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Família e vizinhos culpam Cemar por morte de criança em incêndio

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Data de Publicação: 27 de setembro de 2006
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POR OSWALDO VIVIANI

TRAGÉDIA NA VILA CAFETEIRA

Depois de ficar internado cinco dias na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital das Clínicas de Imperatriz, morreu na tarde de segunda-feira, 25, o garoto Marcos Vinícius Araújo, de apenas 3 anos. A criança não resistiu às infecções causadas por queimaduras graves sofridas quando o quarto em que ele dormia numa rede pegou fogo.

Familiares do garoto e moradores da rua Coroatá, na Vila Cafeteira, onde a tragédia aconteceu, culpam a Companhia Energética do Maranhão (Cemar) pela morte do menino. Segundo eles, a causa do incêndio foi um curto-circuito na rede elétrica, que se transferiu para um ventilador que estava ligado ao lado do local onde Marcos Vinícius dormia.

Quarto em chamas – O acidente aconteceu na tarde de quarta-feira, 20. A mãe do garoto, Sônia Maria da Silva Santos Araújo, havia saído para, segundo ela, comprar pão para o café da tarde, num comércio localizado a duas quadras da casa. Além de Marcos Vinícius, estava na residência, de apenas dois cômodos, um outro filho de Sônia – o garoto João Vítor, de 4 anos.

Ele saiu correndo da casa quando notou as primeiras chamas e não se feriu.

O fogo se espalhou rapidamente pelo quarto, destruindo, além do ventilador, dois colchões, um aparelho de TV, um de DVD, um guarda-roupa e um tanquinho.

Uma garotinha percebeu o incêndio e avisou seu pai, que entrou na casa e retirou o menino da rede.

Levado inicialmente para o Hospital Municipal de Imperatriz (Socorrão), Marcos Vinícius foi transferido na mesma quarta-feira para o Hospital das Clínicas. Todos os encargos hospitalares da permanência da criança no HC (que é particular) – além das despesas do sepultamento – foram pagos pela dona de uma casa no bairro Três Poderes, para quem Sônia Araújo trabalha.

Clima de revolta – Ontem, durante o enterro de Marcos Vinícius, no cemitério Parque dos Anjos, o clima era de muita revolta contra a Cemar. Segundo Raimundo José Bezerra, o “Pipoca”, líder comunitário local, são comuns os curtos-circuitos em toda a extensão da fiação não só da rua Coroatá, mas também de outras vias próximas.

“Já chamamos a Cemar várias vezes, mas nunca vieram sequer averiguar o problema”, disse “Pipoca”. “Na minha casa, várias lâmpadas já queimaram por causa desses curtos na rede elétrica”, afirmou Mônica Barbosa, vizinha de Sônia Araújo.

Os moradores disseram que uma funcionária da Cemar – que não se identificou – esteve ontem no local do acidente e isentou a empresa de qualquer responsabilidade em relação ao caso.

Familiares e amigos da família de Marcos Vinícius afirmaram ao Jornal Pequeno que pretendem entrar na Justiça com uma ação indenizatória contra a Cemar.

Em nota sobre o assunto, a Cemar informou que as autoridades competentes de Imperatriz ainda estão investigando as causas do incêndio na rua Coroatá, na Vila Cafeteira.

A empresa garantiu que está acompanhando o caso e esclareceu que realizou inspeção técnica no imóvel citado, onde as características observadas no local remetem para “um problema de caráter interno”.

“Mesmo sem responsabilidade no caso, a Cemar lamenta o incidente”, diz a nota.

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