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Editorial
Quem tem medo do segundo turno?

Quem tem medo do segundo turno?

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Data de Publicação: 9 de setembro de 2006
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Há muitos eleitores que prefeririam que as eleições no Brasil fossem decididas apenas em um único turno. O que parece ser uma opção mais prática e rápida para decidirmos os rumos políticos do país, dos estados e dos municípios, uma eleição que ocorre apenas um em turno é, na verdade, um risco do ponto de vista da vontade democrática da população.

Foi com a redemocratização que surgiu a idéia de segundo turno no Brasil, tendo como objetivo fundamental fazer com que a maioria dos eleitores se sinta representada pelo governante eleito, e evitar situações como a da eleição de Juscelino Kubistchek, em 1955, onde obteve apenas 33,82% dos votos válidos.

O segundo turno, além de garantir e dá maior legitimidade ao eleito com a maioria dos votos válidos, ele força uma maior exposição de idéias e concepções entre os candidatos durante a campanha. É no segundo turno, inclusive, que os partidos recompõem com outras forças políticas entre outros atores sociais.

A rigor, quem ganha com o segundo turno são os eleitores que poderão escolher de forma mais democrática o seu candidato, e o seu programa de governo que será implementado nos próximos quatro anos nos diferentes níveis de governo. Por mais que uma eleição decidida em único turno possa demonstrar força de determinado agrupamento político, ela não permite uma maior mobilização das diversas classes sociais em torno de um projeto nacional ou estadual.

Num estado como o Maranhão, marcado por profundas e históricas diferenças sociais, se uma eleição como essa desse ano, for decidida logo no primeiro turno, será uma tragédia para a vida política do estado. Seria a consagração de um único modo de gerir os negócios, de uma prática política carcomida que já vem mostrando, há décadas, que não atende mais aos reais e urgentes interesses do povo maranhense.

Claro que o eleitor é soberano na sua decisão na hora de escolher, mas nunca é demais alertamos para os riscos que será passar uma espécie de cheque em branco para forças que não estão dispostas a inverter as prioridades do nosso estado. Sim, porque eleger essas forças ainda no primeiro turno das eleições, equivale a dar um cheque em branco para quem já cometeu vários estelionatos eleitorais na história política do Maranhão.

A democracia pressupõe disputas, debates, retóricas e confronto de projetos de sociedade, e isso, só teremos, efetivamente, no segundo turno, quando as propostas aparecem menos difusas, onde os atores político e sociais aparecem posicionados de forma mais clara entre um e outro programa de governo.

Só tem medo do segundo turno que não possui brio democrático, quem tolera ter que expor idéias ou mesmo se expor às exigências da sociedade. O segundo turno amedronta quem tem dificuldades de se desprender do poder, enfim, de quem não consegue sobrevida sem o bom e velho aparato do estado.

Pode-se afirmar, inclusive, que o segundo turno é a ‘hora da verdade’, tal como num jogo de futebol, onde um determinado time sai como uma vantagem de três gols sobre o adversário no primeiro e tempo da partida, e esse consegue uma virada espetacular no segundo.

Definitivamente , o segundo turno é o momento mais democrático de uma eleição. Aliás, é uma outra eleição, inteiramente nova, com horário de TV e rádio é igual para os dois candidatos e leva quem tiver melhar capacidade e maior competência frente ao eleitor.

Dessa forma, por mais que produza pesquisas que nem se produz pão francês, tentando fazer passar ao povo maranhense que a eleição para o governo do Maranhão será decidida em único turno, temos a convicção que o segundo turno não somente será uma realidade no estado, como será benéfica para o estado.

Robert Lobato – Administrador de Empresas

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