Campo Grande - O candidato a governador de Mato Grosso do Sul pelo PSOL, Carlos Alberto Dutra, afirmou que precisa de R$ 1.100 para equilibrar as contas de sua família e continuar a campanha, interrompida por ele ontem por falta de dinheiro.
A escassez de recursos atinge o partido em todo o país. O comitê financeiro do PSOL para presidente, da senadora Heloísa Helena, terceira colocada nas pesquisas, arrecadou R$ 105 mil contra R$ 21 milhões do comitê do PSDB, de Geraldo Alckmin, e R$ 22,3 milhões do PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em três Estados (PB, AC e ES), candidatos ao governo pelo PSOL e os comitês da legenda informaram à Justiça Eleitoral não terem arrecadado nem sequer um centavo em doações. Dutra não declarou a arrecadação em setembro, mas em agosto informou não ter obtido recursos. O mesmo ocorreu no Maranhão.
Candidatos do Pará, Santa Catarina e Tocantins também não arrecadaram recursos, mas os comitês recolheram respectivamente R$ 21,2 mil, R$ 26 mil e R$ 6,6 mil.
A legenda do PSOL disputa o cargo de governador em 24 Estados. Sem contar os comitês do partido, esses candidatos arrecadaram, segundo declarações fornecidas até agora, pouco mais de R$ 161 mil.
No caso de Mato Grosso do Sul, a campanha deu prejuízo a Dutra. "Eu sou vereador aqui em Brasilândia [400 km de Campo Grande] e estou perdendo R$ 550 por sessão que eu falto. São quatro sessões por mês. Em agosto, eu faltei duas sessões e perdi R$ 1.100. Isso [o dinheiro perdido] para mim é importante", afirmou.
"Eu não posso ter prejuízo com a minha família. Eu pedi para o partido: 'Me consiga pelo menos R$ 1.100 para eu repor para minha mulher, senão ela não me deixa continuar a campanha'", afirmou o candidato.
Sem dinheiro, Dutra disse que pegou carona com amigos para visitar cidades, mas só conseguiu ir a Campo Grande e a outras cinco cidades.
"Parece que vão fazer uma vaquinha para mim em Campo Grande e mandar um troco para eu ao menos pôr gasolina no carro. Preciso de R$ 200 a R$ 300", disse.