POR OSWALDO VIVIANI e FREDERICO LUIZ
REVIRAVOLTA NO ‘CASO CAMILA FONTINELE’
Inquérito policial sobre assassinato de estudante, há dois meses, descarta versão do assalto frustrado e aponta para crime de encomenda
Entregue à Justiça em 21 de dezembro passado, o inquérito policial, de responsabilidade do delegado Carlos Alberto Souza Brasil, enquadra o pedreiro Jó Gonçalves dos Santos, o “Miúdo”, de 25 anos – apontado como o matador da estudante Camila Fontinele Bezerra, 17 –, no artigo 121 do código penal, homicídio qualificado. Ou seja, a polícia civil descarta as duas hipóteses que surgiram no início das investigações: latrocínio (tentativa de roubo seguida de morte) e tentativa de estupro. “Miúdo” está foragido desde o dia do crime, ocorrido em 20 de novembro do ano passado.

Segundo se deduz dos autos, o assassinato de Camila Fontinele Bezerra pode ter ligação com um crime de pistolagem ocorrido no dia 28 de dezembro, que teve como vítima Pedro Feliciano, o “Roberto Veículos”, executado pelo “garupa” de uma moto na Vila Lobão.
“Roberto” era amigo dos pais de Camila – José Brás Xavier Bezerra e Cleanes Mendes Fontinele Bezerra. “Miúdo” prestava serviços de pedreiro sob a intermediação de “Roberto”, que também tinha procuração de Cleanes para alugar apartamentos localizados nos residenciais de propriedade da mãe de Camila.
Antes de morrer, “Roberto Veículos” chegou a prestar depoimento na polícia. Ele confirmou que contratava regularmente “Miúdo” para realizar reparos no condomínio de propriedade de Cleanes, e cuja administração era de sua responsabilidade. Mas negou qualquer envolvimento no assassinato da estudante.
Crime de encomenda – O pai de “Miúdo”, João Gonçalves Santos, também depôs na polícia e disse que encontrou o filho quatro dias após o assassinato de Camila Fontinele. “Ele me contou que cometeu um crime a mando de alguém, e que matou porque foi muito pressionado”, disse Santos ao delegado Brasil, titular do 4º Distrito Policial. Em seu depoimento, Eduardo Fontinele, irmão de Camila, afirmou à polícia achar que o assassinato de sua irmã foi crime de encomenda. No relatório final enviado ao Judiciário, o delegado Brasil conclui que “Miúdo” pretendia matar Cleanes e não Camila. A estudante se interpôs e, como não conseguiu amarrar a mãe, levou um balaço mortal no rosto. O assassino ainda disparou duas vezes contra Cleanes. “Nervoso, o ‘Miúdo’ errou o alvo; por isso, o assassino tentou asfixiar a mãe de Camila, mas foi impedido graças à resistência de Cleanes e a seu filho, Eduardo, que chegou e ajudou a mãe”, conclui o delegado no inquérito. O delegado Brasil pediu à Justiça a prorrogação das investigações do “caso Camila”.