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Greve na Bolívia fecha fronteira com Brasil e deixa dez feridos

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Data de Publicação: 9 de setembro de 2006
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O presidente boliviano, Evo Morales, enfrentou ontem, 8, uma forte ação grevista organizada por forças de oposição que bloquearam com barricadas quatro importantes regiões da Bolívia, em protestos que fecharam passagens de fronteira com Brasil e Argentina e deixaram ao menos dez feridos.

A greve convocada por organizações cívicas e empresariais, partidos de direita e governos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, ligados a grupos conservadores, paralisou parcialmente essas quatro cidades, marcando o pior momento de Morales em sete meses de gestão.

Grupos de opositores e manifestantes pró-governo protagonizaram duros choques verbais e agressões mútuas que obrigaram a polícia a utilizar bombas de gás lacrimogêneo nas quatro localidades em greve. Ao menos dez pessoas ficaram feridas, segundo a mídia boliviana.

O governo definiu a paralisação como "parcial, armada e violenta".

As pontes da Amizade e Internacional que unem o Departamento boliviano de Pando (extremo-norte) com a cidade de Brasiléia, no Acre, e outras pequenas localidades do Brasil foram tomadas por opositores do governo, disse por telefone o comandante da unidade policial, coronel José Luis Centellas.

No extremo-sul do país, em Tarija, os manifestantes cortaram a passagem a Argentina em San José de Pocitos, confirmou a ministra de Governo (Interior), Alicia Muñoz, que lamentou que a suspensão das atividades "seja imposta, armada, com violência e pressão" por grupos de "sicários".

Em Cobija, capital de Pando, foram registrados também os primeiros enfrentamentos entre comerciantes e o setor de transportes, que se negavam a acatar a greve de um dia, que afeta também Santa Cruz e Beni, cujos líderes se opõem ao governo.

O presidente de um comitê cívico de Beni (nordeste), Rubén Melgar, também confirmou o fechamento de diversas passagens para o Brasil, país com o qual a Bolívia compartilha uma fronteira de 3.131 km.

O coronel Muñoz disse que as forças policiais se viram obrigadas a reprimir empregados da prefeitura de Cobija que golpeavam um comerciante reticente em aderir à greve.

A greve em Cobija é parcial, apesar dos ativistas do grupo Poder Democrático e Social (Podemos), do ex-presidente de direita Jorge Quiroga, tentarem obrigar a população a aderir o protesto, relatou Muñoz. O aeroporto de Cobija foi mantido aberto.

A presidente do comitê cívico de Pando, Ana Melena, ameaçou "botar fogo em todas as lojas" que se negarem a paralisar as atividades.

Um conjunto de comitês cívicos e governos ligados a Quiroga, que perdeu as eleições presidenciais para Morales por uma diferença de 54% a 28%, convocou o protesto contra as supostas tentativas de Morales de ter hegemonia na Assembléia Constituinte, onde dispõe de maioria.

Na noite de quinta-feira, Morales considerou que a paralisação acontece devido ao "ódio e o desprezo ao movimento indígena originário".

O presidente de origem aymara-quíchua disse promover "uma mudança democrática, debatendo os problemas sociais e econômicos" no âmbito de uma Assembléia Constituinte, que a oposição, radicada especialmente em Santa Cruz, a região mais rica e poderosa do país, questiona fortemente.

"O governo não nos amedronta", disse o prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas, aliado do ex-presidente conservador Jorge Quiroga, derrotado por Morales nas eleições gerais e no plebiscito para designar constituintes.

O ex-presidente controla quatro de nove regiões, depois que os prefeitos de Cochabamba e La Paz saíram de sua esfera de controle.

Morales, primeiro índio a ocupar o cargo de presidente em 181 anos de vida republicana, disse que a atitude de alguns "setores que tentam marginalizar, de excluir, de odiar, de desprezar, tem de terminar".

"Quando falam de greve, sinto que se trata de ódio, desprezo ao movimento indígena originário. Temos recebido muitos insultos, nossos constituintes têm recebido insultos, provocações", lamentou Morales.

O governo estima que a mobilização, na qual participam ativamente políticos liberais e conservadores, é financiada por fazendeiros, latifundiários e multinacionais petroleiras, cujos interesses foram afetados por um decreto de nacionalização dos hidrocarbonetos.

O movimento grevista rechaça a nacionalização dos hidrocarbonetos e a Assembléia Constituinte, onde Morales tenta, com maioria absoluta, ainda que insuficiente para formar os dois terços dos votos necessários para fazer reformas, aprovar uma nova Constituição que estabeleça a "refundação do país".

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