A Corte Suprema do Chile confirmou ontem, 8, a perda de imunidade do ex-ditador Augusto Pinochet por casos de tortura cometidos no antigo centro de detenção ilegal Villa Grimaldi, onde esteve presa em 1975 a atual presidente chilena, Michele Bachelet.
Os membros do tribunal se reuniram ontem para analisar o pedido de perda de imunidade de Pinochet (1973-1990), mas os detalhes da decisão somente serão divulgados na próxima segunda-feira, 11, segundo fontes citadas pela rádio Bio-Bio.
O pedido de perda de imunidade, solicitado pelo juiz Alejandro Solís, foi acolhido pela Corte de Apelações de Santiago em janeiro último.
Mesmo sendo essa a primeira sentença que tira os privilégios do ex-ditador em casos de tortura, ele já perdeu imunidade por outros crimes como assassinatos e seqüestros.
A resolução permitirá Solís interrogar Pinochet, 90, e eventualmente processá-lo.
A investigação inclui 27 casos de tortura, 32 seqüestros permanentes e desaparecimento forçado de opositores no centro de detenção ilegal de Villa Grimaldi, hoje convertido no Parque da Paz.
Em 10 de janeiro de 1975, a presidente Michele Bachelet e a mãe dela, Jeria, viúva de um general morto na prisão, foram presas em Grimaldi, onde permaneceram uma semana até serem transferidas ao presídio de Cuatro Alamos. Posteriormente elas foram expulsas do Chile.