A Terapia ocupacional tem se utilizado, cada vez mais, de propostas de atuação que vão além dos espaços terapêuticos tradicionais, recorrendo a dispositivos que buscam a ampliação do contexto social, e a melhora da qualidade de vida das pessoas que, por motivos variados, encontram-se em dificuldade de inserção e participação social.
Nesse sentido, teve inicio o projeto de Interiorização da Faculdade Santa Terezinha – CEST, instituição de ensino e pesquisa, que oferece à comunidade entre várias outras formações, o curso de Terapia Ocupacional.
Em seu cotidiano, este curso tem buscado desenvolver um trabalhado no sentido de ampliar a rede de atuação desta área, estando inserido cada vez mais em inúmeras ações sociais desenvolvidas não só no município de São Luis.
Seu primeiro passo para o processo de interiorização foi dado junto à comunidade de Vargem Grande, no dia 18/08/06, com apresentação de seminário para professores do Ensino Regular e para Agentes de Saúde da comunidade, sobre crianças com deficiência mental e distúrbios causados por algumas síndromes.
Em um segundo momento, foi desenvolvido uma ação prática, que transitou em diferentes áreas do conhecimento. Todas referentes aos cursos oferecidos pela IES.
Como uma das formas de viabilizar essas ações, a equipe formada por alunos e professores do Curso de Terapia Ocupacional, além é claro de todos os outros cursos, desenvolveu atendimentos, onde foram realizadas avaliações e orientações aos pais e cuidadores de crianças da comunidade que eram apontadas como tendo necessidades especiais.
A parceria com o campo da Saúde Pública e Educação nos permitiu proporcionar a esta comunidade ações voltadas para as questões do cotidiano, nos mostrando a possibilidade de estar desenvolvendo trabalho semelhante também em outras comunidades.
Em um único dia, os estagiários de Terapia Ocupacional, supervisionados por dois professores, conseguiram avaliar 42 crianças desta comunidade com idades que variavam, entre 0 a 14 anos.
Em 90% dos casos, os avaliados não tinham nenhuma assistência. Alguns pais sequer sabiam o que realmente seus filhos tinham, mesmo em casos como a Síndrome de Down, onde o diagnóstico pode ser feito facilmente, por qualquer profissional de saúde.
Entre os avaliados, 47,9% tinham Deficiência Mental, 16,7% Síndrome de Down, 8,3% Paralisia Cerebral, e em 27,1%, um diagnóstico indefinido, sendo encaminhados para a Neuropediatria em São Luis.
A oportunidade de participar deste projeto foi muito importante para discentes e docentes da instituição. Pois, todos os envolvidos tiveram um momento onde vivenciariam a multidisciplinaridade e a interdisciplinaridade, crescendo tanto como profissional como quanto pessoa.
Prof MSc: Sandra Maria de Medeiros
Coordenadora do Curso de Terapia Ocupacional da Faculdade Santa Terezinha - CEST