Dez anos de SaudadesHans Joseph Nina Höhn*
Há exatos dez anos, o Maranhão perdia um dos seus moradores mais ilustres: IVO ANSELMO HÖHN. Para alguns (alunos da UFMA, da UEMA, do escotismo), o Professor Anselmo; para outros, que com ele conviveram no Colégio Maristas, Irmão Anselmo; para mim, Papai.
A data escolhida por Deus para chamá-lo para perto de Si não poderia ser mais apropriada: 1º de janeiro de 1997. O dia em que se comemora a chegada de um novo ano. Um dia, que para nós, aqui na Terra, tornou-se uma data de lembranças, e com certeza, nos céus, foi festejada sua chegada. Naquele dia, tomados por tristeza, esposa, filhos, parentes, amigos, admiradores, não conseguiam entender o porquê da partida tão prematura.
Nascido em Carazinho/RS, mas criado em terras catarinenses, Professor Anselmo chegou ao Maranhão através do Marista. Após alguns anos, casou-se com Socorro Nina, com quem teve três filhos: Ivo Junior, Érika e eu, aos quais deixou um legado que nada pode apagar, composto por riquezas imensuráveis e infungíveis: bom caráter, boa educação, bons valores, formação religiosa.
Sempre trabalhando pela educação no Maranhão, Professor Anselmo foi incansável. Irmão Marista, professor de Química na UFMA, chefe-escoteiro, presidente da TVE, um dos instituidores do Procad na UEMA. Mesmo após a aposentadoria, sempre deixou claro que “não ia se aposentar para colocar um pijama e ler jornal o dia todo”, dizia.
Na pesquisa, desenvolveu o conhecido “ácido xilópico”, remédio, que teve como cobaia seu filho primogênito e que curou as amídalas de tantas pessoas. Renomados laboratórios tentaram comprar sua fórmula, através de altas propostas financeiras, mas não se deixou sucumbir. Entre o compromisso com as pessoas e a ambição pelo dinheiro, ficou com a primeira opção. Além disso, desenvolveu o “clorador”, sistema de purificação de água tão útil nos bairros periféricos na época do cólera.
Defensor da ciência, indignava-se ao dar-me aulas de química. Não admitia a forma como nossos professores nos faziam decorar a tabela periódica.
Foi homenageado com o título de cidadão de São Luís; título esse que sua partida não o deixou receber. Sócio e um dos presidente do Rotary Club, tinha o companheirismo e o trabalho em prol da sociedade como metas a serem desenvolvidas por todos.
Muito religioso, Professor Anselmo nunca se deixou levar por superstições e crendices; porém, na noite anterior ao seu falecimento, fez questão de brindar o novo ano usando uma camisa branca, talvez, já preparando-se para ser recebido pelos anjos no céu.
Naquele mesmo ano de 1997, nasceu sua neta, Letícia; que mesmo não o tendo conhecido, sempre reclama sua ausência.
Motivo de orgulho para todos que puderam conviver com ele, tudo o que alcançou foi fruto de muito trabalho. Seu reconhecimento deu-se pela sua competência. Nunca se curvou a pressões ou interesses diversos daqueles que balizavam sua formação.
Dez anos depois, muitas histórias podem ser lembradas. De muitas formas, ele pode ser definido. Mas uma palavra, a mesma da cidade onde nasceu, representa o sentimento de todos que conheceram Professor Anselmo: SAUDADES!
Um beijo MEU PAI! TE AMO!
Servidor público federal, professor*
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