O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, cancelou sua agenda após a publicação da carta aberta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O documento, que fez críticas à postura do PSDB em relação ao senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) - acusado de fazer caixa dois na campanha de 1998 - dividiu os tucanos.
A agenda inicial de Alckmin previa uma caminhada pela região de Mauá, na Grande São Paulo, em conjunto com o candidato ao governo paulista, José Serra. Era sua única agenda pública de ontem, 8.
Segundo o comitê de campanha, ele teve que sanar um problema de última hora com o programa de horário eleitoral e passou o dia inteiro gravando.
Coincidência ou não, o "sumiço" de Alckmin ocorreu logo após a divulgação da carta de FHC, que também fez críticas à administração tucana em São Paulo.
"[Em São Paulo] Nunca se prendeu tanto. Resultado: o sistema prisional está abarrotado e, há que se reconhecer, não foi capaz de dar tratamento adequado à massa de presos", escreve FHC, em uma declaração sobre a qual o presidenciável seria fatalmente questionado.
Serra, por sua vez, manteve a agenda, mas evitou comentar a carta de FHC alegando não tê-la lido. Mesmo sem ler o documento, Serra disse que FHC é uma pessoa de peso dentro do partido e suas opiniões "são sempre muito importantes".