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Curtas do Sul
R$ 60 por um olho perdido. A mão vale R$ 100.
'Fizeram açude para o gado beber e nós bebíamos também'
Sul do Estado exporta e usa trabalho escravo, diz OIT

R$ 60 por um olho perdido. A mão vale R$ 100.

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Data de Publicação: 22 de setembro de 2006
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De acordo com o estudo “Trabalho Escravo no Brasil do Século 21”, a pecuária é a uma das principais atividades que utilizam trabalho escravo no Brasil, para tarefas como derrubada da mata para abertura ou ampliação da pastagem, ou o chamado “roço da juquira” – retirada dos arbustos, ervas daninas e outras plantas indesejáveis.

Para o roço, utiliza-se, além da poda manual, a aplicação de veneno.

Não são fornecidos aos trabalhadores equipamentos de segurança, como máscaras, óculos, luvas e roupas especiais.

A pele dos trabalhadores, ao final de algumas semanas, está carcomida pelos produtos químicos, com cicatrizes que não curam. Sem contar as tonturas, enjôos e outros sintomas de intoxicação.

Mutilações também são freqüentes nas tarefas de derrubada e roçado. Um fiscal do Ministério do Trabalho contou: “Sempre que vejo um trabalhador cego ou mutilado, pergunto quanto o patrão lhe pagou pelo dano. E eles têm me respondido assim: ‘Um olho perdido, R$ 60; uma mão, R$ 100’”.

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