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Data de Publicação: 22 de janeiro de 2007
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João Conrado

O setor de serviços

Repare bem a estes números, todos eles extraídos da página eletrônica do governo do Estado do Maranhão na Internet. Os dados são de 2003 e naquele ano, a economia maranhense havia crescido 5,3% em relação a 2002. era o quinto maior crescimento entre os Estados brasileiros. Descontada a inflação, a taxa real ficou em meros 2,8%, um pouco acima do crescimento populacional. Apesar do Maranhão ocupar a 17ª posição no ranking brasileiro e a 4ª posição no Nordeste, em termos de renda per capita, o Estado descambava para a última posição em todo o Brasil, superando primos pobretões, como o Piauí, Alagoas e os ex-territórios, transformados em Estados, ainda em fase de estruturação econômica.

A economia maranhense, ao longo da sua história, teve como base a agricultura. Em 2003, apesar do abandono imposto a essa atividade, a produção alcançou a marca de 1.762.875 toneladas de grãos. Nas últimas décadas, com a implantação de grandes investimentos siderúrgicos, a indústria passou a ter destaque na economia. Em 2003, as exportações de metais e grãos atingiu 4.277.176 toneladas e Us$ 739,798 milhões de dólares. São números grandiosos, cuja retenção no Estado é quase irrisória, uma vez que não foi desenvolvida uma cadeia produtiva que pudesse estender a exploração das atividades a jusante, agregando valor ao produto exportado. Além disso, os proprietários dessas empresas repatriam as receitas e lucros, pouco deixando no Estado a título de compras nos fornecedores locais e arrecadação de tributos.

As informações disponíveis nos revelam, ainda, fatos que passam despercebidos. A agropecuária, por exemplo, representa apenas 20,3% da economia maranhense. O setor industrial não passa de 26,1%. A grande locomotiva da economia maranhense é, na verdade, o setor de serviços, com nada menos que 53,6%.

Considerando, então, que existe uma Secretaria de Estado para cuidar da indústria e outra para cuidar da agricultura, por que não criar uma Secretaria para os serviços? Seria ou não seria justo montar uma estrutura administrativa para fomentar a atividade que, de longe, é a que mais contribui para a formação do PIB do Maranhão? Por que nunca ninguém pensou nessa possibilidade?

Apesar de relevante, a questão pode ser respondida de maneira simples. Em primeiro lugar, quase a metade dos serviços ofertados no Estado do Maranhão, ou seja, 23% do PIB, é de origem pública, o que demonstra o tamanho da máquina estatal frente a economia. O comércio, que faz parte do setor de serviços, representa mais de 8% e já está abrigado na Secretaria da Indústria e Comércio. O setor educacional, com 7,3% do PIB estadual, é acompanhado pela Secretaria de Educação. O mesmo acontece com outros setores, cujas atividades são indiretamente vinculadas às secretarias já existentes.

Restaria, dessa forma, pouca atividade para justificar o aparato de uma secretaria voltada para os serviços. Além disso, como atividade complementar, os serviços são carreados na esteira dos investimentos industriais ou agropecuários. Na medida em que ocorre o desenvolvimento, o setor se dinamiza ocupando espaços decorrentes da demanda respectiva.

Há, ainda, outro fator a ser considerado. A agropecuária conseguiu crescer 18% em 2003 comparado com 2002. A indústria cresceu 2,5% e os serviços cresceram apenas 1,93%. Podemos identificar certa correlação entre a prestação de serviços e a atividade industrial, de forma que as articulações públicas em torno da atração de negócios industriais poderão proporcionar resultados mais interessantes no setor de serviços.

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