Lideranças Sindicais da Região do Alto Turi estão denunciando às entidades dos movimentos sociais e com atuação na área dos direitos humanos, e, ainda, ao Ministério Público, que fazendeiros de Zé Doca estão adotando, nos últimos meses, uma nova estratégica para invadir, queimar casas e despejar famílias de pequenos produtores em acampamentos situados em áreas de propriedade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária: o uso de milícias armadas. Essas milícias são formadas por jagunços mascarados e fortemente armados.
Um grupo de sindicalistas está desde ontem em São Luís para clamar por justiças e pedir providências às autoridades. Os pequenos agricultores estiveram ontem, 4, na Superintendência Estadual do Incra, na Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Maranhão (Fetaema) e na redação do Jornal Pequeno para denunciar os conflitos ocorridos nos acampamentos "Quadra Cristalina" e "Terra é Vida", em Zé Doca, e "Nova Cannã", em Araguanã.
O grupo é formado pelo presidente do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) do município de Zé Doca, José Raimundo Mendonça (Cabeçinha); o presidente do STTR de Araguanã, José Henrique Oliveira Araújo; a presidente da Associação de Pequenos Produtores do acampamento "Quadra Cristalina" (Zé Doca), Márcia da Conceição Oliveira; a presidente da Associação do acampamento "Terra é Vida" (Zé Doca), Jevanei Silva Pereira; o presidente da Associação de Nova Canaã (Araguanã), Manuel Elison Simas, além de Josué Silva e Antonio Marcos Diniz Sá.
Segundo os denunciantes, o grupo de jagunços (milícia armada) que está agindo nos acampamentos da Região do Alto Turi é um só e a forma como eles estão atacando as áreas do Incra tem sido a mesma, inclusive nos três acampamentos em questão. "Eles chegam mascarados e fortemente armados, sem ordem judicial de despejo. Invadem a área, saem atirando para todos os lados criando um clima de pavor entre as famílias. Queimam casas, plantações e até animais - como fizeram com um cachorro em Nova Canaã, tomam animais de alguns trabalhadores rurais, insultam e humilham as pessoas, e botam todos para fora da área de forma grosseira", denunciou ao JP, o sindicalista 'Cabecinha', reforçado pelo advogado Hibernon Marinho, da Assessoria Jurídica da Fetaema - que esteve semana passada na região.
Dentre os fazendeiros citados pelos sindicalistas que estão usando milícia armada para expulsar agricultores familiares das terras do Incra estão: Benedito Alves Sena (Bitinho), João Pires Leal e Silas Noronha.