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Fórum Social é destaque no último dia do XV Congresso Norte-Nordeste de Oftalmologia

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Data de Publicação: 9 de setembro de 2006
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Foi encerrado na noite de ontem, 8, o XV Congresso Norte-Nordeste de Oftalmologia, que acontecia desde a última quarta-feira, 6, no Mulcenter Sebrae, reunindo centenas de profissionais e estudantes de todo o país. Organizado pela Sociedade Norte-Nordeste de Oftalmologia, o evento abriu espaço, no último dia, para a realização do I Fórum Social do Congresso Norte-Nordeste de Oftalmologia.

"Queríamos mostrar, além dos debates científicos, as iniciativas sociais que a classe oftalmológica tem realizado em todo o país, e, especialmente, aqui em nosso Estado", explicou o presidente da Sociedade Norte-Nordeste, Mauro César Oliveira.

O coordenador de projetos sociais do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), Newton Kara José, apresentou aos participantes alguns projetos realizados em âmbito nacional em prol da saúde ocular da população, como os Bancos de Olhos e Mutirões de Catarata, Glaucoma e Oftalmopediatria ("Projeto Olho no Olho").

"No mundo inteiro, já existem 45 milhões de cegos e 135 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência visual. A oftalmologia proporciona qualidade de vida", disse o coordenador.

Uma das principais causas da cegueira no Brasil, o Glaucoma ganhou mutirões de atendimento em todo o país. No Maranhão, a iniciativa acontece a cada quatro meses no Hospital Universitário Presidente Dutra.

Segundo levantamento feito no próprio hospital, em 2002 eram registradas uma média de 60 cirurgias de Glaucoma por mês. Dados do ano passado mostraram que, após a implantação do Mutirão, a média triplicou: são realizadas 181 cirurgias mensalmente no HU.

Outro levantamento importante realizado pelo hospital é o índice de pacientes com o diagnóstico de glaucoma que participam dos mutirões. Na primeira edição, 20% da população atendida saiu com o diagnóstico da doença. No último mutirão o índice já alcançava 70% dos atendidos. "A conclusão que chegamos é que a realização dos mutirões se tornou fundamental porque significam, hoje, uma forma mais acessível da população aos serviços de saúde. Além da consulta, exames e receita, o paciente ainda sai com o colírio que precisa, custeado pelo próprio hospital", revelou o médico maranhense Ezon Ferraz, que apresentou o Projeto para os pacientes do fórum.

Outro projeto de destaque do HU é o Banco de Olhos, apresentado pelo coordenador, o médico Élcio Cossetti, que destacou principalmente a grande dificuldade do estado em captar córneas para atender a demanda de transplantes. "O primeiro transplante realizado no Maranhão, em 1988, aconteceu utilizando uma córnea vinda de Sorocaba (SP). Hoje, precisamos sempre recorrer a bancos de outros estados, sobretudo a Paraíba e o Distrito Federal", contou Élcio.

Mesmo assim, o trabalho evoluiu consideravelmente desde 2000, quando foram realizados apenas três transplantes. Apenas em 2006, o hospital já realizou 39 cirurgias de transplante de córnea. Para se ter uma idéia, o ano de 2004 registrou apenas 3 doações. Nos dois anos seguintes, o número de doadores somou 26. Ou seja, em três anos, o Banco de Olhos conseguiu captar apenas 58 córneas. "Além de ser um número extremamente tímido, o processo de triagem das córneas captadas ainda teve que descartar algumas que foram reprovadas nos testes de praxe", lamentou o coordenador do Banco de Olhos do Maranhão, Élcio Cossetti.

Esperança - Uma esperança para quem espera na fila pelo transplante pode ser o Banco de Olhos que o Lions Clube de São Luís está montando no bairro do Renascença, em uma área doada pela Prefeitura de 1800 m². O custo da obra, até agora, já ultrapassou os R$ 100 mil, e a entidade maranhense contará ainda com uma doação de US$ 75 mil para a aquisição de equipamentos, vindos do Lions International.

Segundo o diretor, a iniciativa faz parte de um programa internacional da entidade chamado "Visão em Primeiro Lugar", e permitirá que o Banco de Olhos maranhense possa contar com a captação de córneas em instituições e hospitais tanto nacionais como internacionais. "Precisamos deixar alguma coisa para as gerações que estão chegando", afirmou Lúcio Cunha.

Outra esperança é para os pacientes diabéticos, que já representam 8% da população brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde. São cerca de 14,5 milhões portadores da doença, sendo que mais de 240 mil sequer sabem que sofrem desse mal.

Um dos resultados do problema é o alarmante índice de amputações provocadas pela Diabetes. De cada 10 pacientes submetidos a amputação no Brasil, 8 deles são diabéticos e a doença foi a responsável pelo procedimento.

São pessoas como Acataércio dos Santos, que quase perdeu por completo a visão. Hoje, presidente da Associação dos Diabéticos do Estado do Maranhão, o aposentado fez questão de dar um depoimento emocionado durante o Fórum Social do XV Congresso Norte Nordeste de Oftalmologia.

Ele participa do Mutirão da Retinopatia Diabética, realizado pelo Hospital Universitário, e que já atendeu, até o ano passado mais 18,7 mil pacientes, e já realizou mais de 29 mil procedimentos com laser, totalizando quase 50 mil procedimentos.

Os atendimentos acontecem sempre no primeiro sábado de cada mês e incluem, além de consultas e exames, palestras com assistentes sociais e médicos oftalmologistas, agendamento de sessões, dentre outras atividades. Iniciativas governamentais e privadas - Além das iniciativas do Hospital Universitário, o Fórum Social abriu espaço também para experiências governamentais e privadas.

O Projeto Saúde na Escola, coordenado pela professora Ceres Fernandes, e ligado à Secretaria Estadual de Solidariedade Humana, apresentou os resultados de dois anos de atividades (2004 - 2006), quando ampliou sua área de atuação de 21 para 91 municípios do Estado, atendendo crianças e adolescentes até a 8ª série do Ensino Fundamental; primordialmente aquelas matriculadas em escolas municipais em cidades com baixo nível de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).

"Um dos destaques do projeto é que temos uma ótica para fabricação de lentes e as armações dos óculos são escolhidas pelas próprias crianças atendidas", contou o médico José Maria do Amaral Filho, que apresentou o projeto no evento.

Entre 2002 e 2006, o projeto realizou, apenas na Grande São Luís, mais de 600 mil testes de acuidade visual, entregando mais de 364 mil óculos. Além disso, foram realizados mais de 3 milhões de atendimentos nas áreas médicas englobadas pelo projeto: oftalmologia, odontologia, otorrinolaringologia e dermatologia sanitária. Somente na área oftalmológica, foram 900 mil atendimentos.

Por fim, a gerente de Saúde do Sesi-MA, Evaldiva Fernandes, apresentou o projeto batizado de "Sesi e Cidadão - Uma parceria de visão", que significou um investimento de mais de R$ 10 milhões para construção e implantação de uma unidade móvel que contém consultório oftalmológico, e um sistema modular de fabricação de lentes. "O paciente consultado na unidade móvel já tem seu óculos fabricado no mesmo dia da consulta", explicou a gerente.

O Maranhão é o segundo Estado a receber o projeto, que começou em Pernambuco, e visa atender primordialmente trabalhadores da indústria e seus dependentes. "Mas estamos ampliando o atendimento para comunidades, prefeituras, entidades de saúde, entre outros", disse Evaldiva Fernandes.

Troca de Experiências com outros estados - As experiências maranhenses foram recebidas com atenção e aplausos. "Esta é uma iniciativa que deve ser copiada por todos os estado brasileiros porque mostra a importância da responsabilidade social também dos profissionais médicos", afirmou o presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, Harley Bicas.

Além do Maranhão, foram apresentadas também as experiências bem sucedidas da Saúde Pública Ocular no Piauí, apresentadas pelo Secretário Municipal de Saúde, Orlando Ribeiro Gonçalves, pioneiro em vários projetos naquele Estado.

Foram destacados os projetos "Acuidade Visual do Escolar", criado em 1971 (transformado, mais tarde, pelo governo federal no Projeto "Olho no Olho", desenvolvido em conjunto pelo Ministério da Saúde e Conselho Brasileiro de Oftalmologia), Mutirões do Olho Diabético, Catarata e Glaucoma, além de iniciativas voltadas para públicos específicos como os mutirões de saúde ocular para costureiras e bordadeiras e carroceiros.

O XV Congresso Norte-Nordeste de Oftalmologia encerrou suas atividades oficialmente em uma grande festa realizada na noite de ontem, na casa de eventos Aliança Park Show, no bairro do Turu. A festa foi animada pelo Bloco Tradicional Os Foliões, o cantor Roberto Ricci e a banda All Times.

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