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Quatro anos são suficientes para mudar o Maranhão, afirma Vidigal

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Data de Publicação: 24 de setembro de 2006
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O candidato da coligação O Povo no Poder, Edson Vidigal, se nega a atacar os adversários, mas não esconde as diferenças entre ele e seus adversários. A pobreza e o atraso, tristes marcas que identificam o Maranhão no cenário nacional, são, segundo ele, "filhos da pobreza política" em que vivem as lideranças do Estado. Ao propor a mudança da cultura política e suas práticas, Vidigal afirmou que é possível tirar o Maranhão do fundo do poço em quatro anos desde que "façamos também o nosso dever de casa". Ou seja, transformar o governo em exemplo de ética e eficiência, de forma a tornar o Estado atrativo para financiadores e investidores

Pergunta - Por que o sr. acredita no segundo turno?

Edson Vidigal - Porque há uma sintonia muito forte entre o que eu digo, proponho e represento com o que as pessoas esperam, desejam e necessitam. Essa comunhão se reflete nas ruas, por todo lugar por onde ando, pelo carinho e pelo número de pessoas que vêem ao meu encontro. Há no Maranhão um enorme cansaço da disputa política aqui instalada há anos. De um lado, temos uma oligarquia com práticas típicas do que no Brasil se chamou coronelismo e que tem referências na Europa medieval. É o poder despótico que ignora o interesse coletivo e usa as políticas públicas como ferramentas de satisfação dos interesses de grupo. De outro lado, como tradicional adversário, temos um homem honrado e honesto, mas que não representa mais o novo, ou seja, não simboliza mais a mudança tão desejada. Minha candidatura, meu plano de governo e as práticas políticas que proponho são a única e verdadeira novidade. As pessoas já perceberam isso e essa sintonia entre eleitores e a minha candidatura só não aparece nas pesquisas, encomendadas por esses dois grupos adversários. Acho que vamos ter uma surpresa no dia 1º de outubro.

Pergunta - O que o diferencia dos outros candidatos?

Edson Vidigal - Quando você precisa atravessar um deserto ou uma floresta cheios de perigos e trilhas falsas, em quem você confiaria para guiá-lo, em alguém que conhece o lugar pelos livros ou em quem nasceu e cresceu no lugar? A questão é essa: eu nasci no meio do maior problema do Maranhão, ou seja, a pobreza. Pelo estudo e a perseverança, consegui sair do Beco do Urubu e ganhar o mundo. Pelo trabalho intelectual, consegui compreender toda a gama de informações e sentimentos que carregava na alma sobre o lugar onde nasci. Hoje, com a maturidade desses 62 anos de caminho percorrido, tenho a visão da realidade como um todo: a vivência do lugar e a compreensão do lugar. Por mais que estude e se aprofunde, um líder jamais conseguirá entender o que sente a multidão de excluídos se não foi um deles. A minha candidatura é, na verdade, é a síntese disso tudo, é a vontade de devolver ao Maranhão, em serviço, tudo o que ele meu deu.

Pergunta - Que revolução é esta que o sr. vem pregando em seu programa eleitoral e nos discursos?

Edson Vidigal - É o resultado do que acabei de dizer. A pobreza material, social e econômica, é filha da pobreza política. Enquanto não mudarmos as práticas políticas, canalizando todas as energias do governo para a satisfação do bem estar coletivo não sairemos do lugar. Não tenha dúvida: o atraso do Maranhão não é do seu povo, é de suas lideranças. O povo, na verdade, é vítima da tirania da prioridade que se dá aos interesses mesquinhos da classe política. Quando um governante extingue a Secretaria da Agricultura e a Emater num Estado agrícola, faz despencar a produção e aumentar o êxodo de maranhenses está servindo a que interesses? Certamente, não é o interesse público. Quando um governante demite uma diretora de escola para atender ao desejo de um deputado, está servindo a que interesse? A resposta é a mesma. A revolução que proponho é a mudança dessas práticas políticas. No meu governo, o bom político, ou seja, aquele que influencia as políticas públicas para atender as necessidades dos seus eleitores, terá por benefício o reconhecimento do eleitorado e a reeleição. E ponto final.

Pergunta - É possível, em quatro anos, tirar o Maranhão da situação de pobreza e atraso em que se encontra?

Edson Vidigal - É viável, mais que nunca é viável. Há, nos tempos atuais, uma oferta de financiamento como não havia no passado recente. O governo federal tem programas e recursos para o saneamento, habitação, educação, saúde e outras áreas vitais. Existem também as fontes externas, como o Banco Mundial, o capital privado procurando mercados para investir, além do próprio orçamento do Estado. Mas, antes, precisamos fazer o dever de casa. É preciso que a transparência das contas públicas e a eficiência do poder público se transformem em realidade. A prestação de contas tem que estar na internet para todo mundo acompanhar, os instrumentos de auditagem interna de governo têm que funcionar para valer e as secretarias e órgãos públicos têm que trabalhar com metas definidas para ter eficiência medida. Fazendo isso, teremos como mostrar aos financiadores e investidores que somos gente séria e confiável e que o dinheiro que eles puserem aqui frutificará, renderá e dará a eles o retorno que procuram. Além do mais, como presidente do Superior do Tribunal de Justiça, me tornei amigo do presidente Lula e conhecido das pessoas que decidem esses financiamentos e investimentos, como os dirigentes do Banco Mundial e os grandes empresários de São Paulo, por exemplo. Por fim, ao fazermos o dever de casa, estaremos fechando as torneiras por onde o dinheiro público desaparece: a corrupção, a inoperância, o desperdício e a falta de objetividade.

Pergunta - Quais serão suas prioridades?

Edson Vidigal - Minha prioridade será reduzir a pobreza, mas com inteligência, com estratégia. Precisamos fazer uma guerra contra o analfabetismo porque é o caminho mais eficiente para aumentar a renda e introduzir a pessoa no universo da cidadania. Na área social, todos os meus programas estão voltados para melhoria dos indicadores sociais, condição muito importante para a atração de investimentos. O Bolsa Dignidade é uma forma de, transitória e emergencialmente, aumentar a renda das famílias que já recebem o Bolsa Família, mas a partir do trabalho feito, um dia no mês, para as comunidades em que os beneficiários vivem. O Guerra à Taipa, com a meta de construir 100 mil casas de alvenaria, o Alô Doutor, uma forma de dar orientação profissional por telefone para resolver ou encaminhar corretamente certas urgências de saúde, para uma população de excluídos. O Casa da Creche, que contrata donas-de-casa que tenham espaço físico para receber as crianças de suas vizinhas que precisam trabalhar e não têm onde deixar seus filhos. E por aí vai. Tais programas ajudam a melhorar a vida de imediato porque a fome não espera e o desamparo é a pior sensação que uma pessoa pode ter. Em paralelo, estaremos montando um amplo programa para atração de investimentos, qualificação de mão-de-obra, estímulo às micro e pequenas empresas e apoio aos 50% de maranhenses que vivem no campo, a maior parte deles sobrevivendo da agricultura familiar. Com políticas firmes de assistência técnica e crédito, daremos condições para que desenvolvam suas atividades e permaneçam no campo, onde as ações sociais do governo são muito mais simples e efetivas do que nos bolsões de miséria que se formam nas periferias das cidades. Embalando tudo isso, como a ação de longo prazo mais importante, investiremos prioritariamente na melhoria da qualidade do ensino público. Ninguém sobe na pirâmide social sem educação.

Pergunta - O Estado é o principal agente da incipiente economia do Maranhão. Que papel o sr. reserva para o Poder Público na revolução que propõe?

Edson Vidigal - O poder público será o alavancador do desenvolvimento. Não temos mais o Banco do Estado do Maranhão - cuja privatização compõe outro capítulo triste da nossa história de miséria política -, mas temos aquelas outras fontes de financiamento de que falei. O Estado, porém, preserva as ferramentas e o poder para identificar prioridades, definir políticas e determinar o rumo. Além disso, e do ajuste necessário da máquina pública para que ela preste os serviços ao único patrão que tem - a população maranhense - , precisamos costurar um grande acordo político com as prefeituras dos 217 municípios para que marchemos juntos, sem discriminação, em direção à meta comum, que é o desenvolvimento e a justiça social. Temos desafios demais para desperdiçar energia. O governador será o condutor desse acordo, caberá a ele zelar pelo cumprimento das metas e por construir o ambiente propício para a convivência democrática. Não é possível mais que comunidades inteiras paguem pela disputa entre os líderes políticos. Foi o que aconteceu com o Prodim, financiado pelo Banco Mundial para combater a pobreza no Maranhão e que quase não foi aprovada pelo Senado porque Sarney, Roseana, João Alberto e Edson Lobão não queriam que o adversário José Reinaldo colhesse os frutos políticos decorrentes dos benefícios levados à população mais pobre do nosso Estado. Isso é o retrato da miséria política de que falo. No meu governo, administrarei com todos os prefeitos, sem a perseguição e as ameaças que são a natureza e a tradição da oligarquia maranhense.

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