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SEBASTIÃO NERY

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Data de Publicação: 23 de setembro de 2006
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A SARAMINDA DO AMAPÁ

Fortaleza - Em 65, José Sarney, brilhante deputado da UDN do Maranhão, saiu candidato a governador. Renato Archer, também deputado, foi lançado pelo PSD, apoiado pelo governador Newton Belo e pelo poderoso senador Vitorino Freire. Sarney achava que Deus continuaria a jogar no time dele. Mas daquela vez parecia estar com Archer. Sarney chamou o diabo.

Pediu socorro a Castelo Branco, primeiro presidente-ditador depois do golpe de 64. Castelo mandou para São Luis o coronel João Batista Figueiredo, que servia no SNI, no Rio, comandado por Golbery. Figueiredo foi para São Luis, não prendeu, mas arrebentou. Exigiu do governador que tomasse a legenda do PSD de Archer. Belo não registrou a candidatura e lançou, como seu candidato, pelo PDC, Antonio Eusébio Rodrigues. Archer na última hora saiu candidato pelo PTB. Era tarde. E Figueiredo lá, arrebentando.

Sarney ganhou e Castelo, maior mau caráter da política brasileira desde Cabral, pagou bem o serviço de Belo: seis meses depois, cassou seus direitos políticos, acusado por Sarney de "corrupção e desvio de verbas".

SARNEY

Exatamente quarenta anos depois, Sarney está querendo chamar o diabo de novo. Deu-se o revertério no Amapá. A reeleição de senador, que parecia uma consagração, encroou. O Ibope divulgou pesquisa lá, no fim de semana: Sarney, que começou com 70%, já caiu para 47% e a jovem e bela negra Cristina Almeida, do PSB, em pouco tempo subiu de 10% para 40%.

Sarney desesperou-se. Demitiu toda a equipe de televisão e campanha, que tinha levado de Brasília, e arranjou outra às pressas. Vinha fazendo uma "campanha de ex-presidente". Agora, segue a lição de Paulo Betti: mete a mão na massa, dobra cabos eleitorais e adquire votos a qualquer preço.

Aliado do governador Waldez, candidato à reeleição contra Capiberibe, Sarney tem feito no Amapá o que os coronéis do Nordeste não fazem mais. Sua adversária é funcionaria concursada da Assembléia. Pediu férias para a campanha. Obedecendo a Sarney, a Assembléia negou. E a puseram como faxineira. Quem diria. A formosa Saraminda do Amapá pode derrotar Sarney.

CORONEL

Há coisas piores. Há meses venho chamando a atenção para o terremoto que está acontecendo no Amapá. Apavorado, com medo de perder, Sarney, pateticamente, rasgou todos os seus louvados diplomas de jornalista, escritor e democrata, e saiu para o tudo ou nada. Primeiro alvo a destruir: a imprensa.

Agora, o excelente Chico de Góis, do Globo, foi lá e numa página inteira, contou coisas de arrepiar. Sarney está patético. Resolveu perseguir, massacrar a imprensa e a Internet de oposição. A "Folha do Amapá" toda semana sofre decisões inacreditáveis da Justiça Eleitoral, a serviço dele:

1. - "Antes de a campanha começar, blogs, jornais e rádios contrários a ele e à sua coligação foram condenados a retirar charges, fotos, comentários e tudo mais que, aos olhos da Justiça Eleitoral do Amapá, ofendem a honra do senador. Já são 14 notificações, só no período eleitoral, alem de multas".

2. - "A confusão começou depois que o blog ("repiquete no meio do mundo") da jornalista Alcilene Carvalho Dias publicou a foto de um muro com os dizeres : - "Xô, Sarney"! A Justiça Eleitoral a obrigou a retirar o site do ar e a multou em R$21 mil".

ABI

3. - "Outro multado e obrigado a ceder direito de resposta foi o fotógrafo Chico Terra. Seu crime foi ter publicado a montagem de uma foto com uma lancha-ambulância, uma sanguessuga com o rosto de Sarney (criação do cartunista Aroeira) e os dizeres: - "Socorro! A sanguessuga do bigode não deixa a gente chegar ao Amapá". Chico terá que pagar multa".

4. - A "Folha do Amapá" foi obrigada a retirar das páginas reportagem sobre o fechamento de uma siderúrgica que em 2004 se instalou lá, com apoio do governo, e um ano depois fechou as portas e demitiu 160 funcionários. A Justiça Eleitoral considerou que era campanha antecipada e negativa".

5. - "Sarney também mandou retirar uma coluna de humor, reportagens sobre gastos do governo estadual, alem de uma denuncia de funcionários de fazendas dele sobre maus tratos. Tudo isso só fez aumentar a onda contra ele".

Com a palavra a ABI. A Constituição não vale para Sarney e o Amapá?

BUSH

Ontem, recebi mais um e-mail de jornalista do Amapá pedindo socorro. A Alcinéa Cavalcante, correspondente do "Estado de S. Paulo", denuncia:

- "Sebastião querido, o bigodudo não me deixa em paz. Mesmo tendo hospedado meu blog no exterior (já que ele conseguiu tirar do ar o que eu tinha no UOL), o Sarney não para de me perseguir. O homem está delirando. E, nesse delírio, acredita ser o dono do mundo. Fui notificada agora, pelo Tribunal Regional Eleitoral, de que Sarney entrou com cinco ações contra meu novo blog: (http://alcineacavalcante.blogspot.com). No total, já são 14 ações".

Sexta-feira, na "Folha de S. Paulo", o outro Sarney, o daqui, letrado, civilizado, terminou sua leve e sensata coluna semanal pregando "a prudência":

- "Vejam no que deu a imprudência do Bush".

O Brasil poderá ver, em 1º de outubro, no que deu a imprudência de Sarney.

www.sebastiaonery.com.br

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