Nem mesmo a ausência da candidata Roseana Sarney Murad quebrou a disposição dos candidatos no debate realizado pela TV Mirante/Globo. Ao final das duas horas de programa, Edson Vidigal encerrou sua participação emocionando as pessoas que estavam no estúdio. Ele agradeceu a todos que o ajudaram desde a infância de fome e privação até o sucesso como jurista e presidente da segunda maior corte do País, o Superior Tribunal de Justiça.
Da Casa de São Marcos, o governador José Reinaldo acompanhou todo o debate. “O Vidigal venceu claramente o confronto. Ele seguiu o ritmo de sua disparada nesta reta final, que tenho observado por onde passo pelos interiores do Maranhão, falou com conhecimento de causa e com o coração. Ele convenceu”, afirmou o governador, algumas horas antes do acidente de helicóptero em São João do Caru.
Vidigal teve três momentos de maior impacto. Ao se despedir, fez uma homenagem aos parentes e a todos que ajudaram a sua jornada, citou vários nomes e, entre eles, o do candidato a deputado pelo PDT, Neiva Moreira. “Evoco minha mãe, meus irmãos de criação, evoco todos da minha família e todos os que me ajudaram pelo caminho. Quero que todos os maranhenses vejam o que aconteceu comigo, um menino pobre, que passou fome, que chegou até aqui e que pode ser governador do Maranhão. É o mesmo que aconteceu com o presidente Lula: a democracia nos dá essa chance. Só a democracia permite isso, diferente da monarquia, onde só a princesa pode virar rainha”, afirmou, referindo-se a Roseana Sarney. E continuou”: “Agora preciso de todos para essa mudança. Preciso de todos para realizar a revolução no Maranhão”.
Outro momento foi quando respondeu a uma pergunta sobre como combateria a corrupção. Vidigal reagiu com energia: “Vou ser implacável. Ladrão vai para a cadeia. Propina zero, chega de espertalhões. Vamos criar a Ouvidoria Pública, a exemplo do que já é feito pelo presidente Lula, em Brasília. A população poderá usar um disk-denúncia da corrupção.”
O terceiro momento de força do candidato ocorreu no segundo bloco, quando Bentivi questionou o plano de governo de Vidigal, que pretende mudar radicalmente o Maranhão em quatro anos. “Não precisamos de quatro anos, Bentivi. Precisamos de um dia para que nossa revolução comece, com apoio popular. O envolvimento das pessoas mudará a mentalidade maranhense. Vamos mudar para que todos tenham direito a um Estado social, sem donos”, respondeu Vidigal. “A revolução começou com Zé Reinaldo e vamos acelerar o passo. Sem alternância no poder não há democracia”.
Todos os candidatos presentes, como Jackson Lago, Vidigal, Aderson Lago, Saturnino, Bentivi e Marcos Silva denunciaram a situação deixada por Roseana Sarney na Educação, Saúde e infra-estrutura. Jackson Lago afirmou que pretende implantar em todo o Estado seu projeto de saúde, adotado com sucesso em São Luís. “Vamos acabar com o trânsito de ambulâncias pelas estradas do Maranhão e construir os Socorrões pelo interior”, anunciou.
Aderson Lago lembrou que Roseana Sarney “não construiu hospitais e milhares de jovens foram privados do convívio com professores, porque a candidata ausente quis fazer um tele-curso e deixou milhares de jovens sem ensino médio. Nossa juventude vem sendo vítima da falta de escola pública. Hoje temos escolas de ensino médio em todos os municípios, mas no tempo da “candidata ausente” havia escolas em apenas 59 municípios. 158 cidades estavam sem escola”.
Todos também disseram que o asfalto das rodovias maranhenses dissolvem com a chuva. “As estradas precisam de auditoria”, disse Marcos Silva.
Os candidatos criticaram o trabalho de Roseana Sarney como senadora, dizendo que ela participou de apenas 28% das votações em Brasília – o que seria motivo para cassassão, segundo Aderson Lago.
Todos os candidatos denunciaram as privatizações de empresas públicas do Maranhão, incluindo o Banco do Estado e a Cemar. Respondendo a Bentivi, Edson Vidigal também criticou o desempenho da Caema (de saneamento básico) ao longo dos anos.
“É uma empresa deficitária. Quem paga a conta de luz da Caema é a Secretaria da Saúde. O Maranhão está no limite negativo do saneamento básico”.