JOSÉ ANTÔNIO ALMEIDA GARANTE
José Antônio Almeida, secretário especial da Executiva Nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB), 1º vice-presidente do Diretório Estadual, ex-deputado federal analisa nesta entrevista temas como os desafios enfrentados pelo partido com a Cláusula de Barreira; o caráter atípico desta eleição; o impacto da candidatura a governador de Edson Vidigal e a mudança no perfil do eleitor que fiscaliza de forma mais consciente as atuações dos parlamentares. Almeida considera indispensáveis avaliações como as realizadas pela Folha de São Paulo que analisam a quantidade de projetos apresentados por cada deputado, assim como, as feitas pelo Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) que elege os "cabeças" do Congresso Nacional, os 100 parlamentares mais influentes do Legislativo.
1- O presidente nacional do PSB, Roberto Amaral quando esteve em São Luís estimou que nestas eleições, o partido atinja mais de 5 milhões de votos no Brasil e acima de 300 mil no Maranhão. O senhor acredita nesta possibilidade?
Almeida - Essa é a minha convicção. Temos grandes nomes, como Ciro Gomes, Luiza Erundina, dentre outros, que receberão votações consagradoras. E temos, em geral, boas chapas para deputado federal e deputado estadual, como ocorre aqui no Maranhão. Para mim, o PSB do Maranhão vai atingir o universo de 350 mil votos, devendo manter, no mínimo o número de deputados federais (2). Mas, a nossa perspectiva é crescer, elegendo quatro federais, dependendo do resultado da coligação, podemos atingir a marca de cinco deputados..
2 - Como será realizado o calculo da cláusula de barreira? O PSB corre o risco de acabar?
Almeida - Em hipótese nenhuma. Esse cálculo é feito pelo número de votos obtidos pelos candidatos a deputado federal, e pelas respectivas legendas, igualmente para deputado federal. São dois requisitos cumulativos, como se diz na linguagem jurídica, isto é, o partido tem que preencher os dois requisitos. O primeiro deles é a obtenção de mais de 5% do eleitorado nacional (votos válidos), para deputado federal. O Brasil possui mais de 125 milhões de eleitores. Estima-se que os votos válidos, descontada a abstenção, alcancem um número próximo a 100 milhões. Nesse caso, o número de votos para atingir o 5% é da ordem de cerca de 5 milhões, que é a votação esperada pelo PSB no Brasil. O outro requisito, mais fácil de ser alcançado, é de ter 2% dos votos em pelo menos 9 Estados. O PSB tem candidatos a deputado federal em todos os Estados do País, e, desse modo, não terá dificuldades em atingir essa segunda meta.
3 - Com o ingresso do governador, José Reinaldo Tavares e de deputados ao PSB - muitos deles estranhos no ninho - como o senhor analisa a credibilidade do partido no Maranhão?
Almeida - De modo geral, o entrosamento tem sido bom. Em todos os lugares que eu vou, vejo companheiros trabalhando, especialmente os que são candidatos. Infelizmente, porém, alguns prefeitos do PSB ainda não se conscientizaram da necessidade de apoiar apenas candidatos do Partido, o mesmo acontecendo com alguns candidatos a deputado estadual. Nesse sentido, a Executiva Nacional já baixou resolução no sentido da obrigatoriedade dos filiados apoiarem candidatos a deputado federal do PSB - afinal, como foi dito, trata-se da sobrevivência do partido - e alguns companheiros, que não estão seguindo essa resolução, correm risco de punição.
4- Os que se intitulam oposição no Maranhão creditam o atraso do Estado a família Sarney. O senador, José Sarney (PMDB-AP), mantém há 40 anos, o domínio político no Maranhão e possui influência na política nacional, tido atualmente como um dos conselheiros do presidente Lula. A permanência do grupo Sarney no Maranhão não reflete inabilidade da esquerda em conquistar o Poder? O que falta?
Almeida - Na verdade, o grupo dominante utiliza, há muito tempo, uma bem montada máquina, apoiada em invejável posição na imprensa local, com a maior televisão, o maior jornal e uma rede extensa de outras emissoras de TV e principalmente de rádio, e, geralmente, o apoio da máquina administrativa do Estado e, no ano 2000, até da Prefeitura de São Luís. No presente momento, deve-se reconhecer a atitude corajosa e altruísta do Governador José Reinaldo, que não só teve a coragem de romper com esse grupo, como também, renunciando à possibilidade de concorrer a outros cargos, o que é prática comum entre os governadores em final de mandato, decidiu ficar no governo até o fim, para não permitir, pela primeira vez em muitos anos, que o poder estadual permanecesse na posse do grupo dominante durante a campanha eleitoral.
5 - Ser especializado em Legislação Eleitoral com ações de destaques nacional já lhe fez vitima de falsos políticos? Explicando melhor são políticos que diante da dificuldade lhe juram fidelidade e apoio político mas depois o abandonam.
Almeida - Isso acontece não só comigo, mas certamente com outros candidatos. No meu caso, geralmente as pessoas tem se arrependido, até porque aqueles que eventualmente foram escolhidos para receber votos em meu lugar se sentem desobrigados com a população do local, valorizando apenas o investimento financeiro que fizeram junto às lideranças políticas do Município.
6 - Valeu a pena o sacrifício de abandonar uma reeleição garantida para deputado federal pela candidatura a vice-presidência da República nas últimas eleições? Qual foi o principal ganho na sua candidatura como vice de Garotinho nas últimas eleições?
Almeida - O principal ganho foi superar para o PSB a cláusula de barreira, e isso atingimos. Além disto, tivemos uma votação significativa: no Maranhão. Atingimos 27% dos votos. No país, conquistamos 15 milhões de votos, ou seja 18% do eleitorado nacional contrariando as expectativas dos políticos tradicionais, e surpreendendo a grande imprensa, que sempre desdenhou dessa candidatura do PSB. Quanto à primeira pergunta, penso que ficou demonstrado a patente possibilidade de reeleição, tanto que fizemos um deputado federal no Estado, mesmo sem a minha presença na chapa. Mas acho importante ter contribuído para um projeto coletivo, que deu ao partido condições melhores de disputa no presente - com aquela votação, o nosso tempo de televisão aumentou consideravelmente, o mesmo acontecendo com nossa quota no fundo partidário - ainda que com sacrifício do meu projeto pessoal, legítimo, de tentar a reeleição.