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Psicoterapia resgata vida sexual na menopausa

Psicoterapia resgata vida sexual na menopausa

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Data de Publicação: 25 de setembro de 2006
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CONSTANÇA TATSCH

Manter uma vida sexual satisfatória durante a menopausa, para muitas, não é tarefa simples. Estudo realizado pela Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas mostrou que a psicoterapia, além do tratamento hormonal, pode ser importante para ajudar as mulheres a não abandonar sua sexualidade em meio às mudanças.

Foram estudadas 41 mulheres que estavam na transição da menopausa, com idades entre 40 e 51 anos, durante quatro meses. Elas foram divididas em dois grupos: um tomava medicamentos fitoterápicos para diminuir os sintomas, o outro, além dos fitoterápicos, passou a fazer psicoterapia em grupo.

O segundo teve aumento de 47,8% na freqüência sexual em relação a antes da pesquisa, contra aumento de 17,7% do primeiro. A qualidade do sexo também melhorou 16,6% para o segundo grupo, enquanto o primeiro teve pequena piora.

“As mulheres que estão tendo dificuldades sexuais precisam de um apoio focado nessas questões”, diz a psicóloga e professora da USP Heloísa Fleury, autora do estudo. Na terapia, foram abordados temas como desejo sexual, comunicação e intimidade, orgasmos, vínculo conjugal, disponibilidade para mudanças e autoimagem.

Fleury ressalta a importância de questionar a paciente sobre disfunções do parceiro. Segundo ela, se o casal evita falar sobre o assunto pode acabar desenvolvendo, inconscientemente, formas de se evitar.

A psicóloga afirma que mulheres que têm uma vida sexual anterior prazerosa e contínua, têm tendência a manter uma atividade sexual melhor.

De acordo com Fleury, as perdas e mudanças próprias da época também influenciam. “A perda da juventude, os filhos que crescem, essas coisas que acompanham esse momento da vida afetam tanto quanto as alterações hormonais”. Muitas vezes, a função de avó também acaba sendo colocada antes do ‘ser mulher’.

“Já passei da idade de pensar nessa coisa de sexo”. Essa frase é ouvida com frequência pela ginecologista Carolina Carvalho, que coordena o Projeto Afrodite, na Casa do Climatério, da Unifesp, onde se discute a sexualidade feminina. “A mulher chega com a auto-estima em baixa, se sentindo velha, gorda, feia. Ainda há um estigma muito grande, parece que a mulher depois da menopausa só pode ser avó”.

No projeto, além de levantar o amor próprio dessas mulheres, uma equipe multidisciplinar faz avaliação e pode receitar a terapia hormonal, tira dúvidas e oferece atendimento psicológico. Uma fisioterapeuta avalia e ensina exercícios que trabalham a musculatura vaginal, que pode ficar mais flácida com a menopausa.

“É importante resgatar o erotismo. O desejo sexual feminino tem que ser exercitado. Se não está vindo espontaneamente, tem que procurar”, diz.

A médica aborda ainda um tema tabu: “A masturbação tem muita resistência. Menos de 20% das mulheres se masturbam nessa faixa etária. Mas esse é um grande exercício para a sexualidade. A mulher vive mais de um terço da vida na menopausa. É uma fase difícil, mas ela pode descobrir uma nova mulher.”

Cerca de 80% das mulheres sentem sintomas da menopausa, que ocorre, em média, aos 48 anos. Muitos desses incômodos podem atrapalhar a vida sexual da mulher.

O ovário para de produzir os estrogêneos, que são os hormônios femininos. Também há uma queda acentuada na produção de testosterona, responsável pelo desejo. Pode haver uma atrofia genital. Pequenos e grandes lábios ficam menores, e a mucosa que reveste o canal vaginal deixa de ser espessa, elástica e lubrificada, tornando-se fina e seca. Com isso, pode haver dor na relação.

Para as mulheres cuja qualidade de vida é abalada, a terapia hormonal pode ser indicada.“Ela traz inúmeras vantagens, mas alguns riscos. É o caso de colocar na balança”, diz o ginecologista César Eduardo Fernandes, presidente da Comissão Científica da Associação Brasileira do Climatério. Na terapia é receitado estrogênio associado à progesterona e pode ocorrer também a reposição de testosterona.

“Com a terapia, você pode auxiliar muito, deixando com condições parecidas com quando os ovários funcionavam. Mas se a relação está deteriorada, o companheiro não consegue ser atrativo, o vínculo está ruim, a sexualidade está ligada à fertilidade, não há hormônio que resolva sozinho”.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. O que pode ser feito além da terapia hormonal?

As mulheres que não podem ou não querem tomar hormônios, podem usar lubrificantes e cremes à base de estrogênio e exercícios para a musculatura vaginal. Também é importante investir na erotização e abordar os aspectos psicológicos.

2. Quem pode e quem não pode fazer a terapia hormonal? Qual o risco?

Ela é indicada para quem sofre com fogachos, transtornos genitais ou urinários e tem risco de osteoporose. Não podem fazer uso quem já teve câncer de mama, tem comprometimento do fígado, risco de trombose, hipertensão grave, histórico de AVC ou infarto. Há risco de câncer de mama e trombo-embolismo.

3. Qual é o melhor momento?

A hora correta para a terapia hormonal é quando aparecem os primeiros indícios da menopausa como perda da regularidade menstrual e sintomas. Essa é a transição menopáusica.

4. O sexo na menopausa vai ser igual ao da juventude?

Não. O vigor e o tempo necessário para a mulher e o homem não são como antes, mas isso não implica em perda do prazer. É uma fase que pede envolvimento e intimidade. É preciso conversar e se adaptar às mudanças. O sexo é importante também para o casal manter a dimensão homem/mulher.

Depoimento

Aprendi a aceitar a mudança do corpo

Estou entrando no climatério. Na época da terapia, sentia calores, formigamento e nervoso. Num dia estava para baixo, no outro estava bem. Só que não sabia que tudo isso fazia parte da menopausa.

Era difícil falar sobre o assunto para pessoas que não conhecia. Aos poucos, sem perceber, fui me soltando. Eu pensava: tenho que me entender melhor. Hoje encaro de forma totalmente diferente.

Eu aprendi muito, aprendi a como lidar com meus filhos, a me conhecer, a conhecer mais meu marido, e que meus problemas não são únicos.

Também aprendi a aceitar a mudança do corpo. Fui avó com 36 anos e fiquei chateada. De repente deu a impressão que estava envelhecendo mais rápido. Eu me olhava no espelho e me via pintando o cabelo. Eu dizia já sou vó, e de cabelo branco! Olhava minha pele, engordei 15 kg bem rapidinho, demorei para me aceitar. E tudo isso para entender que os anos passam, mas que não precisa deixar de se amar.

Eu pensava que o sexo não ia ser a mesma coisa, que depois que passa uma certa idade já não fica mais tão bom. Mas não é isso, a gente não tem preocupação com os filhos, de engravidar, aí que tem que ser melhor, não tem motivo para não ser bom.

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