Procurador Paulo Olegário pede a cassação do candidato Waldez Góes por compra de voto em troca de comida e uso da máquina pública. Dois dias depois ele repete a mesma fórmula e oferece um jantarmício a madeireiros, junto com o senador José Sarney.
Se depender do Ministério Público Eleitoral no Amapá o governador e candidato à reeleição, Waldez Góes (PDT), poderá deixar de ser candidato se a representação for julgada antes das eleições, caso contrário, se eleito Waldez perderá o mandato e ainda terá de pagar multas. Depoimentos e fitas de vídeo comprovam a captação ilícita de sufrágio (compra de votos) e condutas vedadas aos agentes públicos em campanha eleitoral (uso da máquina pública) na campanha do governador.
No último dia 18 o procurador da República no Amapá e procurador regional eleitoral, Paulo Roberto Olegário de Sousa, pediu a cassação da candidatura de Waldez Góes, através de uma representação ajuizada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com base nos artigos 41-A e 73, incisos I e III, da Lei nº 9.504/97.
De acordo com o procurador, o candidato Waldez Góes realizou almoçomícios (misto de almoço e comício) organizados na periferia de Macapá por funcionários do governo estadual como estratégias de campanha eleitoral. Os almoçomícios são eventos organizados pela campanha de Waldez Góes, onde são servidos almoços para eleitores. Para o MPE, a prática configura crime de compra de votos.
Jantarmício – Mesmo ameaçado de cassação, o governador Waldez Góes reincide no crime e continua promovendo encontro com comida para os eleitores, num claro desafio ao Ministério Público Eleitoral, que pediu a cassação de seu registro de candidato por compra de votos em troca de alimento e uso da máquina administrativa. Dois dias depois de ter sido denunciado pelo procurador eleitoral Paulo Roberto Olegário de Sousa, Waldez Góes e seu companheiro de chapa José Sarney promoveram um encontro com trabalhadores do setor madeireiro no mesmo molde dos almoçomícios, só que dessa vez tratou-se de um jantarmício, pois a reunião aconteceu à noite e o prato oferecido depois da onda de discursos com pedido de voto foi peixe frito, arroz e farofa, servidos em marmitex.
O local do jantarmício foi o mesmo de um encontro no último domingo para doação de lotes de terra, onde o governador e o senador José Sarney estiveram presentes: uma boate localizada na Rodovia do Curiaú, na Zona Norte da cidade, chamada de Planetário.
O ambiente e os personagens do palanque são praticamente os mesmos. Há uma chapa completa: no carro-chefe Waldez Góes e José Sarney e candidatos da coligação a deputado federal e estadual. Os convidados do jantarmício de quarta-feira, 21, foram trazidos de várias localidades do Estado com transporte gratuito oferecido pelos anfitriões. Em frente da boate dá para se ter uma idéia do tamanho do investimento. Quinze ônibus perfilados e três caminhões, fora carros menores, fizeram os transportes das pessoas. No meio dos veículos mais uma afronta da coligação do governador e a prova do uso descarado da máquina. Dois ônibus da Prefeitura de Santana, com a logomarca do Passe Livre estampada, trazem eleitores do município e ficam estacionados na frente da boate.
A isca para atrair os convidados foi a promessa de que Sarney e Góes iriam apresentar propostas para o setor e resolver a questão com o Ibama.
Pedindo ajuda ao céu – O encontro começa com uma oração, puxada pelos anfitriões do encontro. O apresentador faz uma apologia às religiões e pede para todos rezarem juntos o Pai Nosso. Depois representantes dos trabalhadores falam em nome da categoria reivindicando direito ao desmatamento e acusando duramente o Ibama de não deixá-los trabalhar. O administrador regional é duramente atacado e todos pedem a sua cabeça, inclusive os deputados Eider Pena, Roberto Góes e Coronel Alves, candidatos à reeleição, que são mais incisivos e chamam Edvan Barros de moleque, bandido e ditador e pedem que o petista seja afastado do Ibama:
A rodada de discursos encerrou com José Sarney e Waldez Góes, que prometeram ajudar os trabalhadores e reprisaram em suas falas o nome do presidente Lula para mostrar força. Sarney não cita o nome de Edvan Barros, do PT, que está pedindo voto aberto a ele e ao governador Waldez Góes. Entretanto, diz que o Ibama deve despachar o documento e cumprir o que está lá. Ele cita o nome do presidente exaustivamente, compara-se a JK e Getúlio Vargas para justificar porque não se candidatou pela sua terra e encerra pedindo voto para ele e Waldez:
(Jornal Folha do Amapá)