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GeralA morte de Saddam

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1 de janeiro de 2007
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Irailton Melo de Souza, Pr.

Especial para o Jornal Pequeno

Prezada amiga, prezado amigo.

O enforcamento de Saddam Hussein, na madrugada de sexta para sábado, orquestrado e autorizado pelo louco, sórdido e covarde ditador norte-americano, W. Bush produziu na comunidade internacional um sentimento de indignação e repúdio, pela maneira como se deu e, especialmente, por que se deu.

Você se lembra que após capturar o ex-ditador iraquiano, um tribunal de araque no Iraque, com perdão pelo trocadilho, foi montado para dar legalidade e legitimidade a este ato que ora testemunhamos.

A morte de Saddam era uma questão de tempo, apenas. Aconteceu agora como um ato de desespero americano em face da guerra perdida no Iraque, que já contabiliza um prejuízo bilionário para os cofres públicos, além da vida de milhares de jovens soldados que foram seduzidos pelas forças armadas norte-americanas, sob as promessas de um futuro melhor, como muito bem descreveu Michael Moore em seu intrigante documentário FARENHIT 9/11.

O julgamento de Saddam Hussein estava mais para pornochanchada do que para um ato de justiça. O propósito estava estampando no rosto dos juízes iraquianos, cachorrinhos do Bush: A ordem era matar Saddam, mas matar sob a aquiescência da lei. Não haveria outra sentença para o arquiinimigo de W. Bush Jr. e do seu daddy.

A questão principal é: por que tanta pressa em matar Saddam? Não se engane, não tem nada a ver com as comemorações da Hamadan, o mês de jejum dos mulçumanos, que proíbe execuções.

A coisa tem a ver com a percepção clara, evidente, de uma situação que ficou fora de controle para as tropas invasoras americanas. É como se Bush estivesse dizendo: “Vamos matar esse cara; quem sabe assim os rebeldes recuam”.

Mais uma idiotice “bushiniana”. É sabido que Saddam não ostentava mais o status de grande líder da ação; não passa de um ex-ditador envelhecido por fora e por dentro, um caniço agitado pelo vento.

Minha preocupação e indignação, no entanto, não são pela pena de morte imposta a Saddam Hussein, embora, como cristão, sou contrário a ela. A minha preocupação é que se o mundo se vê livre de um Saddam continua tendo que conviver com George Bush, esse ser insano, fóbico, raivoso, quase canino, sem compaixão, sem compromisso com os direitos humanos e cheio de fantasias sinistras.

Quando abri os jornais on line e vi que o Saddam havia sido enforcado, fui visitado por um terrível sentimento de indignação, por três motivos:

1)Porque a pena de morte desumaniza a sociedade. Nenhum ser humano tem o direito de executar outro ser humano, porque em essência somos todos iguais. Se você duvida disso, basta por um humilde operário no poder e você vai ver do que o ser humano é capaz.

2)Porque quem executou não é melhor do que o executado. George Bush é da mesma estirpe de Saddam Hussein. Desde 11 de setembro, quando ele interpretou o ataque aos Estados Unidos como um ataque contra toda a humanidade, claro, por considerar que eles são “toda a humanidade”, Bush vem dando demonstrações constantes de que tem uma índole ruim e maligna, que nem o seu cristianismo declarado consegue amenizar.

3)Porque na mesma hora em que Saddam estava sendo enforcado, Bush estava dormindo em seu rancho no Texas, e não sendo preso pelos crimes que tem cometido em larga escala contra os civis iraquianos, contra os jovens e despreparados soldados norte-americanos, contra a economia mundial e até contra o futuro do planeta, visto que mais uma vez se recusou a assinar o Tratado de Kyoto para a diminuição de gases poluentes no mundo, para interferir negativamente na economia local.

Vou encerrar este meu artigo, mas quero fazê-lo, lembrando que se alguns seres humanos insistem em contrariar o propósito para o qual existem, isto é, de viverem em harmonia na terra, respeitando, cuidando e aceitando uns aos outros, não podemos perder as esperanças quanto ao futuro, mas trabalhar para que esse futuro seja construido a cada momento de nossas vidas, com atos de perdão, de solidariedade e de amor.

Que essa briguinha insana entre os homens que detêm o poder possam nos servir de alerta e culminem, neste novo ano, na produção de sentimentos e desejos mais nobres do que os que têm acabado com eles.

Eu acredito firmemente no que diz o nosso querido irmão Leonardo Boff: “Toda crise é extremamente fecunda, porque toda ganga, resíduo, tudo aquilo que não é substância, não se sustenta. E o que é verdadeiro virá à tona”.

Também acredito que estamos numa travessia perigosa como seres humanos; estamos num momento crítico de angústia e perplexidades. Mas sou crente e como tal tenho uma firme esperança de que um novo alvorecer está por chegar.

Apesar dos pesares, UM ANO DE PAZ PARA TODOS!

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