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Sul do Estado exporta e usa trabalho escravo, diz OIT

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22 de setembro de 2006
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POR OSWALDO VIVIANI

CATIVOS DO SÉCULO 21

Municípios da região sul do Maranhão – como Açailândia e Bom Jesus das Selvas – são importantes exportadores de mão-de-obra escrava para estados como Pará e Mato Grosso. Também no sul maranhense estão instalados muitos dos principais exploradores de trabalhadores em regime de escravidão do país – fazendas e carvoarias. Essas informações constam no relatório “Trabalho Escravo no Brasil do Século 21”, que abrange o período entre 1995 e 2005. O estudo foi divulgado nesta quarta-feira, 20, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

De acordo com o relatório, nesses dez anos, do total de 17.983 pessoas libertadas no país quando trabalhavam em regime de escravidão, o Pará é o Estado com maior número de libertações - 37,5% do total de pessoas resgatadas (ou cerca de 6,7 mil pessoas).

A ampla maioria (91,5%) era migrante, com idades entre 18 e 40 anos. A origem da maior parte dos migrantes que foram para o Pará – 39,2% – era procedente do Estado do Maranhão. Piauí (22%) e Tocantins (15,5%) completam a lista dos três principais exportadores de mão-de-obra escrava para o Pará.

“Cidades como Açailândia e Bom Jesus das Selvas (no Maranhão), e Barras, Miguel Alves e União (no Piauí) são exemplos de locais de origem dos trabalhadores libertados pelo Ministério do Trabalho e Emprego”, informa o relatório da OIT. As cidades piauienses de Barras, Miguel Alves e União ficam perto da região maranhenses dos Cocais.

“O desemprego e a concentração fundiária nessas regiões [de onde vem a mão-de-obra escrava] são muito grandes, proporcionais ao fluxo de pessoas que precisam sair de suas casas e rumar em busca de trabalho em lugares distantes, como a região da fronteira agrícola amazônica, nos estados do Pará e do Mato Grosso”, diz o relatório sobre trabalho escravo.

Além de exportadoras de mão-de-obra escrava, as cidades de Açailândia e Bom Jesus das Selvas, segundo o estudo da OIT, também abrigam exploradores dos trabalhadores.

Em Açailândia, entre 2002 e 2004, aconteceram 13 ações de libertação de pessoas vivendo em regime de escravidão, feitas por equipes do Ministério do Trabalho e Emprego. Um total de 245 trabalhadores foram resgatados. O município ficou em 3º lugar no país em relação ao número de ações de resgate, e em 10º no que se refere a trabalhadores libertados. Em Bom Jesus das Selvas, foram realizadas, no mesmo período, 6 ações de resgate, nas quais 161 trabalhadores foram libertados.

Outros municípios do sul maranhense também aparecem no relatório da OIT como exploradores dos chamados “cativos do século 21”: João Lisboa (65 resgates em uma ação); Senador La Rocque (33 resgates em duas ações); São Francisco do Brejão (20 resgates em duas ações); Itinga do Maranhão (18 resgates em uma ação); Lajeado Novo (9 resgates em uma ação); e Vila Nova dos Martírios (8 resgates em uma ação).

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