O título é uma paródia da famosa música composta por Miguel Gustavo para a campanha de governador do senador Sarney nos anos 60. Resolvemos utilizá-la para simbolizar o sentimento que move milhões de maranhenses que irão às urnas no próximo dia 1° de outubro.
O segundo turno já é tido como favas contadas, e, segundo se sabe, até por gente ilustre que integra o clã Sarney. Aliás, a única figura integrante do grupo Sarney que ainda fala em eleição decidida no primeiro turno é Ricardo Murad, e, por isso mesmo, não estaria sendo levado a sério pela grande família.
Uma outra preocupação que estaria tirando o sono do velho senador pelo Amapá, José Sarney, é a situação do mais novo e fiel aliado, o ex-governador Cafeteira, que estaria se queixando de pouca ‘bala’ para a sua campanha a senador.
Seja como for, cresce a expectativa de vitória de uma das forças anti-oligarquia nas próximas eleições. As próprias pesquisas ‘ibopeanas’ já não são mais suficientes para mascarar a certeza de que haverá segundo turno para a eleição de governador.
Da mesma forma, e pelo andar da carruagem, tudo leva a crer que João Castelo vencerá as eleições para o Senado. Talvez por chamar maior atenção dos eleitores, a eleição pra governador acaba ofuscando, por assim dizer, uma das disputas mais acirrada para senador que o Maranhão viu. Não querendo desconsiderar, ou mesmo menosprezar os demais candidatos ao cargo de senador pelo Maranhão, está claro que a vaga será decidida entre Castelo (PSDB) e Cafeteira (PMDB).
Mas o que significa politicamente para o Maranhão a disputa entre essas duas grandes lideranças estaduais? Em primeiro lugar, é uma eleição cuja simbologia está muito presente. Uma eventual vitória de Castelo, por exemplo, significa uma fragorosa derrota ao ‘esquema Sarney’, além de despertar um sentimento na população de que é possível, também, derrotar a candidata do PFL, Roseana Sarney Murad.
Mas não é só isso. Essa eleição pro senado é o confronto aberto e direto de um ‘rebelde’ contra um ‘pacato’. Um representa o rompimento com o grupo ao qual já foi ligado; e o outro, ao contrário, é imagem da covardia, da capitulação.
Se Castelo, hoje se encontra do lado de setores que entendem não ser mais possível o Maranhão continuar sob o domínio de um império que mistura aspectos oligárquicos e dinásticos, Cafeteira, essa figura pra lá de folclórica, preferiu dá marcha ré e ficar do lado de quem sempre demonstrou pavor, pelo menos era o que deixa parecer.
Uma outra coisa: quando se vota num candidato a senador, estamos votando também no seu suplente. E Quem é suplente de Cafeteira? Você não sabe? Nem eu, caro leitor. Isso é muito ruim, pois o suplente de hoje pode ser o titular de amanhã, e, ao que consta, o cargo de senador é importante demais para ficar se entregar a qualquer um. Mas isso é um outro assunto.
Dessa forma, se é verdade que está em curso uma das eleições mais atípicas da história republicana do país, não é menos verdade que, no caso do Maranhão, teremos uma das eleições mais disputadas, tanto para o governo, quanto para o senado.
Que venha então o segundo turno! Pois foi nos foi que o voto é lei, e quem sabe, depois de quarenta anos, que o povo não cantará, parodiando Miguel Gustavo, “meu voto é minha lei, fora Sarney”.
Robert Lobato – Administrador de Empresas/8827-2843