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ESPAÇO URBANIDADE - Festa para duas meninas ludovicenses

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Data de Publicação: 9 de setembro de 2006
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Andréa Cordeiro Duailibe*

Duas irmãs sentam-se uma em frente à outra, coluna ereta. Dão-se as mãos. A primeira possui cerca de quatro vezes a idade da outra e, mesmo assim, se dão muito bem. Mera questão matemática? Não. Apenas uma maneira diferente de enxergar São Luís, à luz da poética espacial.

]As mãos dadas são pontes e mostram uma relação de cumplicidade e de interdependência. De fato, uma não vive sem a outra. A irmã mais velha, mais experiente, carrega consigo uma bagagem de história e de legado que aos poucos vai sendo transferida a mais nova. Jovem impetuosa, a mais nova aponta um futuro presente e, ainda aos tropeços, tenta acertar.

]O mês de agosto foi repleto de eventos importantes para os cidadãos de São Luís. Realmente lamentei o fato de ter sido obrigada a recortar minha participação em pequenos pedaços, priorizando assuntos, espremendo horários. Mas, ao fim de tudo, o saldo foi positivo.

]Reporto-me, mais uma vez, ao I Encontro Internacional de Preservação de Bens Culturais em São Luís. Na oportunidade, foi possível reconhecer nesse encontro mais um importante movimento no sentido de consolidar a forte vocação turística de São Luís, a partir de seu patrimônio, que já é da Humanidade.

]Tivemos o privilégio de presenciar momentos sublimes, uma miscelânea de histórias interessantes, nada “lineares”, segundo as palavras do próprio Luís Phelipe Andrés. Mas, afinal, que história em nossas vidas foi totalmente “linear”?

]Idas, vindas e interrupções são inerentes ao processo histórico, porque mesmo os heróis também hesitam, erram para em seguida acertar, até choram “trancadinhos” em seus gabinetes - e ainda há aqueles que, apesar das aparências, nem foram tão heróis assim...

]As histórias são sempre compartilhadas, envolvem muitos atores, muitas versões. Mudam a cada instante, principalmente quando se trata daquelas que envolvem temas mais relevantes para a Humanidade. Tudo depende do ponto de vista de quem as conta...

]Portanto, não vejo problema no que não é retilíneo nem homogêneo, mesmo porque, que arquiteto, em sã consciência, veria problema nisso? Assim se constituem as cidades, de forma não linear, e São Luís, nesse sentido, não foge à regra.

]Por um lado, o conceito de patrimônio vincula-se ao sentimento de legado que nos é passado e que por si só o legitima. A tal ponto que se torna meritória toda e qualquer preocupação em conservá-lo. Por outro, a busca incessante por preceitos de interesse social e por medidas que possam estabelecer pactos necessários à viabilização de uma cidade sustentável.

]Pieguices à parte, é preciso entender que o passado não anula o presente; ambos se complementam.. Este é um dos princípios que devem nortear os mecanismos de planejamento e de ordenamento na execução e no acompanhamento do desenvolvimento urbano.

O processo de revisão de nosso Plano Diretor tem sido participativo, o que demanda esforço e tempo. Em conseqüência, os resultados que temos obtido no geral têm sido realmente positivos, a despeito das pressões políticas de alguns segmentos.

Penso que o Estatuto da Cidade precisa ser seguido rigorosamente por todas as cidades brasileiras. Somente assim os Planos Diretores se aproximarão ao máximo da realidade, buscando soluções específicas e viáveis para as mesmas. Sei que a missão torna-se difícil em função da dificuldade que os municípios têm encontrado em cumprir os prazos estabelecidos pelos respectivos estatutos.

Ainda assim, fica a esperança de que nossas autoridades optem pelo bom senso e pela sustentação dos preceitos básicos do Estatuto da Cidade.

Muitas cidades européias e em todo o mundo desenvolvido também cresceram mediante seus planos pré-definidos. São organizadas e refletem a alma de seus povos. Reitero, por isso, a assertiva de que se não precisamos “caminhar de forma retilínea”, também não precisamos ser moldados pela “forma dos outros”. Afinal, se não existe um só ser humano idêntico ao outro, como poderíamos imaginar uma cidade capaz de adotar soluções iguais às de outras?

Morar em uma metrópole provinciana é, sim, um privilégio. Permite-nos sonhar com o futuro sem perder a referência do passado. Às duas meninas, um feliz aniversário!

* Arquiteta e Urbanista, professora do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual do Maranhão – andrea.duailibe@elo.com.br

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