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GeralBancos: assaltantes n° 1 do povo

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3 de setembro de 2006
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Opinião

Robert Lobato*

É famosa a frase do poeta alemão Bertolt Breach que diz: “o que é roubar um banco perto de fundar um banco?”. O questionamento de Breach é atualíssimo, visto que nunca os bancos foram tão vorazes por dinheiro como atualmente.

Não seria exagero ou mesmo radicalismo afirmar que os bancos são o assalto permitido, legalizado. Não conheço outra instituição tão ou mais covarde quanto um banco. Além de assaltantes formais, os bancos são péssimos prestadores de serviço, e não é por acaso que constam entre as empresas com maiores índices de reclamações nos Procons pelos quatro cantos do país.

Paga-se de tudo para os bancos, até o que se respira enquanto estamos nas filas intermináveis ou quando esperamos ‘o sistema voltar’ em frente aos terminais eletrônicos. Se muitos funcionários e cidadãos inocentes não corressem perigo de vida, soltaria foguetes todas as vezes que houvesse assalto a um banco.

Lembro que até um tempo desses, as críticas quanto aos lucros desenfreados dos bancos eram dirigidas mais aos bancos particulares. Hoje, mesmo os chamados bancos oficiais já não fazem cerimônia para assaltar os cidadãos que eles chamam de clientes.

Para termos idéia do tamanho do assalto que povo é vitima todas as vezes que precisa de um banco, basta analisarmos os dados obtidos através do Sindicato dos Bancários de São Paulo pela jornalista Elizabeth Lorenzotti, em matéria publicada na revista Sem Terra, do MST. Vejamos:

- De 1994 a 2004, os lucros dos bancos cresceram 1.079%, enquanto as despesas com pessoal aumentaram apenas 289%.

- As tarifas são a terceira maior fonte de renda dos bancos. No início da década de 90, essas receitas correspondiam a 20% do que se gastava com funcionários. Hoje correspondem a 130% e, em alguns bancos, chegam a 180%.

- A base de correntistas do Bradesco cresceu 6,5% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2004. Entretanto, as receitas de serviços e tarifas cresceram quatro vezes mais 27%. Os R$ 3, 4 bilhões cobrados dos clientes bancaram em quase uma vez e meia todas as despesas com pessoal, entre as quais se incluem aquelas com indenizações pelas milhares de demissões.

- A taxa média de juros do cheque especial cobrada pelos bancos em julho (2005) estava em 8,25% ao mês, ou 148% ao ano. Enquanto isso, a perspectiva de inflação ao ano estava em pouco mais de 5%. As pessoas acabam se endividando desesperadoramente no cheque especial. Entretanto, para quem aplicou em um fundo de investimento, o banco pagou pouco mais de 1% ao mês, e na poupança, 0,8%.

São revelações chocantes, para dizer o mínimo, as informações acima. E tudo acontece com a maior naturalidade, dentro da lei, debaixo da barba, literalmente, daquele que um dia jurou e prometeu acabar com a farra do sistema financeiro nacional.

Se entrarmos nas questões trabalhistas, veremos a face autoritária e até fascista dos bancos. Tem de tudo, caro leitor: exploração da jornada de trabalho, assédio moral, não pagamento de diretos trabalhistas, demissões injustas, perseguição de lideranças sindicais, dependências impróprias para o desempenho das tarefas dos bancários, exploração de estagiários etc., etc., etc.

Dessa forma, não há como utilizarmos outro adjetivo para qualificarmos os bancos senão o de assaltante do povo. Pode até haver, mas não consigo lembra no momento outra instituição mais gatuna, matreira e sacana do que os bancos. Aliás, vou articular a fundação de uma associação de clientes de instituições financeiras para infernizar a vida dos bancos e garantir os direitos de nós, cidadãos e cidadãs, que estamos cansados de sustentar essas organizações parasitas.

Quem quiser ajudar na construção dessa idéia é só entrar em contato.

Robert Lobato - Administrador de Empresas - 88272843

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