É a própria polícia, a única fonte a quem a imprensa provinciana dá crédito.
(Oswaldo Viviani)