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Data de Publicação: 24 de setembro de 2006
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MANCHETE DO JORNAL O ESTADO DO MARANHÃO DURANTE A DISPUTA ENTRE CASTELO E LOBÃO

"Não me intimido. Não me curvo. Não me dobro a quem quer que seja", reagiu indignado o candidato ao Governo do Estado da coligação "O Povo no Poder", Edson Vidigal (PSB), ao ser informado pelo advogado e candidato a deputado federal José Antônio Almeida (PSB), do comunicado extrajudicial enviado pelo grupo Ibope na vã tentativa de impedi-lo de questionar a veracidade das pesquisas aplicadas e divulgadas pelo instituto no Maranhão.

Com ameaças explicitas, "sob pena de tomarmos medidas judiciais cabíveis contra V. Sa, tanto na esfera civil como criminal, sem prejuízo de pleitearmos o direito de resposta dentro do seu horário político", redigiram os advogados paulistas do escritório de advocacia Villemor Amaral, que representam o Ibope, pensando em intimidar o candidato Edson Vidigal.

No comunicado, os advogados afirmam que as acusações públicas feitas pelo candidato contra o Ibope sob alegação de "as pesquisas realizadas no Maranhão pelo instituto seriam fraudes, jogo montado, além de manipuladas, solicitam que Vidigal deixe de usar o nome Ibope durante a campanha. Os advogados proíbem o uso do nome Ibope sobretudo quando estiver acompanhado de expressões e juízos de valor depreciativos à respeitabilidade do cliente.

Ibope sem credibilidade - José Antônio Almeida, candidato a deputado federal pelo PSB, diz que a falta de credibilidade nas pesquisas eleitorais realizadas e divulgadas pelo Ibope no Maranhão é reflexo do trabalho desenvolvido pelo instituto no Estado. "Em função disto, o grupo dominante capitaneado pelo senador José Sarney (PMDB-AP) o contrata. O grupo já fora vitima das pesquisas desqualificadas do Instituto", afirmou..

Almeida refere-se à eleição para governador em 1990, época em que o Ibope incluiu na relação das cidades onde foram realizadas pesquisas um município do Estado de Pernambuco, o município do Cabo, muito distante do Maranhão. A única semelhante é que os estados estão situados na região Nordeste. Diante das evidências o Ibope admitiu o erro.

Depois desta mácula, o advogado José Antônio Almeida - após pesquisa em seus arquivos - afirmou ser, no mínimo, questionável a credibilidade do trabalho e a certeza dada pelo Ibope da vitória da candidata do PFL, ao Governo do Estado ainda no primeiro turno; assim como o empate técnico dos candidatos do PSDB e do aliado sarneysista do PTB, na disputa pelo cargo de senador da República.

Crime de falsidade ideológica - Almeida, advogado especializado em legislação eleitoral - rememora que naquela campanha abriu processo contra o Ibope por crime de falsidade ideológica para fins eleitoreiros, conforme previsto no artigo 354 do Código Eleitoral por não fornecer informações corretas e fidedignas solicitadas por adversários, segundo determinava a resolução 16.402 do Tribunal Superior Eleitoral. Foi solicitado ao Ibope que informasse dados e municípios onde foi realizada a pesquisa do dia 14 de novembro de 1990. E não os dados da pesquisa ocorrida em 18 de outubro repassada pelo instituto. "Na época, o ibope se recusou a dar informações. Por quê?, questiona Almeida.

Outro dado que chamou atenção de Almeida foi que das 900 entrevistas realizadas pelo Ibope, 122 ocorreram no dia 14 em São Luís, enquanto nos demais municípios variou entre os dias 13 e 19. O instituto dava como certa a eleição do candidato João Castelo em primeiro turno para o Governo do Estado contra Lobão.

Na época, a Econométrica - empresa maranhense especializada em pesquisa eleitoral - atestava que Edison Lobão ganharia em primeiro turno com 5,5% pontos de vantagem sobre João Castelo "Lembro ainda que a direção da Econométrica colocava à disposição de qualquer cidadão os dados das pesquisas que realizava no Maranhão", diz Almeida.

Montenegro admitiu erro - Em novembro, o diretor do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, mudou o tom do discurso e afirmou em entrevista ao jornal Correio Braziliense, que o resultado das eleições para Governador no Maranhão seria imprevisível. O detalhe é que as pesquisas do instituto apontam que Castelo estaria eleito em primeiro turno com oito pontos de vantagem sobre Lobão.

De acordo com a matéria publicada pelo jornal o Estado do Maranhão, de propriedade da família Sarney, em 21 de novembro de 1990, na página 3, na Editoria de Política, Carlos Augusto Montenegro recuou e admitiu o erro para poupar o instituto de um vexame nacional em relação às pesquisas no Maranhão. José Antônio Almeida relata que ainda na matéria é citado que o diretor do Ibope teria descoberto que as sondagens no Estado estavam sendo escandalosamente manipuladas pelo candidato Castelo.

Almeida cita outro trecho da matéria onde afirma que Montenegro fora informado que seus pesquisadores estavam sendo aliciados por João Castelo, que lhes oferecia hospedagem, transporte e outras regalias, além de escolher a dedo os municípios e as pessoas que seriam entrevistadas. O diretor do Ibope foi cientificado ainda que seus pesquisadores "desfilavam" em carros com propaganda de João Castelo e faziam consultas nas casas dos chefes políticos indicados pelo candidato. Estas atitudes são repudiadas pela Legislação Eleitoral.

"Diante de tais fatos pode-se confiar na credibilidade e transparência das pesquisas eleitorais realizadas pelo Ibope?", questiona José Antônio Almeida. Em seu site o Ibope propala que suas pesquisas são "imparciais, precisas e as informações divulgadas não passam por qualquer tipo de manipulação", Será verdade?

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