Responda, leitor, a este rápido teste: qual jornal no Maranhão inventou um falso defunto chamado Reis Pacheco? Qual jornal que até hoje não publicou uma linha sequer sobre os casos de corrupção nacionalmente conhecidos pelos nomes Pólo de Confecção de Rosário, Salangô, Tele-ensino, Usimar e Lagoa da Jansen, entre outros? Que jornal do país até hoje não informou a seus leitores sobre a prisão do banqueiro Edemar Cid Ferreira e o saque de R$ 2 milhões que seu amigo José Sarney fez no caixa do Banco Santos à véspera da intervenção federal? Se você acabou de chegar a São Luís e não conhece nada daqui, basta perguntar a qualquer pessoa ao lado para saber a resposta.
Por isso, o Jornal Pequeno tem muito orgulho de ser a garantia de acesso às informações que o concorrente sonegou e sonega. Temos 55 anos de vida e de histórias de resistência à última oligarquia que sobrevive no Brasil – mas tem os dias contados - em pleno século XXI. É em nome de todas essas páginas, escritas muitas vezes debaixo de intensa pressão, que este jornal não pode calar sua indignação ao ler no Estado do Maranhão a leviana acusação de ter manipulado pesquisa.
Em respeito a seus leitores, que este jornal sempre honrou com a busca incansável da verdade, apresentamos alguns esclarecimentos sobre a pesquisa Vox Populi, contratada para retratar as intenções de voto dos eleitores maranhenses no final de agosto. O Jornal Pequeno optou por não publicar a pesquisa porque identificou nela o mesmo desvio de amostragem que denunciou várias vezes nas pesquisas do Ibope, contratadas e alardeadas pelo Estado do Maranhão.
Vejamos: os números do IBGE e TSE mostram que 74% dos eleitores do Estado são analfabetos ou analfabetos funcionais e apenas 1% tem ensino superior. Na amostragem da Vox, porém, 45% têm até a 4ª série do ensino fundamental e 32% (!!) teriam ensino médio e superior. Tal amostragem, é fácil de concluir, diz respeito a outro ponto do planeta, mas não ao Brasil e, muito menos, ao Maranhão. Neste domingo, para mostrar a salada das pesquisas, o Jornal Pequeno apresenta uma série de resultados e utiliza os números da Vox Populi para completar o quadro comparativo. Apenas para isso, sem maiores detalhes porque não era este o foco.
Foi o que aconteceu. E para mostrar a diferença de conduta, voltemos alguns dias no tempo, precisamente para a última quarta-feira, 20 de setembro. Leiamos a manchete do Estado do Maranhão: “Sarney lidera disputa pelo Senado no AP”. O texto informa que o senador, segundo um certo GPP, do Rio de Janeiro, teria 48,9% das intenções de voto contra 28,3% de Cristina Almeida, sua concorrente direta. Pasmem: o Ibope havia divulgado poucos dias antes que a diferença era bem menor: 47% a 40%.
O detalhe é que Sarney contratou o GPP para desqualificar o Ibope, contratado, por sua vez, por ele próprio para acompanhar o humor dos eleitores do Amapá! Que, diga-se, não anda dos melhores quando o candidato em exibição tem vasto bigode e continua um estrangeiro em Macapá. O problema é que o Ibope não pode ser desmoralizado pelas urnas e, ao aproximar a data do pleito, tem que ajustar os números à realidade. Para não ser exposto ao ridículo, porém, porque os amapaenses vivem a euforia de uma virada espetacular de Cristina sobre Sarney, o senador não teve coragem de divulgar a pesquisa GPP nos jornais de Macapá da quarta-feira. Mas o velho e sofrível O Estado do Maranhão não se furtou mais uma vez ao servicinho e estampou em manchete uma pesquisa que não interessa a seus eleitores, já que não circula no Amapá.
Resta saber se terá coragem de publicar a última pesquisa Ibope sobre o Maranhão, pela qual Roseana Sarney despencou para 46% das intenções de voto, o que já garante o segundo turno. Façam suas apostas.