POR OSWALDO VIVIANI
CASO CAMILA FONTINELE
João Gonçalves aponta como autores das ameaças “pessoas que andam na companhia do pai de Camila”, José Brás, e que conheciam “Roberto Veículos”, assassinado por pistoleiros em dezembro
João Gonçalves dos Santos, pai do pedreiro Jó Gonçalves dos Santos, o “Miúdo”, 25, apontado como o assassino da estudante Camila Fontinele Bezerra, ocorrido há pouco mais de dois meses, disse que ele e sua família estão sendo ameaçados de morte. João Gonçalves acusou “pessoas que andam na companhia do pai de Camila”, José Brás Xavier Bezerra, como os autores das ameaças.

Essas pessoas também conheceriam Pedro Feliciano, o “Roberto Veículos”, executado em 28 de dezembro, na Vila Lobão, num crime com características de pistolagem. “Roberto Veículos” era uma espécie de intermediário de “Miúdo”. Foi ele quem indicou o pedreiro a José Brás para realizar, no dia do crime, um suposto serviço de derrubada de uma parede no quarto de Camila, que na verdade foi uma maneira de o assassino ter acesso à casa. De acordo com o que o pai de “Miúdo” – que está foragido desde o dia do crime – declarou em entrevista à TV Difusora Sul, de Imperatriz, seu filho chegou em casa, na rua dos Protestantes, 146 (Vila Macedo), momentos antes de cometer o assassinato, e lhe disse que estava sendo seguido por dois homens. Esses homens, segundo João Gonçalves, teriam afirmado que “ou ele [“Miúdo”] fazia um determinado ‘serviço’ ou não sairia dali vivo”. Os homens – que andariam na companhia de José Brás e “Roberto Veículos”, segundo “Miúdo”, seriam os mesmos que agora ameaçam a família de João Gonçalves.
O pai de “Miúdo” afirmou, ainda, na entrevista, que depois do assassinato de Camila chegou a comunicar a “Roberto Veículos” e José Brás tudo o que seu filho lhe contara. Dias depois, “Roberto Veículos” foi fuzilado pelo “garupa” de uma moto quando bebia num bar.
O delegado Carlos Alberto Souza Brasil, responsável pelo “caso Camila”, retornou de férias na terça-feira, 23, e disse ontem ao Jornal Pequeno que vai retomar as investigações sobre o crime.
Essas investigações vão incluir a morte do vigilante Daniel Gonçalves dos Santos, 26, assassinado na sexta-feira, 19, em pleno meio-dia. Parente de “Miúdo”, Daniel foi alvejado com três tiros por três homens que invadiram sua casa, na Vila Macedo.
Não foi latrocínio – De acordo com o inquérito entregue à Justiça pelo delegado Brasil em 21 de dezembro passado, o pedreiro Jó Gonçalves dos Santos, o “Miúdo”, é incurso no artigo 121 do código penal, homicídio qualificado. Ou seja, a polícia civil descarta as duas hipóteses que surgiram no início das investigações: latrocínio (tentativa de roubo seguida de morte) e tentativa de estupro.
Segundo se deduz dos autos, o assassinato de Camila Fontinele Bezerra pode ter ligação com o crime de pistolagem ocorrido no dia 28 de dezembro, que teve como vítima Pedro Feliciano, o “Roberto Veículos”.
“Roberto” era amigo dos pais de Camila – José Brás Xavier Bezerra e Cleanes Mendes Fontinele Bezerra. “Miúdo” prestava serviços de pedreiro sob a intermediação de “Roberto”, que também tinha procuração de Cleanes para alugar apartamentos localizados nos residenciais de propriedade da mãe de Camila.
Antes de morrer, “Roberto Veículos” chegou a prestar depoimento na polícia. Ele confirmou que contratava regularmente “Miúdo” para realizar reparos no condomínio de propriedade de Cleanes, e cuja administração era de sua responsabilidade. Mas negou qualquer envolvimento no assassinato da estudante.
No relatório final enviado ao Judiciário, o delegado Brasil conclui que “Miúdo” pretendia matar Cleanes e não Camila. A estudante se interpôs e, como não conseguiu amarrar a mãe, levou um balaço mortal no rosto.
O assassino ainda disparou duas vezes contra Cleanes. “Nervoso, ‘Miúdo’ errou o alvo; por isso, o assassino tentou asfixiar a mãe de Camila, mas foi impedido graças à resistência de Cleanes e a seu filho, Eduardo, que chegou e ajudou a mãe”, conclui o delegado no inquérito.
O delegado Brasil pediu à Justiça a prorrogação das investigações do “caso Camila”.
Mais de dois meses depois do crime, ‘Miúdo’ segue desaparecido
Apesar de o assassino da jovem Camila Fontinele, o pedreiro Jó Gonçalves dos Santos, o “Miúdo”, ser uma pessoa que sabidamente não dispunha de condições financeiras para “evaporar” de Imperatriz, ele não foi localizado pela polícia até hoje.
Camila Fontinele foi atingida com um tiro na altura do olho direito porque não teria obedecido à ordem de “Miúdo”, de amarrar sua mãe no banheiro da casa, na rua Henrique Dias (bairro São José do Egito). No dia do crime, “Miúdo” chegou à residência, localizada na rua Henrique Dias, 571 (São José do Egito), de bicicleta, mais ou menos às 8h30. Quem abriu o portão para ele foi Cleanes Bezerra, que não desconfiou de nada, uma vez que já havia sido acertada com “Miúdo” a derrubada de uma parede no quarto de Camila.
Após uns poucos minutos dentro da casa, “Miúdo” anunciou um suposto assalto a Cleanes e sua filha, que estavam no banheiro. Apontando para as duas mulheres um revólver calibre 38, e segurando uma corda na mão esquerda, o assaltante ordenou a Camila que amarrasse a mãe. Segundo Cleanes, sua filha teria respondido que não sabia como amarrar, momento em que “Miúdo” atirou quase à queima-roupa na jovem. Depois de alvejar a garota, “Miúdo” tentou matar Clenes, disparando novamente e depois tentando sufocá-la. Só não conseguiu porque a mulher se atracou com o agressor e teve a ajuda do filho, Eduardo, que foi atraído pelos gritos da mãe. “Miúdo” fugiu na mesma bicicleta em que chegou, sem levar nada da casa. Ele abandonou a arma do crime na residência.
Durante pelo menos duas semanas, a polícia concentrou suas buscas num matagal próximo à chácara Cruzeiro, na Vila Macedo (periferia de Imperatriz), nas cercanias da rua do Protestante, onde mora a mãe de “Miúdo”, Dinalva Gonçalves dos Santos. O assassino teria sido visto no local um dia depois do crime.
Homens das polícias Militar e Civil passaram vários dias cercando toda a área da Vila Macedo. Até o programa “Earth”, da Google, que detalha, com a ajuda de satélites, todas as áreas do planeta, até as mais inóspitas, foi utilizado, mas o matador não foi capturado. A região próxima à rua 11, no Bacuri – casa da sogra de “Miúdo”, Maria Vera Lúcia Rodrigues, onde ele morava com a mulher, Vanessa Cristina Carvalho de Melo, e com um filho pequeno –, também foi monitorada pela polícia desde o dia do crime, sem resultado.