POR OSWALDO VIVIANI
ASSASSINATO DO PROFESSOR DA UEMA
Crime de encomenda (devido às denúncias que fez), dívida com agiotas e até crime passional são as hipóteses levantadas pela polícia como motivação do assassinato – a facadas e pauladas –do professor e engenheiro José Henrique de Carvalho Paiva

Está praticamente descartada pela polícia a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte) no caso do assassinato do engenheiro e professor da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), José Henrique de Carvalho Paiva. O engenheiro foi morto com várias facadas e pauladas, e seu corpo foi encontrado na manhã de domingo, nas proximidades da BR-010 (Belém-Brasília).
Apesar de o matador (ou matadores) terem levado a caminhonete S-10 marrom do engenheiro e seu celular (não tocaram em outros pertences, como bolsa, cordão de ouro, anéis e cartões de crédito), policiais consultados ontem pelo Jornal Pequeno acreditam que o caso tem mais características de crime de mando ou por vingança. “A maneira brutal pela qual a vítima foi morta indica qualquer motivação, menos latrocínio”, analisou um experiente policial. O JP apurou, ainda, que os delegados Vital Rodrigues de Carvalho (regional) e Josenildo José Ferreira (homicídios), que tomaram a frente do caso, já limitaram suas investigações a três linhas: crime de encomenda (devido às várias denúncias que o engenheiro fez ao longo da vida), dívida com agiotas e até crime passional. Em conversa com professores, que eram colegas de José Henrique na Uema, a viúva do engenheiro, Wandete do Carmo Oliveira Paiva, negou que seu marido tivesse contraído dívidas com agiotas.
Diligências – Uma equipe de policiais civis, chefiada pessoalmente pelo delegado regional Vital Rodrigues, e integrada também pelo delegado de Homicídios, Josenildo Ferreira, passou quase todo o dia de ontem em diligências para tentar obter pistas sobre o assassinato do engenheiro José Henrique. Até o fechamento desta página, às 16h30, os delegados ainda não haviam falado com a imprensa sobre o resultado da operação. Um par de sandálias, encontrado no local do crime, é a única pista que a polícia tem, até agora, para ajudar na elucidação do assassinato.
Figura polêmica – Considerado uma pessoa polêmica, José Henrique de Carvalho Paiva – que foi inspetor do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) de Imperatriz por 12 anos – não vacilava em denunciar supostas falcatruas de políticos e empresários tocantinos. Por conta dessas acusações, ele se dizia ameaçado de morte.
Sua última denúncia, em junho do ano passado, envolveu o deputado Sebastião Madeira (PSDB) e as construtoras Portobelo e R.V. Alencar, de propriedade de Roberto Vasconcelos Alencar.
Segundo o engenheiro, o empreiteiro seria beneficiado com emendas do deputado para construir poços artesianos. Madeira negou veementemente participação em qualquer esquema fraudulento. José Henrique reafirmou as denúncias em depoimento à “CPI das Sanguessugas”.
Em 2002, José Henrique também foi o autor de denúncias contra supostos desvios de recursos repassados pelo Governo Federal ao Município de Imperatriz para a construção de “kits” sanitários na gestão do então prefeito Jomar Fernandes (PT), que também contestou as acusações.
O engenheiro levantou, ainda, suspeitas de irregularidades envolvendo professores do Centro de Estudos Superiores de Imperatriz (Cesi) da Uema.
Maranhense de Caxias, formado pela Universidade de Brasília (UnB), José Henrique de Carvalho Paiva lecionava na Uema há mais de 30 anos. Ele começou a carreira no campus de Caxias e estava em Imperatriz há pelo menos 24 anos, onde era titular da cadeira de Física.
O assassinato do professor chocou estudantes e colegas da Uema (campus de Imperatriz), onde as aulas foram suspensas ontem.
O corpo de José Henrique foi trasladado na noite de domingo para Caxias e seria sepultado ontem. O engenheiro e professor universitário deixa esposa e três filhos – dois homens, de 24 e 30 anos, e uma mulher, de 26.
Caminhonete do engenheiro ainda não foi encontrada
Na tarde de sábado (cerca de 18h30), o engenheiro José Henrique Paiva saiu sozinho de seu apartamento, localizado na rua Dorgival Pinheiro de Souza (no edifício do Imperatriz Shopping, em cima do Supermercado Liliani).

Ele não disse para a mulher, Wandete do Carmo Oliveira Paiva, onde ia. Simplesmente pegou sua caminhonete S-10 marrom, na garagem do prédio, e saiu.
A mulher só intuiu que algo de ruim havia acontecido com o engenheiro quando ligou para o celular do marido às 21h, aproximadamente, e o aparelho estava desligado.
De acordo com seus familiares, José Henrique Paiva, que era evangélico, tinha o hábito de orar, na companhia de um grupo religioso, ao entardecer, num monte localizado próximo ao local em que seu corpo foi encontrado, no Coco Grande.
Até ontem à tarde, a caminhonete S-10 marrom, cabine simples, do engenheiro ainda não havia sido encontrada.